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Leia o artigo “O Colírio da Graça. A cura do cego que há em nós”

7 Dez 2009 - 18h10Por

O Colírio da Graça. A cura do cego que há em nós.

 

* Pr. Ze do Egito

 

Depois, foram para Jericó. E, saindo ele de Jericó com seus discípulos e uma grande multidão, Bartimeu, o cego, filho de Timeu, estava assentado junto do caminho, mendigando. E, ouvindo que era Jesus de Nazaré, começou a clamar, e a dizer: Jesus, filho de Davi, tem misericórdia de mim. E muitos o repreendiam, para que se calasse; mas ele clamava cada vez mais: Filho de Davi! tem misericórdia de mim. E Jesus, parando, disse que o chamassem; e chamaram o cego, dizendo-lhe: Tem bom ânimo; levanta-te, que ele te chama. E ele, lançando de si a sua capa, levantou-se, e foi ter com Jesus. E Jesus, falando, disse-lhe: Que queres que te faça? E o cego lhe disse: Mestre, que eu tenha vista. E Jesus lhe disse: Vai, a tua fé te salvou. E logo viu, e seguiu a Jesus pelo caminho. (Mc 10.46,52)

 


Dia desses, indo para o templo, veio-me ao coração o texto acima citado. Já o havia lido e pregado várias vezes em minha comunidade e outros lugares. Porém naquela tarde, passei a ver no texto, Bartimeu não como deficiente visual, mas sim como alguém que sofria de uma cegueira espiritual, alguém que estava assentado não à beira de um caminho geográfico, mas a margem do relacionamento com Deus é o próximo, preso a uma religiosidade. Bartimeu estava assentado em um banco de uma igreja, possuía olhos, mas não via.

 


Dentro dessa perspectiva, o Espírito Santo conduziu-me a inverter as principais falas do diálogo entre Jesus e o cego.

 


Bartimeu despojando-se de sua inércia espiritual, tocado pela graça levantou-se, dirigiu-se ao altar. Caindo de joelhos aos pés do Senhor, perguntou-lhe Jesus: - Que queres que eu faça?

 


E Jesus respondeu no intimo de Bartimeu, numa locução interior: - Bartimeu, que você veja.

 


Em nossas orações via – de – regra, falamos para Deus o que queremos que ele nos faça, raramente perguntamos a ele, o que Ele quer que façamos. Sobretudo nestes tempos em que se ora mais como senhores do que servos, onde se prevalece mais a determinação do que a súplica. O desejo de se servir do que ser servo. De ter do que ser, de ser visto do que ver.

 


Diante da resposta de Jesus: “que você veja”, passei a imaginar, o que Jesus desejaria que fosse visto, por Bartimeu, um religioso, cego espiritual e que simboliza a muitos de nós cristãos, podendo até mesmo ser chamado de “Bartieu”, “Bartitu”, “Bartinós”. Conclui que, pessoas que vivenciaram um real encontro com Jesus, sendo curados de suas cegueiras espirituais, certamente passariam a ver, como, aquilo e aqueles que Jesus via. Sobretudo pessoas.

 


Tais pessoas passariam, a muito mais que ver, elas passariam a enxergar, pois existem diferenças entre uma ação e outra. Assim como disse, o filosofo alemão, Johann Wolfgang Goethe (1749 -1832): “O mero olhar as coisas a nada conduz. Todo o olhar se transforma em considerar, em meditar”. Jesus não só olhava, Ele meditava, assim como o fez e nos chama a fazermos sobre as aves e lírios dos campos. Jesus cativava as pessoas pelo fato de penetrá-las com seu olhar, que não encontrava barreira no pecado.

 


Jesus, não simplesmente via as pessoas, ele as enxergava, pois ver é parar na superfície, na aparência, enxergar é penetrar a alma e sondar o coração. Enxergar leva a reparar no outro, importando-se com ele, pois é muito mais que ver, é perscrutar com os olhos da alma. Assim como escreve José Saramago em seu Ensaio sobre a cegueira: "Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara." Muitos possuem a capacidade de ver pelos olhos, mas poucos enxergam com o coração. Uma pessoa curada por Jesus, inevitavelmente passará a enxergar com o coração, por isso exercerá compaixão e misericórdia. As esposas quando vestem um vestido ou fazem um penteado novo, esperam que seus maridos, muito mais que ver as novidades, repararem e as elogiem.

Jesus desejaria que Bartimeu olhasse curadamente a aqueles que muitos viam, mas não enxergavam. Assim como Ele enxergou a Zaqueu, que desejava vê-lo e ser visto por Ele, a ponto de subir em uma árvore. Ele desejaria que Bartimeu enxergasse as mulheres tais como a samaritana no poço de Jacó, que vinha de relacionamentos frustrados e que tinha sede não só de amor verdadeiro, mas da água da vida. Jesus esperava que o olhar de Bartimeu sobre elas, fosse um olhar de amor e acolhida e não de malicia e volúpia, vendo nelas somente um meio de extravaso sexual. Ele desejaria que Bartimeu olhasse para os leprosos, que causavam repugnância tal, a ponto de fazer virar a face quem os encontrava pelo caminho, principalmente os religiosos que os consideravam malditos.

Como “Bartinós”, Ele desejaria que olhássemos para dentro de nós mesmos, e não para o pecado dos outros, e assim largássemos as pedras, deixando de condenar as “Madalenas” modernas, acolhendo às com misericórdia, demonstrando-lhes amor, acolhendo-as em comunidade, possibilitando assim a libertação do pecado. Como “Bartinós” ele deseja que olhemos com olhares despidos de homofobia, amando e acolhendo em nossas igrejas, os homossexuais que lutam contra sua homossexualidade, assim como o heterossexual luta contra a tentação da fornicação ou da infidelidade conjugal.

Ele almeja que olhemos para os ricos materialmente, mas miseráveis espiritualmente, assim como ele olhou e amou ao jovem rico, mas desprezou sua riqueza. Num tempo em que se prega a riqueza e se tem como maldito quem vive na pobreza, tal olhar devastaria muitos reinos universais de homens e edificaria o Reino de Deus.
Ele desejaria que olhássemos compadecidamente para o povo faminto de pão e da Palavra, que ainda hoje possuem sobre si, “apóstolos”, “bispos”, “tele-evangelistas”, mas continuam como ovelhas sem pastor.

Penso que, uma Igreja que comprou de Deus, a preço de renuncia, colírio para ungir seus olhos, para que realmente veja o que Deus deseja que seja visto por ela, passaria a ver tanto os marginalizados, que não têm visibilidade nem vocalidade social, como os abastados de bens materiais, mas vazios de valores espirituais, que possuem tudo, menos paz.

Numa Igreja curada de sua cegueira espiritual, os levitas e sacerdotes, certamente enxergariam os caídos à beira do caminho e parariam para socorrê-los. Assim fariam entendendo que, a pessoa humana tem muito mais valor diante de Deus, do que qualquer sacrifício ou louvor apresentado diante do altar, pois Aquele a quem ministram o louvor e oferta-se a oblação, disse em Oséias 6:6 “Misericórdia quero, e não sacrifício”. Ele disse ainda que, “obedecer é melhor do que sacrificar (Sm 15.22). Nesse sentido entendo que diante de certos casos, o maior culto a Deus prestado é: enxergar, se compadecer, parar e ajudar. Isto sim são louvor aceitável e sacrifício puro sobre o altar, não do templo mas da vida cristã autêntica.

Cônjuges com olhos curados espiritualmente, passariam a se enxergarem e se amarem mutuamente. Pais e filhos com as vistas restauradas espiritualmente, passariam a se enxergarem e se relacionarem em compreensão, dialogo e perdão. Numa sociedade impactada pelo Evangelho, e cujo olhar foi curado pela graça de Deus, não haveria espaço para o preconceito, o racismo, a corrupção, a miséria e tantas outras mazelas sociais frutos da miopia e cegueira espiritual de um país que apesar de majoritariamente cristão poucos têm a visão de Cristo.

 


Contudo, para que tenhamos nossos olhos curados por Deus e possamos ver, as pessoas, as coisas e o mundo como Jesus via, precisamos que Deus cure nossos corações. Para tanto, assim como Bartimeu, necessário se faz que reconheçamos nossa cegueira e num encontro com a Graça no caminho, insistentemente clamemos: Filho de Davi tenha misericórdia de mim! Que ao clamarmos assim, Deus aplique em nossos olhos o colírio da Graça, único remédio capaz de curar da cegueira espiritual e física.

 

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