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Menino morto e queimado foi enterrado em caixão de papelão

10 Mar 2010 - 17h30Por Dourados Informa
Dez horas da manhã. Sol a pino. Silêncio absoluto. Apenas o coveiro João Joaquim da Silva, o “homem da funerária” e mais cinco pessoas acompanharam o sepultamento do garoto Anderson dos Santos de 13 anos, morto a facadas, desovado num terreno baldio onde foi queimado.

A cena aconteceu na manhã desta quarta-feira no Cemitério Santo Antonio de Pádua de Dourados, onde todos os dias João Joaquim abre e fecha covas num ritual emblemático para conseguir um salário mensal. De todos os sepultamentos o de Anderson foi o que mais chamou a atenção do coveiro.

Foram apenas dez minutos até que o caixão daqueles mais baratos feitos com ripas de madeira e encoberto de papelão descesse à “cova rasa” para ser “cimentado” pela terra vermelha de Dourados.

Quatro primos e apenas um irmão do garoto morto estavam presente para a “última homenagem”. Nenhuma lágrima, nenhum soluço. Apenas o silêncio ensurdecedor dos poucos familiares.
Cleuza Santos, de 39 anos, não suportou a dor de perder seu terceiro filho de forma brutal e deixou de compareceu ao cemitério. Ficou acertando os detalhes burocráticos para o sepultamento do filho.

O coveiro, assim que os familiares e o agente funerário deixaram o cemitério, continuou o seu trabalho. Ajeitou a terra sobre o caixão do menino e por fim postou na lápide imaginária uma cruz de madeira onde foi escrito o número 5944.
João Joaquim seguiu a sua rotina de trabalho. Novas covas devem ser abertas. Mais adolescentes e jovens vão morrer vítimas das drogas e as famílias continuarão sofrendo com o poder devastador da violência e da injustiça social.

Enquanto para a sociedade Anderson que nem sequer conseguir terminar o ensino fundamental passou a ser apenas um número numa cruz, para a mãe, trabalhadora e sofredora, sobrou uma dor pungente. Um desalento. Um desencanto e a falta de fé na justiça.

A primeira grande perda de Cleuza foi em 2006 quando o seu filho mais velho foi assassinato a tiros em São Paulo. Dois anos depois, o segundo filho, morre de forma violenta. Foi no bairro Canaã I que perdeu a vida vítima de apedrejamento.

A saga de sofrimento de Cleuza continuou e há dois dias mais um filho morre. Anderson recebeu várias punhaladas e morreu. Seu corpo foi desovado num matagal e foi queimado. Só foi identificado porque carregava no bolso uma cópia da certidão de nascimento e uma fotografia da mãe.

Cleuza disse que os três filhos eram dependentes químicos. Anderson começou a fumar maconha aos onze anos. Passou para a pasta base de cocaína e encontrou o “inferno devastador” com o crack. Ela chegou a internar o menino numa clínica para recuperação, mas ele preferiu a liberdade das ruas e do vício.

A casa pobre e sem cerca da Rua José Alencar, 1750 não será a mesma. O pouco de alegria que ainda restava desapareceu como a fumaça do crack. Sobraram ainda para Cleuza, quatro filhos e a vontade de continuar vivendo e trabalhando.
Mas a morte de Anderson não abalou a sociedade douradense. Entrou para as estatísticas de adolescentes e jovens que todas as semanas são assassinados nos bairros mais pobres e remotos da cidade onde lágrimas de mães são coisas corriqueiras. É mais uma vítima das drogas e da violência que ela gera.

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