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Brasil

Natação perde recordista e ganha melhor geração

11 Set 2004 - 07h46
No ano em que perdeu seu maior medalhista olímpico (quatro pódios), a natação brasileira assiste ao surgimento de sua melhor geração.

Apesar de voltar da Olimpíada de Atenas sem medalhas (fato que não acontecia desde Seul/1988) e Gustavo Borges, ícone nacional da modalidade, o esporte alcançou cinco finais em diferentes categorias na Grécia, feito inédito na história do País.

"Tenho muita fé na nova geração", diz Borges, que se despediu em Atenas. "Há muito tempo eu venho tendo dificuldades para competir com os garotos do Pinheiros, por exemplo", revela.

A geração que sinalizou a Borges o momento de parar disputa, neste final de semana, as finais do Troféu José Finkel, em Santos. E ela já tem status transnacional: tem quebrado um recorde sul-americano após outro.

Em Atenas, Joanna Maranhão, Flávia Delarolli, Thiago Pereira, Gabriel Mangabeira, além da equipe do revezamento 4 x 200m livre, composta por Joanna, Monique Ferreira, Mariana Brochado e Paula Baracho, foram as finais mesmo sendo calouros olímpicos.

"Foi um resultado surpreendente não só pelo número de finais, mas também porque conseguimos levar o maior número de participantes", comemora Flávia Delarolli, finalista dos 50m livre, referindo-se aos 23 nadadores que representaram o País.

Responsável por nove medalhas olímpicas para o Brasil, a natação está em uma fase de transição tida como muito promissora. Gustavo Borges, maior nome do esporte com quatro medalhas, se despediu dos Jogos após a participação na Grécia. Ao lado de Fernando Scherer, duas vezes medalhista, ele não conseguiu subir ao pódio na Grécia, interrompendo um vitorioso ciclo.

No entanto, Scherer destaca o potencial dos novos nadadores e aposta neles para retomar a rotina de medalhas na Olimpíada de 2008, em Pequim. "Essa garotada é a mais talentosa que o Brasil já teve em toda a história. O Thiago Pereira, por exemplo, é um grande garoto, que se dedica bastante. Ele tem um futuro brilhante pela frente e na próxima Olimpíada ganhará sua medalha", analisa Scherer.

Segundo Delarolli, as dificuldades estruturais fazem com que essa renovação aconteça a passos lentos. Por isso, para ela, as finais atingidas em Atenas representam uma "grande evolução".

"A natação está em uma fase de transição que não é simples nem organizada. Então, tudo acontece lentamente, cada um luta por si. Inevitavelmente os mais experientes terão que parar, nada é para sempre, por isso precisamos preencher esse espaço para dar uma continuidade. O único problema é que esse processo é lento", opina.

Agora, com novos nomes ganhando respeito no cenário nacional e internacional, a esperança dos próprios nadadores é brilhar em Pequim. E para chegar de maneira embalada nos Jogos de 2008, os brasileiros terão o Pan-Americano de 2007, no Rio de Janeiro. A competição continental, após o resultados em Atenas, já é tida como um teste de luxo para a Olimpíada.

"A maneira como o pessoal vai encarar o Pan será diferente. Depois da Olimpíada, o Pan passou a ter o peso de um sul-americano. Todo mundo agora se sente mais capaz e percebeu que as coisas podem ser mais fáceis", comenta Delarolli.

O experiente Scherer concorda. "Atenas foi mais para eles pegarem confiança, afinal, foi a primeira grande competição internacional de todos, havia um peso maior e mais cobrança. Mas no Pan de 2007 e em Pequim eles devem ir melhor ainda." Borges dá até um recado: "Deixo para a nova geração da natação toda a minha experiência, que eu passei com palavras e com atitudes, como sempre chegar no treino na hora, dormir cedo e ser disciplinado".

 

Terra Redação

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