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Leia o artigo "PULSAÇÃO DO BRASIL EM MUDANÇA" por Bruno Peron

10 Jan 2011 - 18h00Por

Gozamos profusamente da internet por ironia dos caminhos da tecnologia. Até
então aquela havia sido formulada, em torno de 1989, como recurso militar de
descentralização de informação estratégica nos EUA em tempos de guerra fria.

Acesso frequentemente notícias e opiniões de portais e blogs da Argentina,
Peru, Venezuela, México, Nicarágua, República Dominicana, entre tantos
outros países de onde chegam apenas rumores caso me informe pelos decadentes
meios convencionais.

Jornais locais mastigam parágrafos das principais agências de notícias
nacionais, Estado e Folha, que acreditam na prevalência da Economia ("O PIB
do país aumentou ou caiu tanto"; "o ministro da Fazenda disse que...") sobre
qualquer outro aspecto que o jornalismo tem o dever de relatar.

Não fosse a ferramenta da internet, seria difícil conhecer o outro lado,
visões alheias ou até mesmo o que passa entre nossos países vizinhos, uma
vez que o serviço de televisão por assinatura NET oferece nada mais que os
enlatados estadunidenses e alguns obsoletos canais europeus. É de péssima
qualidade. Para encobrir a falta, vêm com esse papo de "Digital", "HD",
"Full HD"...

Não é possível que esta empresa monopólica de televisão por assinatura no
Brasil não transmita um único canal da Venezuela ou da Colômbia ou da
Argentina ou do Chile. No lugar, programas estadunidenses intercalados com
carga elevada - e extenuante - de publicidade.

Algo parecido acontece com a rádio tupinica, visto que a maioria das
estações de FM reveza de cinco a dez canções diariamente junto com a
divulgação insuportável de empresas e serviços. Outra máfia. O governo
sempre dificulta a transmissão das rádios comunitárias. É mais fácil gravar
um disco compacto (vulgo "CD") com vinte canções ou então em MP3 com mais de
cem e tocar.

Esse processo de sectarismo tende a desmoronar-se quando cai a máscara do
ídolo EUA. O vazamento das conversas diplomáticas deste país por Wikileaks
alcança, desta vez, os mais crédulos no sistema gringo. A menos que sejam
tão crentes a ponto de beirar a imbecilidade. EUA zomba-se de e interfere no
mundo todo a fim de vender suas mercadorias. Sem novidades.

O Brasil será, para uns, o "coração do mundo"; para outros idealistas, "país
do futuro". Para mim, é um país sangrado até o limite porque se acomodou com
um povo esperto, malandro e que culpa os outros da própria desgraça. O que
será? Não sei. Tomara que estejam certos os idealistas. Para isso, é preciso
renovar a tripulação começando pela extinção dos lobistas de governo.

A indústria madeireira de eucaliptos na rodovia estadual (e cedida ao lucro
pelo corrupto sistema de concessões, onde o governo tira o corpo dos gastos
sem reduzir impostos) entre Anhembi e Botucatu, interior paulista, atesta a
minha versão. O "deserto verde" logo se converte em voçorocas ou terras
inférteis e a exaustão dos recursos da terra.

O país é o maior exportador mundial de carne bovina. A aprovação precipitada
pelo Congresso Nacional de nova lei ambiental que descriminaliza a derrubada
de árvores no Norte do país para a pecuária é um sinal verde para o crime.
Ser parlamentar no Brasil é um grande negócio. Eles mesmos presentearam-se
com 60% de aumento de salário.

A política é uma tarefa árdua, mas não é profissão. Deputados e senadores
deveriam ganhar o mínimo possível para sobrevivência. A função jamais
deveria ser confundida com carreira, mas um dever cívico ou uma forma
alternada de cidadãos tupinicas discutirem e legislarem sobre o Brasil.

Falta competência para propor um Brasil para os tupinicas e não um Brasil
que exporta a maior parte das riquezas naturais e nos deixa preços elevados
de álcool combustível e alimentos básicos, como carne e queijo. O país
sofreu, nos últimos meses, aumento ostensivo dos preços destes produtos. Há
segmentos sérios e comprometidos com a humanidade, porém.

A diplomacia tupinica uniu-se à da maioria dos países sul-americanos para
apoiar a criação do Estado palestino. Os israelenses expandem-se e oprimem o
povo árabe do Oriente Médio, que pede ajuda internacional. O impasse entre
árabes e judeus encontra nova brecha para a paz.

É preciso que o Brasil migre de uma paz insólita à paz real, ou seja, que
seu povo reconheça quanto é explorado e conivente a fim de destituir os
corsários e defender suas riquezas.

Sem este precedente, não há moral para meter-nos no conflito milenar e
irresoluto do Oriente Médio e quem sabe comecemos a pulsar como "coração do
mundo".

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