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Mulheres fazem "mamaço" pelo direito de alimentar os filhos em SP

13 Mai 2011 - 09h00Por G1

Um grupo de mães se mobilizou por meio de redes sociais na internet para realizar um 'mamaço' no Itaú Cultural da Avenida Paulista, na tarde desta quinta-feira (12). A motivação do encontro surgiu após a antropóloga Marina Barão, 29 anos, ser proibida de amamentar um dos dois filhos [Francisco, 3 meses, e Antonio, 2 anos] em uma exposição de arte no espaço cultural, em março deste ano. A funcionária disse que era norma da instituição não permitir que pessoas se alimentassem no espaço. O evento reuiniu cerca de 30 mães e seus filhos lactentes.

O caso foi parar em uma lista de discussão na internet. De imediato, o diretor do espaço cultural, Eduardo Saron, pediu desculpas públicas em uma rede social e ofereceu o mesmo local de onde a mãe tinha sido impedida de amamentar o filho para debater o tema. "Sou pai de um menino de 8 meses, o Gabriel. Cheguei a minha casa e quase apanhei da minha mulher quando soube do ocorrido. Isso abriu um debate em minha casa e serviu de aprendizado para o espaço cultural também. Mudamos nossa política de atendimento ao público e abriremos espaços destinados paras as mães."

A antropóloga disse que a forma como o problema se tornou uma inspiração para debater e difundir a amamentação deve se espalhar por outros centros culturais. "Quero que isso reverbere para outros lugares e espaços específicos para implemento da cultura. Temos carência de lugares com trocadores, com espaço para acomodar nõs mães", disse Marina.

Marina Barão, 29 anos, foi impedida de amamentar o filho em uma exposição de arte (Foto: Glauco Araújo/G1)Marina Barão, 29 anos, foi impedida de amamentar o filho Francisco em uma exposição de

Saron disse que assumiu a culpa pela forma como a funcionária orientou a mãe no espaço da exposição. "A culpa é nossa. A funcionária não foi bem instruída para aquele tipo de abordagem. Há normas de museologia que impedem a alimentação em locais de exposição, mas há uma grande diferença entre alimentação e amamentação. Mudamos a norma para evitar interpretações equivocadas."

Apesar de não ter aceitado con naturalidade o impedimento de amamentar o filho, a antropóloga afirmou que a funcionária agiu com delicadeza. "Ela foi muito gentil. Ela mesma ficou sem graça e me pediu desculpas por aquela situação", disse Marina.

A estilista Paula Linadi, 35 anos, participou do 'mamaço' nesta quinta-feira com seu filho Noah, 3 meses. "A amamentação, antes de ser apenas uma alimentação, é uma forma de aumentar o vínculo entre mãe e filho. Quem se incomodar, o problema não é meu". Ela disse que amamentou o primeiro filho, Ian, 4 anos, até os 12 primeiros meses. "Não me arrependo."

Paula Linadi, 35 anos, alimenta o filho Noah, 3 meses durante evento em espaço cultural (Foto: Glauco Araújo/G1)Paula Linadi, 35 anos, alimenta o filho Noah, 3 meses durante evento em espaço cultural (Foto: Glauco Araújo/G1)
A mãe precisa ser preparada para alimentar os filhos e saber que são capazes de fazer isso. Somos mamíferos e nada mais natural que mamemos"
 Felícia Pilli, 26 anos, artista plástica

A empresária Carol Queiroz, 33 anos, disse que a discussão sobre o problema vivido por Marina no espaço cultural teve um lado positivo, porque ambas as partes se uniram em prol de uma mesma ideia. "O mais importante de tudo isso é que as pessoas aprendam que a amamentação não deve se tornar um tabu e que as crianças não vejam isso como um problema. É uma hipocrisia, um absurdo não poder amamentar seu filho em espaço público."

Mãe de Leon, 10 meses, e Tom, 5 anos, a empresária disse que não vai medir esforços e nem controlar o tempo que seu filho mais novo irá amamentar. "O meu primeiro filho amamentou até os 3 anos. O Leon não terá impedido de tempo para se alimentar."

Carol Queiroz, 33 anos, amamenta o filho Leon, 10 meses, durante encontro de mães (Foto: Glauco Araújo/G1)Carol Queiroz, 33 anos, amamenta o filho Leon, 10 meses, durante encontro de mães (Foto: Glauco Araújo/G1)

A artista plástica Felícia Pilli, 26 anos, tratou de registrar o encontro com sua máquina fotográfica, enquanto dividia os ombros com o equipamento e sua filha Maria Valentina, de 1 ano e 2 meses, que ainda amamenta. "É natural. Há muita divulgação de alimentação artificial, de leite em pó. A mãe precisa ser preparada para alimentar os filhos e saber que são capazes de fazer isso. Somos mamíferos e nada mais natural que mamemos."

Patrícia Boudaquian, 29 anos, e sua filha Alice, 2 meses (esq.); e Felícia Pilli, 26 anos, com Maria Valentina, de 1 anos e 2 meses  (Foto: Glauco Araújo/G1)Patrícia Boudaquian, 29 anos, e sua filha Alice, 2 meses (esq.); e Felícia Pilli, 26 anos, com Maria Valentina, de 1 anos e 2 meses (Foto: Glauco Araújo/G1)

Ana Cristina Duarte, representante do Grupo de Apoio a Amamentação Ativa (Gama), participou da organização do evento. "Queremos reforçar o papel de mãe que amamenta. Queremos debater o assunto e mostrar que a amamentação deve ser respeitada e apoiada."

"Somos mães que amamentam. Nosso papel é de acolhimento a quem quer amamentar e de auxiliar as mulheres que querem e podem amamentar", disse Flávia Gontijo, apoiadora do grupo.

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