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Mortes de militares do Exército em Corumbá continuam incógnitas

28 Jan 2010 - 05h15Por Diário Online

Alegando “sigilo”, o Comando da 18ª Brigada de Infantaria de Fronteira não vai divulgar o resultado do Inquérito Policial Militar (IPM) que apurou as causas das mortes do cabo Diego Augusto de Lima Leite e do soldado Antônio José dos Santos Neto, ambos de 21 anos, ocorridas no dia 26 de novembro de 2009, durante treinamento do Estágio Básico de Combatentes no Pantanal, realizado pelo Exército de Corumbá na região do Rabicho, base militar do Comando do Sexto Distrito Naval de Ladário.

O ‘sigilo’ tem como base o Código de Processo Penal Militar (CPPM).

O cabo Leite e o soldado Santos Neto serviam no 17º Batalhão de Fronteira.

Em nota divulgada nesta quarta-feira, 27 de janeiro, a Seção de Comunicação Social da 18ª Brigada, informou que o IPM foi concluído no dia 25 de janeiro e já foi encaminhado para a Auditoria da 9ª Circunscrição Judiciária Militar, em Campo Grande, órgão da Justiça Federal a quem “cabe julgar e responsabilizar possíveis envolvidos”. Justificando o sigilo, baseado no artigo 16 do CPPM, a nota diz que “o Exército Brasileiro não pactua com nenhum tipo de irregularidade e apura rigorosamente todas as denúncias recebidas, agindo com impessoalidade, tendo o cuidado de não ferir os direitos individuais previstos na Constituição Federal".

O advogado Luiz Fernando Toledo Jorge, contratado pela família do cabo Lima Leite para acompanhar o caso, informou que viajará para Campo Grande com o objetivo de tomar “ciência” do resultado do Inquérito Policial Militar. “Não deixaram que tivéssemos acesso aos autos, informaram a conclusão somente para as famílias e a portas fechadas”, disse o advogado a este Diário.

Somente após tomar conhecimento da conclusão do IPM é que terá argumentos para definir quais medidas judiciais deverá tomar, explicou Toledo Jorge, que é o presidente da Subseção da OAB de Corumbá.

A viagem para a Capital do Estado deve acontecer na próxima semana. Numa entrevista coletiva, concedida um dia após as mortes dos militares, o comandante da 18ª Brigada, general-de-brigada Roberto Jungthon, explicou que aguardava os resultados médicos para divulgar o que teria causado as mortes.

Inicialmente, disse o general, os dois tiveram um quadro de parada cardiorrespiratória. Ele anunciou naquele dia a abertura do Inquérito Militar. Jungthon contou que o cabo Lima Leite e o soldado Antônio José participavam da última operação do treinamento. Eles integravam patrulhas fluviais e terrestres durante o estágio. Uma já havia completado a missão e a outra retornava para a base.

“Eram cerca de 12h30 quando começaram os fatos nestes dois pelotões”, disse o general na coletiva. Outros dois militares, os soldados Victor Hugo Serrudo de Cabrera e Izan Eduardo da Silva Filho também se sentiram mal, naquele treinamento, chegaram a ser internados, mas, se recuperaram e receberam alta médica posteriormente.

“O cabo Lima Leite estava num estado de saúde diferenciado, mais grave. Ele passou mal de imediato, rapidamente. Foi levado de helicóptero, acompanhado por um médico, porque era mais grave. A capacidade na aeronave era para dois lugares. O outro [soldado Antônio José] foi de voadeira para o hospital”, explicou o general Jungthon. O soldado Serrudo apresentou quadro de “desorientação, não demonstrava consciência em suas respostas. Foi evolução de um quadro de cansaço. O Izan teve mal-estar”, completou. 
 
 


Problemas da saúde anteriores ao treinamento, que os dois militares supostamente teriam, foram descartados pelo comandante da 18ª Brigada de Infantaria de Fronteira. “São feitas avaliações físicas anuais. Além disso, temos três inspeções regulares de saúde. Só este ano [2009] passaram por três testes de aptidão física. O cabo Lima Leite teve conceito bom nesses testes e o soldado Antônio José teve conceito muito bom”, destacou o general.

Antes da finalização do Inquérito Policial Militar, os médicos-legistas do Instituto Médico Legal (IML) tiveram trabalho para conclusão dos laudos necroscópicos. O IML demorou em receber os exames laboratoriais feitos assim que os dois militares deram entrada no Hospital Naval para o primeiro atendimento. Após período de espera, a Polícia Civil foi informada pela Marinha que os prontuários médicos não seriam enviados porque a atitude “violaria Código de Ética Médica”. Entretanto, os laudos foram colocados à disposição das famílias das vítimas, que os retiraram e os encaminharam aos legistas.

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