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Brasil

Maternidade de Campo Grande é denunciada por forçar parto normal

15 Mar 2010 - 17h12Por Campo Grande News

Após 18 horas de dor, em trabalho de parto sem atingir a dilatação necessária para o parto normal, uma mulher de 30 anos só conseguiu fazer cesariana na Maternidade Cândido Mariano, em Campo Grande, após o pagamento de R$ 3.300,00. O caso foi denunciado ao MPE (Ministério Público Estadual).



“Foi cruel o que aconteceu”, relata o tecnólogo ambiental, Maximiliano Schadler, de 33 anos, esposo da gestante. Temendo pela vida da mulher e do filho, ele providenciou cinco folhas de cheque e conseguiu pôr fim ao sofrimento.



“Tentaram forçar ao limite o parto normal. Eu sou leigo, mas não sei como a médica não conseguiu ver que não teria como fazer normal”, afirma.



A esposa de Maximiliano, Miriam Kelly dos Santos, de 30 anos, deu entrada na maternidade às 3h30 de quinta-feira, com contrações.



Ela estava na 42ª semana de gestação, mas como não tinha dilatação o médico que a atendeu mandou que voltasse para casa. Maximiliano conta que às 12h20 Miriam foi novamente levada ao hospital, com fortes dores.



Ele diz que esclareceu para a médica que a esposa é hipertensa, seu último parto foi complicado e apresentou laudo de uma psicóloga atestando que ela havia adquirido trauma do procedimento. “Só faltou me dizer que era frescura”, indigna-se o marido.



Miriam recebeu medicação para induzir o parto, mas ainda assim a dilatação não atingiu o mínimo necessário. Maximiliano foi obrigado a ficar fora da sala em que a esposa estava, mas ela conseguiu pegar um celular e ligar a cobrar para o esposo, pedindo que ele a tirasse de lá e dizendo que não aguentava mais. “Ela sussurrou: ‘amor, me tira daqui, senão eu vou morrer’”, conta.



A situação foi presenciada por um casal de amigos. O professor Thiago Artero, de 27 anos, conta que a equipe que atendia Miriam foi taxativa: ela só poderia fazer a cesariana se o procedimento fosse pago. A argumentação era que para ter cobertura do SUS (Sistema Único de Saúde), era necessário cumprir protocolo que eliminasse totalmente a possibilidade de parto normal.



Segundo Maximiliano, a informação inicial era de que a cesárea custava R$ 1.700,00, mas depois a médica disse que o valor estava incorreto e que era preciso pagar R$ 3.300,00. “Depois não aceitaram uma folha única de cheque e disseram que teria que ser um cheque para cada profissional”, conta o professor.



Após receber um cheque de R$ 2 mil, a médica pediu que Maximiliano assinasse um documento desistindo do procedimento do SUS. Já fora do período de plantão, a médica realizou a cesariana. E então, finalmente, Guilheme nasceu, pesando 4 quilos. Hoje, mãe e filho receberam alta.



Justiça - A situação foi denunciada à Promotoria de Justiça e Cidadania. Na terça-feira, Maximiliano vai à Defensoria Pública. A família ainda pretende acionar o CRM (Conselho Regional de Medicina).



“Queremos saber se a médica podia se negar a fazer a cesárea pelo SUS. Quero saber se o SUS não tem flexibilidade. Afinal, cada caso é um caso”, afirma Kelly Massuda, amiga da família.



De acordo com o diretor da Maternidade Cândido Mariano, Issam Moussa, é preciso que a denúncia seja formalizada. Para então ser ouvida a versão da médica. Dependendo das explicações, poderá ser aberta sindicância. A maternidade atende pelo SUS e rede particular.



Radical- Obstetra há 35 anos, o médico Valmir Nantes enfatiza que este caso específico só poderia ser analisado de posse do prontuário da paciente. Contudo, esclarece que de fato o SUS impõe um protocolo que regulamenta o parto normal.



Porém, cabe ao médico avaliar quais as chances do parto ser viável. Diante do alto índice de cesáreas registrado no Brasil, o Ministério da Saúde foi radical e estabeleceu cota para a cesárea. “Se o procedimento cirúrgico ultrapassar 35% do número total de nascimentos, nem o médico nem o hospital recebem”.



No caso de um trabalho de parto prolongado, a mulher começa a sofrer estafa e desidratação.

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