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Menino extorquido por ex colega de escola “pagava” para não apanhar

23 Mai 2011 - 10h21Por Campo Grande News

Um menino carregou aos 12 anos o peso da agressão em silêncio. Por medo e pelas ameaças, o adolescente não contou a ninguém sobre extorsão sofrida desde o ano passado, dentro de uma escola pública de Campo Grande, por um ex-colega de classe, de 14 anos.

A história é digna de filme americano, um caso clássico de bullying. A vítima, que no começo era obrigada a fazer as tarefas de classe do garoto, pegava dinheiro de casa para não apanhar.

“Ele dizia que ia me matar. Ele e os guris amigos dele”, desabafa o menino. O caso foi registrado na Delegacia de Atendimento a Infância e Juventude, que já concluiu o inquérito.

Na delegacia, o autor confessou que fazia as ameaças. A delegada Aline Lopes explica que não pediu a apreensão do garoto, porque seria pior. “Se ele vai para a Unei acaba aprendendo mais, lá é uma escola”.

Filme de terror - Por telefone, as intimidações eram constantes, sempre nos intervalos de terça e quinta-feira. O garoto com medo de que o colega fosse cumprir com as ameaças, entregava o dinheiro no local marcado e voltava para casa em silêncio.

A mãe da vítima contou ao Campo Grande News que calcula que o filho tenha dado por volta de R$ 3 mil reais. Cada valor pago era acima de R$ 50 reais. Nas últimas vezes, antes da descoberta foram R$ 90 e R$ 70 reais. A desconfiança da família começou há cerca de quatro meses e a suspeita era que o menino estivesse usando o dinheiro para drogas.

“Eu não sabia para onde estava indo o dinheiro. Perguntava e ele falava que não era ele. Eu já nem dormia, ele estava tão agressivo no colégio, em casa também. Mas era essa a defesa dele”, conta a mãe.

Segundo ela, os colegas de classe sabiam da extorsão, mas por medo de serem ameaçados também, mantiveram o caso em silêncio. A família só foi descobrir a violência psicológica que o garoto sofria na quarta-feira da semana passada, depois que uma vizinha conseguiu contar.

“Eu estava tentando descobrir o que estava acontecendo, só podia ser droga, é uma situação difícil. Ele entrava no banheiro e ficava lá trancado um tempão”, relata a mãe.

A amiga que trouxe a tona história da agressão para a mãe da vítima tem um filho da mesma idade que estava acompanhando tudo, mas tinha medo de falar. O agressor inclusive, já tinha pedido para que o vizinho fosse chamar a vítima em casa, para ele poder pegar o dinheiro.

“Quando ela contou, eu direto liguei para ele. E já pensei, quando é assim ele vai encontrar ele de novo”, relata a mãe.

Ao chegar em casa, ela perguntou se o menino não tinha nada para contar. Ele afirmou que não. A mãe, insistindo, disse que iria começar a falar e que ele terminaria. “Você tem visto o ‘fulano’? Ele disse que se você contasse para alguém ele te mataria? Ele está te ameaçando, você está dando dinheiro para ele não te bater?”

Foi dessa forma que o garoto começou a se soltar.

Dentro da escola – A história teve início dentro da sala de aula. Os dois estudavam na mesma classe até o ano passado. O mais velho forçava o menino a copiar tudo para ele. A situação seguiu até que a diretoria do colégio ficou sabendo.

“Alguém contou para a diretoria e a gente foi chamado. Meu filho apanhou quando descobriram, no ponto do ônibus. Ele só não bateu mais porque outros meninos não deixaram”, acrescenta a mãe.

Para continuar as ameaças, o agressor disse ao menino “para mim não te bater, você vai ter que me arrumar dinheiro”. A vítima respondeu que não tinha, e teve como resposta “rouba lá da sua casa”, conta a mãe.

O agressor chegava a ligar seis vezes por dia, sempre a cobrar e quando a vítima não tinha conseguido o dinheiro, ficava evitando as chamadas.

“Aí quando eu não tinha, eu não atendia, depois quando conseguia, eu retornava”, conta.

Segundo o menino, o garoto dizia “me arruma tanto, eu falava vou ver, vou ver e ele dizia não vai ver não, tem que ter certeza”.

Registro – A família procurou a Deaij (Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e Juventude) para fazer boletim de ocorrência. O caso foi registrado como extorsão. O garoto foi levado a marcar encontro no terminal de ônibus para fazer o pagamento. A equipe da Deaij esperou junto com a vítima pela chegada do agressor e flagrou a entrega do dinheiro.

Antes do encontro, o garoto gravou duas ligações em que conversava com o adolescente. Em um dos trechos ele diz: “você falou com um cara que eu vou aí pedir 2 real para você todo dia, mano. Um guri aí que me falou, eu vou te arrebentar”.

Ainda na mesma conversa, a vítima pergunta “e o negócio de sexta-feira?”, o autor responde “eu vou lá no terminal ou eu vou para o treino quinta, você vai?”. A vítima responde que vai sair com a mãe e pergunta quanto ele vai querer para sexta-feira. O agressor responde “mil” e depois diz que estava brincando, “estou zuando, ah sei lá, quanto você tem para me arrumar?”

O menino responde “quarentão” e o adolescente concorda.

A mãe da vítima conta que as entregas eram quase sempre na saída do treino de futebol do garoto. O adolescente esperava na frente do local e tem um amigo que passava informações de onde a vítima estava.

“Ele às vezes chegava fora de hora, depois das 7 horas da noite, sendo que saía da escola 17h30? Eu perguntava e ele não dizia nada, era o medo”, relata a mãe.

“Quando ele não tinha dinheiro, era o passe de ônibus que ele dava. Aí ele pedia dinheiro para os colegas, para a diretora, dizia que tinha esquecido o passe. Quando ele ficou com vergonha de pedir, dava um jeito de entrar pela porta de trás do ônibus”, detalha a mãe.

Familiares relembram que depois que a diretoria do colégio descobriu as tarefas copiadas, o garoto que não tinha problema nenhum de saúde, começou a ter muitas dores de cabeça e estômago. “Eu desconfio que ele já estava apanhando na cabeça e na barriga”, acrescenta a mãe.

A direção do colégio, depois de comunicada sobre o registro do boletim de ocorrência, começou a sondar os alunos. “vocês tem visto o fulano por aqui? Eu soube que esses dias ele pulou o muro da escola”, a resposta dos estudantes foi afirmativa e um deles ainda completou “ele vir aqui não é nada, pior é o que ele está fazendo com o colega”, admitiu um dos estudantes.

Com o sofrimento do filho, a angústia da mãe é visível aos olhos. O caso é contado com tristeza e um sentimento de culpa. “Por que ele não me contou da primeira vez? Teria evitado tudo isso. Eu fico me perguntando onde foi que eu errei”, desabafa a mãe.

“A gente atribuía o comportamento dele a indisciplina, não imaginava que ele estava fazendo algo forçado. Isso desencadeou uma pressão psicológica muito grande nele”, afirma a família.

A fragilidade e o receio com que o garoto conversa, revolta quem escuta os detalhes do crime. Ele conta sem querer relembrar, aos poucos e evita olhar nos olhos. Tocando violão, uma das coisas que mais gosta de fazer, fora jogar futebol, o menino conta “eu não tinha vontade de fazer nada mais”.

Ele diz que nunca fez nada contra o agressor e que quando começaram a estudar juntos, eram “amigos”. “Ele é maior que eu, vinha sempre com um amigo grande pegar o dinheiro. Era um diferente cada vez. Ele sempre dizia que se eu falasse ele ia me arrebentar, me matar”.

Para ter o dinheiro, o menino diz que esperava acordado até os pais dormirem e devagar entrava pé ante pé, no quarto, para pegar a quantia que tivesse no bolso da calça do pai.

“Muitas vezes eu acordava com ele dormindo no pé da minha cama, ele dizia que estava com medo de um filme”, comenta a mãe.

A espera pela tranqüilidade sai na voz da própria vítima “quero ver minha vida mudar, para o oposto do que estava acontecendo”, deseja.

O medo de que a extorsão não chegue ao fim deixa a família preocupada. Depois de ouvido, o autor foi entregue para a mãe e o caso encaminhado para a 2ª Vara Judicial.

“Eu tive vontade como mãe da vítima de avançar no menino dentro d

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