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Paranaenses compram semente de soja transgênica

5 Out 2004 - 14h44
A existência de uma lei estadual que proíbe o plantio, a comercialização e o transporte de soja transgênica não impediu que produtores paranaenses comprassem sementes geneticamente modificadas para plantio nesta safra.

No ano passado, a reportagem constatou o plantio em várias áreas do sudoeste do Estado. Para esta safra, que tem seu pico de plantio neste mês e em novembro no Paraná, produtores do sudoeste, oeste e de alguns municípios do noroeste já estocam sementes transgênicas para o plantio.

Produtores das regiões de Francisco Beltrão e Pato Branco (no sudoeste), de Palotina, Cascavel e Toledo (oeste) e de Goioerê (centro-noroeste) ouvidos pela reportagem confirmaram a tendência de a soja geneticamente modificada avançar nessas regiões.

As sementes vêm de produtores do Rio Grande do Sul e de contrabando da Argentina, onde é permitido plantar soja transgênica. O avanço nas regiões oeste e sudoeste do Paraná representa um grande impacto. As duas regiões respondem por 32,7% da área que será plantada com soja no Estado, segundo estimativa do Deral (Departamento de Economia Rural).

Segundo os números do Deral, o Paraná plantará 4,07 milhões de hectares, com previsão de colher 12,352 milhões de toneladas de soja nesta safra de verão. A proibição do governo criou uma situação ambígua para as cooperativas paranaenses. Ao mesmo tempo em que defende o respeito à lei estadual, que proíbe o plantio, a Ocepar (Organização das Cooperativas do Estado do Paraná) divulgou estudo mostrando que os produtores economizarão US$ 250 milhões, por safra, se o plantio for adotado.

Flávio Turra, gerente técnico e de comercialização da Ocepar, explica a ambigüidade. Segundo ele, a Ocepar defende o plantio da soja transgênica, "mas respeita a legalidade e orienta os produtores a trabalhar dentro da lei".

Turra diz que a Ocepar quer regras claras. "Queremos o direito de o produtor escolher entre a transgênica, a convencional e a orgânica. Existe mercado para todos, desde que aconteça uma segregação, evitando misturas".

Requião vê perda

O governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), diz que a liberação, pelo Senado, para o plantio de soja transgênica vai ser uma derrota "pessoal e para o país". Ele diz que a liberação abre caminho para "o monopólio" da soja nacional.

"A América Latina, Brasil à frente, já supera os EUA na produção de soja. Agora querem criar um monopólio do plantio de soja, favorecendo uma empresa e trazendo prejuízos para o país".

Sem citar diretamente a multinacional Monsanto, que detém a patente da soja RR (Roundup Ready), matriz das variedades desenvolvidas de soja transgênica no país, ele insinuou que a empresa faz lobby para a aprovação da lei no Senado. Requião admitiu que a aprovação da liberação será uma derrota pessoal em sua luta por manter o Paraná como área livre de transgênicos.
 
 
Gazeta do Párana

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