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Leia o artigo “UMA VIDA PELA PAZ” de Antonio Néres

13 Jul 2004 - 13h23

UMA VIDA PELA PAZ


*Antonio Néres

As relações são da natureza humana. Respondem às necessidades do homem, não só concretas, materiais, mas, principalmente, morais, brotadas de sentimentos, afetividade, ternura. O homem é um ser de convivência. Na vida em sociedade, a convivência forma cultura, cria e formula modelos políticos de organização expressos, sempre, na instituição de normas. São meios garantidores da vida em sociedade. A obra é de construção coletiva, necessária à subsistência social. O processo resulta na busca incessante da paz e da felicidade.

Uma perigosa linha divisória está entre a barbárie e a civilização, fronteira tênue que com freqüência é transposta. Esses sentimentos e valores vitimaram Sérgio Vieira de Mello, herói brasileiro, diplomata do mundo, humanista, arauto da solidariedade e da paz. O terrorismo o condenou por suas virtudes. Esmagado pelos escombros, ligou o celular, pediu água e disse: estou vivo. E está nas suas causas, da paz e da autodeterminação dos povos. Perdeu a vida, mas eternizou o exemplo. Poucos brasileiros foram tão importantes e reconhecidos quanto ele pelo mundo. É uma pena que só na morte sua grandeza fosse percebida. Invocar o bem como justificativa para o mal é desumano. Justificar o terrorismo como instrumento de combate às injustiças é selvagem, animalesco, bárbaro.

A morte de Sérgio Vieira Mello deu vida a sua obra, fez reconhecer a dimensão de sua solidariedade, tornou possível aquilatar o caráter sagrado de sua missão, o espírito de renúncia de sua opção de vida e a estrutura monumental de sua vocação de pacificador, além do destemor de sua entrega à causa. Viveu no perigo, no complexo, no demorado, na intolerância que não o desanimaram, era sua vocação.

Há justificativa para o ódio do terrorismo? Claro que não! Mas é bom pensar na irracionalidade de seus pretextos insanos. No caso do Iraque, foram 13 anos de bloqueio econômico, com miséria, fome, desabrigo, doença, desemprego, chagas que jamais foram sentidas pela família do tirano, protegida nos palácios, na riqueza, por milícias a soldo, pelo fanatismo, pela corrupção, pelo enriquecimento ilícito com o petróleo dos iraquianos. Foram e são penas que ferem a vida, a liberdade e o bem-estar de um povo que foi berço da civilização. Saddam e Bush estão vivos. Sérgio Vieira de Mello, o herói, está morto.

*O autor é radialista e jornalista.

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