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Mais de 2000 mulheres marcham de Campinas a São Paulo

18 Mar 2010 - 14h24Por Fátima News com Assessoria
Marcha Mundial das Mulheres do MS também denuncia as formas de machismo que resistem em nossa sociedade

 


Com muitas cores, canções, irreverência e inteligência, mais de 2000 mulheres brasileiras percorreram uma trajetória de 100 quilômetros entre a cidade de Campinas e São Paulo, com o objetivo de denunciar ao Brasil as formas pelas quais as mulheres ainda sofrem preconceitos e têm seus direitos ignorados.
Aproximadamente 50 mulheres do Mato Grosso do Sul também estão participando dessa jornada, que é parte da 3ª Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres iniciada no último dia 8 de março e cujo encerramento se dá hoje, dia 18 de março.
As sul-matogrossenses estão tendo a oportunidade de conhecer mulheres de todo o Brasil e as formas que elas usam para driblar as dificuldades do dia-a-dia e conquistar o seu espaço na sociedade.
Além da troca de experiências e de apoio entre as mulheres, a Ação está sendo um espaço de formação, pois a programação diária prevê as caminhadas durante a manhã e, no período da tarde, acontecem palestras, debates, grupos de estudo e leitura. À noite, as mulheres estão mostrando um pouco de diversidade cultural do Brasil e as diferentes atividades feministas realizadas no país.
“Esse certamente é um evento histórico que mostra que lugar de mulher é nos espaços públicos, onde se constrói uma nova sociedade, mais justa, mais feliz. Essa marcha dá visibilidade a questões que são consideradas de foro íntimo – como a divisão do trabalho doméstico, a violência contra a mulher - mas que na verdade são construídas e mantidas por uma educação que delimita o que é o papel social da mulher e o que é ser mulher” , afirma a professora Gleice Jane Barbosa, uma das militantes da Marcha no Mato Grosso do Sul.
Superando limites pessoais, quebrando preconceitos sociais
Na caminhada, mulheres na terceira idade demonstram que a vitalidade e feminilidade não acabam com o fim da beleza padronizada na juventude. As mais novas mostram que a juventude brasileira não é apática e despolitizada como o senso comum supõe. As mulheres casadas testemunham a importância de os homens estarem dividindo igualmente os cuidados com os filhos e com a casa, o que as dá liberdade de passar 10 dias em militância pela causa de todas as mulheres.
Dessa forma, cada uma com a sua história de vida pessoal, contribui para quebrar esteriótipos e afirmar direitos e liberdades que as mulheres em coletividade ainda precisam conquistar. E quando todas essas trajetórias pessoais se cruzam para trilhar o mesmo caminho, essas mulheres e suas lutas cotidianas ganham força, ecoam e abrem avenidas por onde vão passar as próximas gerações de homens e mulheres.
“Isso é a Marcha Mundial das Mulheres: uma avenida que canaliza os passos dessas marchantes, unindo todas aquelas que caminhavam sozinhas por estradas semelhantes - cujo horizonte era da mesma cor da injustiça presente – e as põe a andar rumo a um futuro de igualdade entre homens e mulheres”, define outra militante feminista do Mato Grosso do Sul, a professora Lauriene Seraguza.
 
   
 
Matéria complementar:
Mulheres apontam onde reside o machismo
Para reunir 2000 mulheres de todos os cantos do país para uma caminhada de 100 quilômetros, é porque alguma coisa está incomodando estas e outras brasileiras.
Conforme as sulmatogrossenses que estão na marcha, o evento vem mostrar que o machismo existe e resiste em nossa sociedade, apesar das conquistas de direitos que as mulheres tiveram nos últimos anos.
“O que nós mulheres temos que perceber é que não somos vítimas só de uma piada machista ali, de um marido agressivo aqui ou de um colega de trabalho que nos trata mal acolá. Esses comportamentos não são casos isolados, que afetam uma mulher de cada vez, são as demonstrações mais explícitas de uma cultura que oprime e diminui as mulheres como coletivo e em vários aspectos”, defende uma das militantes da Marcha Mundial das Mulheres no Mato Grosso do Sul, a estudante Flávia Denes.
“Somos violentadas várias vezes ao longo de nossa vida porque estamos inseridas numa sociedade patriarcal, ou seja, uma sociedade que não valoriza o que a mulher faz, e ainda por cima não incentiva as mulheres a usarem todo seu potencial da forma que ela própria decidir. Muita coisa mudou nas últimas décadas, mas ainda somos educadas para sermos delicadas, sensíveis, boazinhas, bonitas dentro do padrão de estética que está na moda; invariavelmente temos que casar e ter filhos – ou se corre o risco de virar "a solteirona"; temos que trabalhar e cuidar dos filhos e cuidar da casa como se fazer jornada tripla fosse fácil ou fosse normal porque somos mulheres; enfim, são muitas situações em que as mulheres ainda precisam se esforçar mais do que os homens para talvez ter uma valorização tal qual a deles”, analisa outra integrante da Marcha, a jornalista Stella Zanchett.
O tema da caminhada da Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres é “Seguiremos em Marcha até que todas sejamos livres”. “Para que tenhamos liberdade de definitivamente sair dos bastidores da sociedade, que possamos ter liberdade de optar por abrir mão da função de delicadas e zelosas cuidadoras da família, dos filhos, da casa. Queremos liberdade e condições para assumir postos de tomada de decisão sobre os setores estratégicos para o Brasil e para a vida das mulheres brasileiras, como saúde, educação, agricultura e alimentação, entre outros”, defende a professora Gleice Jane Barbosa, que também compõe a MMM no Estado.
E, se por um lado as mulheres querem ter mais incentivo e condições para alcançar ainda mais postos de poder e decisão, também querem que a sociedade como um todo valorize o papel de cuidador, que muitas vezes é relegado à mulher e que, por isso, é tão desvalorizado no Brasil – basta analisar não só a condição de submissão a que muitas donas de casa são submetidas, mas também o trabalhador de setores como limpeza, de saúde, de educação – profissões e funções ligadas direta ou indiretamente à sensibilidade e delicadeza , considerados “coisa de mulher”.

BOX BOX BOX
Durante a caminhada de Campinas a São Paulo, as mulheres entoaram muitos cantos e palavras de ordem para animar a marcha e passar a mensagem do movimento. Conheça alguns:
“A nossa luta é todo dia, somos mulheres e não mercadoria. A nossa luta é por respeito, mulher não é só bunda e peito”
“João, João, cozinha o seu feijão. José, José, cozinha se quiser. Zeca, Zeca, lava sua cueca. Raimundo, Raimundo, limpa esse chão imundo”.
“Se cuida, se cuida, se cuida seu machista! A América Latina vai ser toda feminista!”
“Mulher sai do fogão, vem fazer a revolução!”

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