Menu
FARMÁCIA_CENTROFARMA_FULL
terça, 11 de maio de 2021
Busca
Brasil

Novas opções de financiamento rural

21 Ago 2004 - 07h36
Alternativa à escassez de recursos é o lançamento de recebíveis pelo governo, em outubro. O produtor rural está precisando buscar alternativas de crédito para a safra 2004/05. Estima-se que apenas 30% dos gastos com a produção sejam financiados pelo governo. Como a verba está escassa, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento pretende lançar, em 1º de outubro, papéis que poderiam alavancar recursos aos produtores.

Recente pesquisa da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) mostra que apenas 13% dos produtores têm condições de cultivar com dinheiro próprio. O levantamento mostra também que 70% dos agricultores não conseguem nem metade do crédito a juros fixos de 8,75% ao ano.

"O produtor vai ter que buscar recursos no mercado", diz Luciano Carvalho , técnico da Comissão Nacional de Crédito Rural. Segundo ele, isso representa aumento de custos, pois os juros livres variam entre 18% e 22% ao ano.

"A demanda tem sido superior ao recurso disponível", avalia Pedro Coutinho, vice-presidente executivo do Santander. Segundo ele, cada vez mais o produtor tem usado a Cédula de Produto Rural (CPR) como alternativa complementar ao crédito. Por isso, uma das propostas do setor é que os bancos possam utilizar os depósitos da Poupança Rural para financiar a agropecuária. Atualmente, no Banco do Brasil, único agente financeiro autorizado a utilizar esta fonte, 35% do total disponível para a safra provêm da poupança.

"O modelo de crédito não acompanhou a evolução do agronegócio", afirma Coutinho. Opinião semelhante tem Carvalho. De acordo com ele, é preciso que o governo faça uma adequação na política agrícola atual. "Estamos procurando o caminho para o financiamento da safra", afirma João Sampaio, presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB). Segundo ele, há dificuldades de crédito nas tradings, que tiveram problemas na safra passada, mas apesar disso, o financiamento por meio destas empresas e do mercado futuro deverá ser a solução para os produtores rurais.

O governo pretende alavancar recursos da iniciativa privada para o financiamento da safra 2004/05, por meio dos novos títulos, que serão apresentados aos setores financeiro e produtivo na próxima semana. A expectativa é de que sejam lançados oficialmente em outubro. O Banco do Brasil, o Santander e o Banco Santos já demonstraram interesse nos instrumentos.

Os títulos foram anunciados em junho. Na época, a expectativa era de que até o final daquele mês saíssem as Medidas Provisórias que iriam regulamentar as novas modalidades de crédito. Espera-se para esta semana a publicação dos instrumentos que podem servir de lastros para os recebíveis e também das normas dos contratos de opção privada. "Os recebíveis são instrumentos de apoio à comercialização, não só ao plantio", afirma Ivan Wedekin, secretário de Política Agrícola do ministério, justificando o atraso na normatização. O setor privado poderá financiar a produção por meio dos Títulos Agrícolas Rastreados e Recebíveis do Agronegócio, do Certificado de Depósito Agropecuário (CDA), do Warrant Agropecuário e dos Contratos de Opção Privada.

Os recebíveis são títulos que serão emitido por empresas de securitização, em nome do setor produtivo ou financeiro, para levantar recursos com investidores. A proposta do ministério é que não incida Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nos recebíveis, que teriam como lastros os CDAs, CPRs, duplicatas e contratos. O CDA é um papel que representa a entrega do produto armazenado e o Warrant Agropecuário confere o seu penhor. Os dois são emitidos simultaneamente pelo depositário. O produtor pode comercializá-los ou usá-los em empréstimos.

Carvalho acredita que, devido à proximidade do plantio - em setembro inicia o cultivo de milho e depois o da soja - os novos papéis deverão ser usados apenas na comercialização da safra. Sampaio acredita que o lançamento dos papéis será uma alternativa, mas pensa que os produtores podem ter dificuldade em lidar com a novidade.

Outro instrumento é o contrato de opção privada, pelo qual o governo leiloa prêmio de subvenção às indústria que lançarem os papéis. "O prêmio dá segurança aos parceiros interessados na estabilização dos preços", afirma Wedekin. Segundo o secretário, o trigo é um dos produtos em análise para o uso do novo instrumento.
 
 
Gazeta Mercantil

Deixe seu Comentário

Leia Também

NOVAS REGRAS
WhatsApp: o que acontece se você não aceitar novas regras do aplicativo até 15 de maio
FAMOSIDADES
Pai da campeã do 'BBB 21' Juliette vive em casinha de barro na Paraíba
CACHAÇA
Jovem enfia garrafa no ânus durante bebedeira e vai parar no hospital
ESCALADA DA VIOLÊNCIA
Operação mais letal da história deixa 25 mortos no Jacarezinho
VITIMA DO MASSACRE
'Fiquei vendo costurarem os ferimentos. Chorava, orava e agradecia por ele estar vivo, diz mãe
FRIO - FÁTIMA DO SUL NOVA ONDA DE FRIO
Frio de origem polar começa a ser sentido novamente e terá geada
TERROR NA CRECHE
Sob forte emoção moradores de Saudades realizam velório coletivo das vítimas do ataque à creche
CHEGANDO FORTE
Frio chega com força e provoca geada no Sul
TERROR EM CRECHE
Jovem invade escola e mata três crianças e duas funcionárias
PÉSSIMA PROJEÇÃO
Covid-19: Brasil deve alcançar 575 mil mortes em 1º de agosto, diz instituto