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Leia o artigo “A Fome e o Fim do Mundo”, por Bruno Peron Loureiro

2 Dez 2009 - 11h12Por Bruno Peron Loureiro

A FOME E O FIM DO MUNDO

 

Bruno Peron Loureiro

 

 

 

Triunfa a capacidade destrutiva do ser humano. Há os que dizem, ao contrário das tentativas que se dedicam a bendizer-nos, que o aniquilamento sempre foi uma característica intrínseca desta espécie. Desinteressados na resolução de problemas precípuos, acabamos sendo espectadores de uma arena de luta cultural e técnica sem precedentes, ao mesmo tempo em que a maior expressão de agonia resume-se em teses apocalípticas do fim do mundo em 2012.

Antes de que a humanidade supra suas carências básicas e reformule a relação com a natureza, alguns prognosticam que finalmente os grãos serão selecionados a fim de equilibrar a nossa senda evolutiva. Ainda que eu tenha ressalvas diante deste argumento, acredito que as tochas que renitem acesas nas nossas mãos devem iluminar atitudes e esforços para que os países dialoguem em irmandade e desapareçam situações nefastas, como a fome.

Para tratar de uma das mazelas, o combate à crise alimentar e a luta contra a fome foram os objetivos temáticos da Cúpula Mundial de Segurança Alimentar, que se realizou em Roma entre 16 e 18 de novembro e foi promovida pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO, da sigla em inglês).

Em foros anteriores, o prazo para erradicar a fome mundial havia sido estipulado para 2025. Estas reuniões tomam em conta que os preços dos alimentos nos países em desenvolvimento são elevados, aumenta o número de famintos no mundo e a questão afeta um de cada seis seres humanos, o que não é uma quantidade desprezível. Nesta ocasião, não se reiterou uma data limite para acabar com a fome mundial nem se firmou um acordo para que os países mais desenvolvidos destinassem novos recursos para incentivar a agricultura.

O alerta de que a população mundial cresceria mais rapidamente que a provisão de alimentos não é recente, porém este problema aliado ao desmatamento, a mudança climática e o depósito de lixo geram um cenário apocalíptico. Demandam-se maiores investimentos agrícolas nas regiões em que residem os pobres e famintos, principalmente América Latina, África e Ásia, enquanto o protecionismo dos países mais ricos é prejudicial às economias menos desenvolvidas. Vale recordar que a agricultura é fonte de renda para 70% dos pobres no mundo.

Na Cúpula de Roma, propôs-se a necessidade de uma “governança mundial” para regular as questões alimentares, uma vez que a balança tem pesado mais de um lado a partir dos esforços concentrados nalguns países. Segundo a organização não-governamental Action Aid International, Brasil, China e Índia tiveram o melhor desempenho na redução da fome. Nesta avaliação, releva-se a poluição atmosférica na China e a contaminação de água e esgoto na Índia.

A crença no fim do mundo transforma-se em convicção, mas talvez não tão precoce quanto as previsões para 2012. Triste é aceitar que os cálculos científicos apontam nessa direção apesar da descrença de alguns. Somente no quesito alimentação, um bilhão de seres humanos sobrevivem com fome ou não resistem. Regiões inteiras do planeta são esquecidas pelo progresso material de outrem. Para um final apocalíptico, tem que juntar fatores. Já os acumulamos de sobra.

 

 

Bruno Peron Loureiro é analista de América Latina e Relações Internacionais.

 

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