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Entrevista - ídolo no brasil

"Não consigo nem correr", diz Guga sobre atuais limitações físicas

Guga precisou terminar a entrevista porque tinha um compromisso: ir à fisioterapia

22 Ago 2014 - 08h08Por Uol

Guga precisou terminar a entrevista porque tinha um compromisso: ir à fisioterapia. Consequência das limitações físicas resultantes de uma vida dedicada ao esporte de alto rendimento. Mesmo sem conseguir correr, ele não se arrepende da entrega durante a carreira. Porém, diante de tantas dificuldades enfrentadas na última fase no circuito, admite que a aposentadoria trouxe certo alívio.

Na entrevista, Gustavo Kuerten também fala das expectativas para Rio 2016, como o esporte é administrado no país e afirma que o tão elogiado modelo alemão é o básico que o Brasil insiste em não fazer. Guga explica ainda o que pretendia quando resolveu fazer faculdade de teatro e como tem tocado a vida depois que pendurou as raquetes.

UOL Esporte: Você ainda sente as dores do esporte?
Guga:
Sim, tem uns 14 anos que sinto dores sem parar, um dia atrás do outro.

Uma dor tipo a do Agassi que não conseguia pegar os filhos no colo?
Não, mas se fosse contigo você tava maluco já. É que eu sei lidar bem com essa situação.

Você é resiliente...
Tem que ter um entendimento. Eu acho que no esporte todo mundo paga um pouco a conta. Vê os pugilistas aí, quantos que estão sofrendo. A gente bota corpo e alma e vai tudo. Não tem como segurar, mas daqui a 10 anos como é que vai ser? Joga tudo e depois dá um jeito. O que é bom também; essas dualidades da vida são interessantes porque trazem alguma lembrança, uma vivência.

Você carrega "cicatrizes" pela dedicação ao tênis?
Sim. Eu não consigo nem correr cara.

Sério! Você surfa ainda?
Por enquanto nada. Talvez no verão eu consiga fazer alguma coisinha. Mas, por enquanto, caminhar, pegar o filho no colo, bem devagar , na manha.

Nem assim você se arrepende de tudo que fez pelo tênis?
Nããão, a dor faz parte né. Eu ainda tô vivo.

Quanto tempo não pega numa raquete?
Mais de dois anos, eu acho. O último vez foi contra o Djokovic (em novembro de 2012).

Como é se aproximar de uma quadra?
Sempre quando eu tiver ao lado da quadra vai dar saudade. E isso que eu acho bom porque prova que o que eu vivi foi de verdade. Se fosse indiferente para mim...ficaria difícil de aceitar. Teria sido perda de tempo. Então essa saudade é boa, ela me alimenta. Que bom que se tornou assim. Demonstra minha relação com o tênis, que era estar ali por completo.

Nadal e Montañes jogaram no Rio em fevereiro antes de você ser homenageado. O que você sentiu ao se aproximar de uma partida de campeonato da ATP?
Hoje a falta que sinto do tênis não fica mais na minha cabeça, mas a hora que me aproximo da quadra dá vontade de arrancar o Montañes dali, jogar ele longe e enfrentar o Nadal. Tomara que essa sensação isso aconteça para sempre.

É o cara que você mais gostaria de enfrentar?
É, o que mais tem as nuances de um possível encontro.

O que fez exatamente depois de pendurar as raquetes?
Minha intenção foi me ausentar um pouco do tênis para realizar um desejo pessoal que era a faculdade. Fiz teatro, mas logo me vi capturado pelo tênis novamente.

Você pensou em ser ator ao fazer teatro?
Não. Eu tinha mais um foco de entendimento na parte histórica, cultural, humana. Não tinha nada de apresentação. Queria aprender a parte teórica do teatro. E depois eu tive a felicidade de conhecer a formação do ator, algumas atividades, criação de personagem eu achei super interessante porque tem a ver com o tênis. Uma apresentação efêmera, erro não corrige nada, tudo para frente. Parte de concentração, relação com o público.

Você não se formou por quê?
Chegou uma hora que eu me sentia no ensino médio. Eu frequentava dois dias e faltava dois meses! (muitos risos) Fiz três semestres, deu para conhecer o bastante para quem sabe voltar daqui vinte anos.

Você era um bom aluno, lia tudo que tinha para ler?
Ah, mais ou menos. Faltava pra caramba (risos)!. Mas eu tava ali para viver essa experiência. Eu ia para lá e não ia a toa, para perder tempo.

Mas você não ensaiou nenhuma peça?
Apresentamos uma três peças ali: Ofélia; Sonhos de uma Noite de Verão; e Macbeth. A gente fez um ensaio de algumas cenas. Alguns papéis em uma peça. Não uma peça encenada e para apresentações. Era prova teste, e partir dali o professor dava a avaliação e ficava o semestre todo criando algumas cenas. Apresentei umas dez cenas.

Você conhecia os autores?
A maioria deles não. A gente fez depois(Bertold) Bretch e (Constantin) Stanislavski, que criou um manual de criação de personagem pelo corpo bem interessante. Esse lado de se entender e sentir o corpo como funciona, pô, era muito atraente para mim. Tinha muita sintonia com o tênis, autocontrole para poder se apresentar.

Como foi abandonar o esporte para teu emocional?
Pra mim foi bastante envolvente de qualquer jeito, foi super emocionante. Graças ao meu quadril eu posso dizer que fui obrigado a fazer isso. Não foi uma escolha para mim. Já era desgastante demais ficar ali dentro.

Você sentiu um alívio?
Também, também. O que me conforta bastante é a sensação de dever cumprido. Eu me entreguei para o esporte de corpo e alma. Fiz tudo que podia e ele me devolveu ainda mais.

Teu livro também terá muitos depoimentos? Existe uma data para sair?
Guga:
A ideia era lançar este ano, mas não tem data porque é um livro que é para vida inteira. A intenção era estar com ele mais ou menos pronto agora. Mas vale a pena esperar mais um mês ou esperar mais um ano.

Você conta o que no livro?
Toda minha vida, que é uma bastante distante das pessoas até 97. Aí quando eu ganhei Roland Garros, minha vida se aproxima muito mais dos milhões de brasileiros e do mundo todo. Essa primeira parte acho que vai ser novidade para quase todo mundo.

Falando da Olimpíada de 2016. Qual tua expectativa para participação brasileira?
Eu acho que tem boa chance de o Brasil ter a melhor participação nas Olimpíadas porque é um reação natural: maior investimento do país que está sediando para buscar aquelas medalhas em esportes que não estão profissionalmente desenvolvidos.

O Brasil trabalha para ganhar medalha ou melhorar o esporte?
Mais focado em ganhar medalha, bem mais focado. Até porque um trabalho para desenvolver o esporte ele precisa de um processo de no mínimo 15 anos, 20 anos. Eu imagino que a realização de uma grande Olimpíada, as grandes conquistas do Brasil e um recorde de medalhas podem atrair a atenção das crianças.

É só dinheiro que falta para o melhorar o esporte?
As vezes não é nem questão dos valores aplicados e sim a maneira como é feito. Fala-se muito hoje do sucesso da Alemanha. Mais normal do mundo, o tenista que não fizer isso que a Alemanha faz não joga tênis. É planejamento, boa preparação, estudo para ver como se aprende, bons treinadores e disciplina de treinamento.

Há um ano e meio você trabalhou num projeto. Qual foi o resultado?
Eu fiz parte de um projeto que envolveu todas as esferas, tanto o Comitê Olímpico, a Confederação, Ministério do Esporte. Era para durar pelo menos até 2016 e durou oito meses. Pelo que aconteceu mais vale não fazer do que fazer um projeto de oito meses. A desilusão que cria entre todos que estão envolvidos neste esporte é muito frustrante. 

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