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FÁTIMA DO SUL

Pastor de Fátima do Sul escreve sobre o Dia da Consciência Negra

20 Nov 2009 - 07h27Por Pr José do Carmo

“A Propósito do 20 de Novembro”

 

O Vinte de Novembro que neste ano cai numa sexta-feira, já foi transformado em feriado em onze estados e será comemorado em 217 cidades. A data é feriado estadual em grandes capitais tais como, São Paulo e Rio de Janeiro. Porém, para muitas pessoas, o dia, além de proporcionar uma oportunidade de ir pescar no feriado prolongado não traz importância alguma, e por isso “passará em branco”. Muitas destas pessoas desconhecem a história real é a pessoa por trás da data. Para que isto mude é preciso que o Vinte de Novembro seja “DENEGRIDO”, ou seja, se torne negro, por meio de uma maior divulgação e conscientização do povo, principalmente do próprio povo negro, que desconhece sua história, seus ícones, suas raízes.

 

Na realidade, se existe um país fora do continente africano, para quem o Vinte de Novembro deveria ser importante, este país é o Brasil. Sim, o povo brasileiro deveria conhecer desde cedo à história por trás desta data. Deveria conhecer a pessoa por trás desta data, assim como conhece a pessoa e a história por trás de datas como Vinte um e Vinte dois de Abril, sete de setembro e outras datas que fulguram no calendário cívico nacional. Teorizo que os brasileiros saibam mais sobre o Halloween, (dia das bruxas) comemorado no 31 de outubro, do que sobre o 20 de Novembro. E olha que o Halloween é de origem inglesa.

 

O vinte de novembro esta relacionado a um longo capitulo da história brasileira, escrito com, escambos, seqüestros, sangue, suores, lágrimas, cativeiro, castigos físicos e vidas ceifadas. A data esta ligada a um período, que muitos brasileiros preferiam que não tivesse existido na História nacional. A escravidão negra. Tal capítulo foi tão horrendo que o próprio Rui Barbosa (1849 - 923) mandou queimar todos os arquivos da escravidão, onde estavam registrados a quantidades de negros trazidos para o Brasil e o preço de cada um. Tal atitude por parte de Rui Barbosa, tornou mais difícil o resgate da verdadeira história da escravidão negra. Portanto, para os diversos “Movimentos Negros” atuante no Brasil, seja de cunho político ou religioso, a data é de resgate do passado dos descendentes de vários povos, tais como: Bantos, Mina, Jeje, Benguela, Youruba, Nago.

 

O Brasil foi o ultimo país nas Américas a abolir a escravidão, e só a aboliu sob pressão da Inglaterra industrializada, que ambicionava expandir seu campo comercial, e para tanto incentivava e criava mecanismos para abolir a escravidão visando a adoção do trabalho livre, que gerava novos consumidores. A nação colonizada por europeus tem também como base de sua formação os elementos: indígena e negro. Dos descendentes destas três etnias, os únicos que encontram grandes dificuldades em resgatar sua árvore genealógica é o afro-brasileiro, pois quando os (tumbeiros) navios negreiros aportavam no Brasil, e as “peças” eram levadas para o mercado escravista, as famílias eram separadas, e cada membro vendido em separado, quebrando-se os laços familiares, indo pai para um lado, mãe para outro, se ela tivesse filhos ainda de colo, levava-os consigo, se não, eles também tomavam destinos diferentes. Devido a esta desagregação familiar, o desconhecimento da ancestralidade, do local de origem e povo de pertença é apenas uma das vigentes conseqüências da escravidão negra. Esta conseqüência geradora de um "vácuo genealógico" é apenas uma das conseqüências que somada a outras ainda piores precisam ser tratadas por meio do resgate da história dos afro-brasileiros e afro-latino-americanos. Portanto, Vinte de Novembro é importante, pois e uma data preferida pelos afro-brasileiros em detrimento a data oficial da Abolição, em que se reconta a história e luta de seus ancestrais, e se reivindica a seqüência da libertação, pois a ocorrida a 13 de Maio de 1888 é ainda um projeto inacabado.

 

É um projeto inacabado, pois ocorreu sob pressão, e com o propósito de beneficiar mais aos escravistas do que aos escravizados. É um projeto inacabado pois não houve por parte dos governantes brasileiros, medidas que buscassem - pós a assinatura da Lei Áurea, inserir o negro liberto a sociedade.

 

As medidas tomadas pelo governo visavam mais a exclusão do que a inserção social do povo negro, e assim houve projetos governamentais que visavam por meio do abandono, o extermínio do povo negro. Dentro dessa funesta pretensão, os descendentes dos africanos anteriormente forçosamente inseridos no Brasil, e que sustentaram a economia por quase quatro séculos com sangue, suor, lágrimas e corpos castigados pelo frio, sol, chibatadas, quando libertos foram preteridos, jogados a própria sorte. A expectativa governamental era que morressem, dando lugar assim a um povo com traços europeus. O governo e grandes setores da sociedade acreditavam que, a população negra “diminuiria progressivamente devido à alta taxa de mortalidade, maior incidência de doenças e desorganização social. Os que sobrevivessem, via miscigenação produziria naturalmente uma população mais clara, uma vez que o gene branco era mais forte.

 

Além da expectativa que os negros libertos morressem o governo por meio do "decreto de 28 de junho de 1890 determinava que agentes diplomáticos e consulares brasileiros e a policia dos portos deveriam impedir a entrada de criminosos, mendigos, indigentes e "indígenas da Ásia e da África". Somente o Congresso Nacional podia permitir alguma exceção. O Decreto - Lei nº 7967 de setembro de 1946 determinava que "os imigrantes serão admitidos de conformidade com a necessidade de preservar e desenvolver o Brasil, na composição de sua ascendência européia". Como podemos ver, a entrada do negro como peça era largamente permitida, até a supreção do tráfico negreiro ocorrido em setembro de 1850 por meio da Lei Eusébio de Queiroz, agora após a abolição a presença dos negros descendentes de escravo se torna estorvo e a entrada de "indígenas africanos" entenda-se negros, se torna caso de policia. Tudo isso com o propósito de preservar "a ascendência européia nacional".

 

Neste propósito, o Governo investiu pesado na vinda de europeus para o Brasil, visando não somente substituir a mão-de-obra negra, mas também “embranquecer” a nação, pois acreditava que a imigração orientada reforçaria a predominância branca. A política do embranquecimento começou dois anos antes da assinatura da Lei Áurea, pois “ainda em 1886, foi criada a Sociedade Promotora da Imigração, que com o apoio do governo, subvencionava a imigração, pagando através de impostos, a vinda do imigrante. Chamo a isto de “cotas para brancos”, pois os imigrantes com todo incentivo estatal chegavam a um país que após séculos fazendo uso do trabalho escravo, busca agora fugir dos traços negros e se adequarem a modernidade, criando pequenas propriedades e dando apoio ao trabalho livre e assalariado para os brancos.

 

Hoje, cento e vinte um ano após a tentativa estatal de “branquear” o país, as estatísticas mostra que tal intento falhou, e o Brasil foi literalmente “denegrido”, constituindo-se no segundo maior país do mundo em população negra, perdendo apenas para a Nigéria, um país africano. Em 2010, de acordo com pesquisas do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a população brasileira será majoritariamente negra. Porém, na atualidade os negros ganham, em média, 53% da renda do branco, e segundo projeções do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), levará 32 anos, para haver uma equiparação.

 

Além dos dados de desemprego, analfabetismo, vitimas de chacinas e etc., a pessoa negra só alcança visibilidade nas Escolas de samba, cantando pagode, ou jogando futebol, pois sua ascensão social ainda esta ligada ao entretenimento. Atualmente nas novelas as personagens vividas por artistas negros começam a atuar como protagonistas principais, deixando de ser personagens secundárias, como durante muito tempo atuaram, exercendo papeis de cozinheira, faxineira, motoristas, garçons, jardineiros e outras funções geralmente desempenhadas por pessoas negras na vida real. A indústria do entretenimento é um dos meios por onde o negro pode garantir sua ascensão social, contudo, são poucos os que mesmo tendo talentos, conseguem ascensão social por meio do esporte ou da vida artística, assim como: “Pele”, Alexandre Pires, Taís Araúj

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