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Oposição da Bolívia denúncia "autogolpe" de Evo Morales

24 Ago 2006 - 07h27
O ex-presidente boliviano Jorge Quiroga denunciou nesta quarta-feira que o objetivo do atual presidente, Evo Morales, ao pedir que a recém-instalada assembléia constituinte declare-se originária e tenha plenos poderes, é na verdade uma tentativa de "autogolpe".

A denúncia de Quiroga, que foi derrotado por Morales nas eleições de dezembro, coincide com os pedidos em "defesa da democracia" feitos pela Confederação de Empresários da Bolívia e pelo Comitê Cívico do distrito oriental de Santa Cruz.

O novo choque entre o governo de Morales e as organizações de direita acontece no momento em que a assembléia constituinte, em que o partido governista Movimento ao Socialismo (MAS) tem maioria, debate há dez dias se aprovará suas decisões por dois terços, ou por maioria simples.

"Conclamo todos os constituintes, e particularmente os do MAS, a respeitarem a democracia, respeitando os dois terços e os poderes constituídos", disse Quiroga em conferência de imprensa, em que seu partido, o segundo maior da assembléia, divulgou detalhes do suposto plano golpista.

O governo não respondeu de imediato, mas Morales disse no começo do mês, quando a assembléia estava sendo instalada, que ela deveria ser "originária, plenipotenciária e refundacional", e que aceitaria inclusive a revogação do seu mandato.

O presidente quer que a assembléia tenha poder suficiente para "refundar" o país e diminuir as diferenças sociais e econômicas da nação mais pobre da América do Sul.

Segundo um comunicado da aliança Poder Democrático e Social (Podemos), de Quiroga, Morales tentaria manipular a assembléia para que se declare com plenos poderes, feche o Congresso e o Judiciário.

"O golpe de Estado de Direito preparado pelo oficialismo, um golpe gradual, poderia começar dentro de 48 horas", disse o documento do Podemos, lido para a imprensa por Jorge Avila, um dos deputados.

Outro representante do Podemos, Rubén Darío Cuellar, disse à rádio Panamericana que o objetivo do governo na assembléia seria "instaurar uma ditadura do MAS disfarçada de solução originária e ''refundacional'' para o nosso país".

O presidente da Confederação de Empresários Privados da Bolívia, Roberto Mustafá, disse a repórteres que considera "inaceitável" o propósito oficialista de dar plenos poderes à assembléia.

Na mesma linha, o líder do Comitê Cívico de Santa Cruz, Germán Antelo, anunciou a realização de uma reunião da organização civil denominada "Assembléia de Crucenidad" para a próxima segunda-feira, com o objetivo de "adotar medidas em defesa da democracia".

Essas assembléia têm grande poder, conforme foi demonstrado nas reuniões organizadas nos últimos dois anos para exigir autonomia regional.

Mas o também opositor e magnata do setor de cimento Samuel Doria Medina minimizou a importância da denúncia de "autogolpe", que chamou de produto de uma "confusão" e de uma atitude "muito defensiva" da direita.

"Quando se diz que a assembléia constituinte seja originária, não necessariamente se está dizendo que os poderes constituídos serão fechados", disse.

A assembléia constituinte tem prazo de um ano, até agosto de 2007, para redigir uma nova Constituição boliviana, que deverá ser submetida a referendo.

 

Reuters

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