Menu
FARMÁCIA_CENTROFARMA_FULL
quinta, 13 de maio de 2021
Busca
Brasil

Leia o artigo "CREDIBILIDADE E MULTILATERALISMO" por Bruno Peron

18 Out 2010 - 11h02Por Bruno Peron

A influência de países pujantes nas decisões de peso mundial inviabiliza a crença no multilateralismo ou a participação dos que possuem níveis de desenvolvimento menores. A Organização das Nações Unidas (ONU), que é o foro de debates mais prestigioso no mundo, tem sofrido reveses que questionam a sua credibilidade como instituição independente.

Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU e na ocasião de abertura do 65º período de sessões de sua Assembleia Geral em Nova York, exortou os 192 Estados-membros a que acabassem com a pobreza, eliminassem as armas nucleares e promovessem a igualdade de gênero mediante "coesão" e "pragmatismo" em suas políticas.

Os debates estenderam-se de 23 a 30 de setembro de 2010. O sul-coreano Ban Ki-moon criticou ainda a polarização internacional e a incerteza que se devem aos conflitos e desigualdades e afirmou que o organismo é "indispensável" frente aos problemas atuais.

Nunca foi intenção da ONU a criação de um governo global senão um foro multilateral de Estados independentes e soberanos. Por esta razão, Joseph Deiss, presidente da Assembleia Geral, sugeriu a formação de "uma verdadeira associação mundial" com estratégias comuns e globais.

Destarte, a ONU tenta contrabalançar espaços de poder que até então eram detidos por potências mundiais. A maioria delas impõe-se mediante a vitória nas guerras e a inserção privilegiada no circuito econômico internacional. A ONU negou autorização para as invasões de Estados Unidos ao Afeganistão (2001) e Iraque (2003), mas a decisão do organismo multilateral não as evitou. Nem por isso os Estados Unidos foram sancionados ou julgados nalgum tribunal internacional.

Representantes diplomáticos de países da América Latina advogam o multilateralismo e a resistência aos interesses das potências através do argumento de que o mundo de 1945, ano de criação da ONU, não é o mesmo de 2010. Nota-se que a instituição emergiu nos anos 1940 ou quando saíram os vitoriosos da Segunda Guerra Mundial, parte dos quais compõe curiosamente seu Conselho Permanente de Segurança e os maiores exportadores de armas.

A credibilidade da ONU descendeu tanto que não compareceram na abertura das sessões deste ano os presidentes de Brasil, Cuba, Equador, México, Nicarágua e Venezuela. Celso Amorim, chanceler brasileiro, e Ricardo Patiño, contraparte equatoriana, estão entre os que sustentam que a ONU não representa mais os interesses da América Latina.

O presidente EUAno e títere Barack Obama resulta num ludibriador de esperanças, figura de continuidade patética das práticas assassinas de Bush filho, governo republicano que o precedeu. Seu apelo à derrocada do Irã, a despeito de qualquer violação aos direitos humanos que ocorra neste país, é ineficaz e vão. Não é preciso muito esforço para enxergar que os piores exemplos em direitos humanos partem de um país com cinquenta estrelas brancas na bandeira.

A ONU sofre de problema de legitimidade diante de sua incapacidade de conter o unilateralismo estadunidense - ou a falta de disposição de ser contrariado - e de isolamento devido ao reforço de outros blocos multilaterais. Os países mais poderosos começam a desesperar-se pela transparência de suas falcatruas e as inconsistências da economia de mercado, que têm enchido de convicção os que acreditam na iminência do fim do mundo.

O conflito incessante entre Israel e Palestina, a resposta necessária do programa nuclear iraniano, os dados alarmantes da fome e a mudança climática convocam a humanidade a rever seus planos de sobrevivência. Ban Ki-moon alertou que problemas mundiais arriscam o futuro dos mais vulneráveis, o que soa evidente.

A cidade de Cancun, México, sediará um encontro em novembro de 2010 em busca de um pacto alternativo internacional de redução das emissões de gases contaminantes.

A Alternativa Bolivariana para as Américas (ALBA) e a União das Nações Sul-Americanas (UNASUL) são algumas instâncias que têm dado maior autonomia na inserção internacional dos países latino-americanos devido à inércia da ONU de frear o apetite de potências mundiais.

Apesar dos contratempos, a ONU continua desempenhando um papel importante como foro de diálogo internacional. Seus maiores promotores, contudo, desesperam-se frente à perda de credibilidade da instituição e a insistência unilateral dos Estados Unidos, desta vez sob comando de um boneco democrata. Algo parecido passa com a Organização de Estados Americanos (OEA), que aprovou o golpe militar em Honduras e abalou a democracia neste país.

Líderes latino-americanos preocupados com o bem comum apreciam limiares de novos tempos em que se condena a ordem vigente e se atribui maior poder às classes populares e aos países periféricos. O foro Índia - Brasil - África do Sul (IBAS) corrobora esta tendência de discutir temas globais a partir de países subalternos no sistema exausto de trocas de mercadorias.

A reforma do Conselho Segurança da ONU, do qual França, Reino Unido, Rússia, China e Estados Unidos são membros permanentes, é inadiável a fim de democratizar a cúpula dos que determinam o destino do planeta e recuperar gradualmente a credibilidade desta instituição. Uma das propostas sugere o acréscimo de cinco países que incluiriam Ásia, África e América Latina.

A ONU recobra o seu papel no multilateralismo.

 

*Mestre em Estudos Latino-americanos pela Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM).

Deixe seu Comentário

Leia Também

SONHO INTERROMPIDO
Agente educacional morta em ataque a creche em Saudades queria fazer intercâmbio no Canadá
PESQUISA PRESIDENCIAL
Datafolha mostra Lula disparado na corrida eleitoral
NOVA INFECÇÃO
Covid-19: após 3 semanas de queda, casos de coronavírus avançam no Brasil puxados por 9 Estados
TRISTEZA NA FAMILIA
Seis pessoas da mesma familia morrem vítimas da Covid-19
NOVAS REGRAS
WhatsApp: o que acontece se você não aceitar novas regras do aplicativo até 15 de maio
FAMOSIDADES
Pai da campeã do 'BBB 21' Juliette vive em casinha de barro na Paraíba
CACHAÇA
Jovem enfia garrafa no ânus durante bebedeira e vai parar no hospital
ESCALADA DA VIOLÊNCIA
Operação mais letal da história deixa 25 mortos no Jacarezinho
VITIMA DO MASSACRE
'Fiquei vendo costurarem os ferimentos. Chorava, orava e agradecia por ele estar vivo, diz mãe
FRIO - FÁTIMA DO SUL NOVA ONDA DE FRIO
Frio de origem polar começa a ser sentido novamente e terá geada