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MS deve ter safra recorde de milho

31 Jul 2010 - 09h38Por Dourados Agora

A colheita do milho safrinha ainda está em fase inicial, mas deve resultar em números históricos de produtividade em Mato Grosso do Sul.

Especialistas ouvidos pelo Douradosagora indicam excelente produtividade, resultado obtido principalmente nas lavouras plantadas de forma precoce. Nas primeiras lavouras colhidas, a produtividade chega a 100 sacas por hectare, considerada excelente.

O pico da colheita acontece em agosto e segue até meado de setembro. Até lá, a média de produtividade deve baixar para em torno de 60 ou 70 sacas por hectare, índice também considerado muito bom.

Apesar da ótima produção, os produtores temem pelo baixo preço pago pelo milho produzido no Estado.

O engenheiro agrônomo e consultor Ângelo Ximenes explica que em Dourados a colheita ainda está um pouco tímida e atinge, até o momento, em torno de 20% dos 70 mil hectares de área plantada.

Segundo ele, os produtores aguardam apenas a secagem completa do milho, o que deve acontecer nos próximos dias com o tempo aberto.

“O milho não está totalmente seco e o produtor só aguarda sol forte para retomar o trabalho com o maquinário”, diz ele.

De acordo com Ximenes, o produtor está bastante otimista com os resultados obtidos, mesmo já prevendo uma queda na produtividade na segunda etapa a ser colhida. “Os resultados até agora são fantásticos. Nunca tivemos níveis como este no Estado”, comemora. Em Dourados, além do milho safrinha, a produção de inverno também inclui o trigo, com área plantada em torno de 5 mil hectares. Já no caso da aveia o maior índice de plantio é da chamada ‘aveia preta’, utilizada apenas para proteção do solo.

Na região de Ponta Porã a colheita também já começou, segundo o presidente do Sindicato Rural, Jean Paes. Ele confirma os bons índices de produtividade, mas reclama do preço do milho – hoje, em torno de R$ 11,50 a R$ 12 para a saca de 60 quilos. “A safrinha é uma alternativa a mais que o produtor utiliza em busca de lucro”, salienta.

Segundo ele, este ano a área plantada de milho na região de fronteira caiu bastante e gira em torno de 15 a 20 mil hectares. Segundo Jean Paes, muitos produtores optaram pela aveia ou plantaram pastagem para o gado. “Nossa região é mais fria, com inverno rigoroso. O risco de geada é grande e o produtor ficou receoso”, diz ele.

Preço ruim

O diretor-executivo da Fundação MS, Dirceu Luiz Broch, nega otimismo no setor e diz que o produtor está preocupado não só pelo baixo preço do milho, mas também da soja. “Tem também o frete alto e problemas no armazenamento. Está muito difícil vender”, diz ele.

Segundo Dirceu Broch, justamente pela instabilidade do setor houve redução de 10% na área plantada de milho safrinha no Estado.

Até agora, segundo ele, em torno de 10% a 15% já foram colhidos, em regiões como Ponta Porã, Dourados, Maracaju, Sidrolândia e Rio Brilhante.

Segundo o especialista, ao mesmo tempo em que há boa produção, o produtor precisa lidar com o baixo preço. O custo de produção do milho safrinha, segundo a Fundação MS, gira em torno de R$ 600 por hectare.

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