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Leia artigo “Trivialidade em Dúvida”, por Bruno Peron

16 Mai 2011 - 17h30Por Bruno Peron

Trivialidade em Dúvida

Bruno Peron

 

Meu ponto de partida não será discorrer sobre um único tema no estilo exaustivo ou, ao contrário, tangenciá-lo tão superficialmente que iniba o mínimo de reflexão.

Farei uma breve revisão em posicionamentos que se sintetizam no "sempre foi assim", "vai assim mesmo", "não é agora que vai mudar" ou "está na cultura do povo".

Mudanças culturais na organização da sociedade demandam disposições e estratégias, mas afortunadamente transcendem a ficção e o romantismo literário.

Há os que dicotomizam a nossa interação com o mundo afirmando que ou se joga dentro do "sistema", tira-se proveito e se omite diante dos erros de outrem, ou se exclui dele.

Não hesito em entender por que minha opção é quase sempre pela exclusão.

Por que o nível elevado de delinquência no Brasil caiu na trivialidade enquanto a chacina de doze estudantes jovens numa escola do Rio de Janeiro causou um alvoroço nacional como se a violência começasse ali e algo tivesse que ser feito por causa daquele evento? Congressistas propuseram a discussão imediata de leis absurdas para coibir a violência nas escolas no tempo em que civis argumentaram com hipóteses escabrosas.

A residência do atirador e suicida da escola municipal do Realengo, sem dúvida um covarde e emocionalmente perturbado, foi alvo de pichação e destruição por pretensos justiceiros que ignoraram que o rapaz já estava morto e o prejuízo seria dos familiares.

A violência alcançou tal ponto de banalização que os bandidos buscam métodos sensacionalistas e sofisticados de extração do que não é deles, como o roubo sistemático de caixas eletrônicos, muitas vezes antecedido de explosão, ou de carros fortes.

A dignidade do trabalho cedeu lugar ao tempo que dedicam para planejar a ação criminosa com a participação de um número grande de delinquentes, que tramam para o mal.

Está clara a mensagem de que o "sistema" tem vértices obscuros, ou seja, há os que tiram proveito, ao passo que outros se prejudicam porque tentam agir corretamente.

Nenhuma sociedade de ganhadores e perdedores se sustenta por muito tempo sem a revisão do que seria justo para a coletividade.

A sociedade tupinica, que é pouco organizada para canalizar demandas sociais dentro do regime de governo ocidental pouco compreendido mas dogmático que se chama "democracia", justifica seu funcionamento dentro de uma trivialidade injusta.

Movimentos sociais abandonam seus ideais transformadores da cultura e construtivos de uma nação digna para atrincheirar-se no "sistema" e mamar nas tetas governamentais, mas os que assim o fazem mostram o cerne de sua covardia e intemperança.

A visita recente da mandatária Dilma Rousseff à "parceira" comercial China, que superou os Estados Unidos em vultos financeiros com o Brasil, demonstra a inclinação tupinica a um país oriental cuja orientação econômica peculiar oferece argumentos aos críticos do capitalismo, uma vez que seu modelo industrial tem quebrado empresas ocidentais de porte pequeno e médio e fragilizado os trabalhadores.

Indústrias chinesas pagam mal a seus operários e exploram-nos, contaminam pesadamente a atmosfera, fabricam produtos similares de qualidade baixa para competir, e adulteram o leite com a tóxica melamina para que aparente grau satisfatório de proteína.

Nossos hábitos alimentares alteram-se radicalmente quando descobrimos quais são os ingredientes da maioria das mercadorias industrializadas que concorrem no mercado.

A "fiscalização" da observância da lei resulta num artifício para dar emprego a um grupo de burócratas acomodados e corruptos, por exemplo os funcionários da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (ARTESP), que permitem que os cidadãos pobres do estado não tenham condições de viajar de ônibus intermunicipais pelo valor abusivo das tarifas.

O mito do "desenvolvimento sustentável", por estas e outras razões, faz pouco mais que sustentar o bolso de alguns empreendedores podres de rico, que fazem lóbi nos governos, e riem-se da passividade da nossa gente.

Não é um exercício difícil reconhecer a impertinência da "sustentabilidade" em vários empreendimentos ou em iniciativas que se esmeram para encontrar algo de "sustentável" em seus negócios.

Tal é o oportunismo da abolição de sacolas plásticas nos supermercados sem debate prévio na sociedade tupinica, que moverá a indústria das "retornáveis" e desafogará a petroleira, já que o polietileno e a gasolina são dois derivados do "ouro negro". A exigência governamental, em tese, é louvável e alivia um pouco o meio ambiente, mas não se efetivou acima do interesse de redução de custos que move este segmento comercial.

A asquerosa e danosa Cubatão e seu complexo industrial do setor químico sinaliza quem manda neste país e quais são os limites da "sustentabilidade".

Alguns fenômenos repetem-se tão fielmente noutros países que nos fazem concluir que os problemas são os mesmos em qualquer lugar.

Duvide do trivial quando não lhe soa convincente.

Não seja mais um omisso zé-ninguém do "sistema".

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