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Leia a crônica “À palma da mão de Deus”, por Petrônio Souza

2 Dez 2009 - 18h10Por Petrônio Souza Gonçalves

Cecília Meirelles, entre tantos momentos de genial divindade, revelou-nos que “já não tem mais lugar quem mora em tudo”. Sei que moro em mim e dentro dos amigos. Habito abismos, estou onde sempre estive e onde nunca estarei. Estou na curva do destino, à beira do caminho. Como jardineiro da eternidade, sigo catando cacos espalhados, estilhaços encontrados aqui e ali, procurando amigos que um dia acreditei perdidos, esquecidos mundo afora... Agora, estou a revê-los, reencontrá-los em minha casa que tem várias moradas...

 

Meu Deus, como tudo é significativo, representativo... Neste momento, enquanto me decanto em sílabas, ouço o cd que a bela e perdida amiga me destinou do interior de Minas. Faz uma memória caduca dentro de mim, um instante insano, um momento pleno de luz e tantas coisas que não somos mais capazes de perceber, que não ousamos compreender... Sonhar é preciso, e acreditar é necessário. Afinal, o que o tempo nos deu além de momentos? “Não os percamos agora...”.

 

De fora, do mundo paralelo e real, o vento sopra à minha janela, querendo seqüestrar-me o instante. E eu só ‘canto porque o instante existe’. ‘Sou alegre, sou triste, sou poeta’. Poeta da palavra viva, da voz que dobra e faz da esquina a curva da lua, da rua que acende em nós a noite e nos faz sonhar o impossível, o imprescindível, o imponderável.

 

Hoje, quero só viver o impossível, colher manhãs madrugadas adentro, fazer minha casa dentro da sombra do tempo, me entregar ao momento...

 

É difícil viver assim? Não, é fácil, muito fácil, basta apenas se alimentar de infinito, fisgar o arco-íris no anzol das horas. Fazer com que o tempo não tenha demora, tenha apenas um minuto para viver e se entregar, se encontrar nos vários que em nós habita e o coração agita.

 

Se você não acredita, nada posso fazer... Te dou apenas este depoimento ancorado em palavras, minha verdade colhida sobre os muros cobertos pelas eras nas camadas hereditárias da atmosfera. Se você jogar a mascara fora, deixar a dúvida, o medo e o engano irem-se embora, libertar o pensamento aprisionado na palma da sua mão, talvez entenderá este mundo aqui traduzido, este universo submerso em tantos sois e seus infinitos girassóis...

 

Eu, no entanto, vou um mundo novo desvendar, uma nova esquina encontrar, em um novo barco singrar a aurora em direção aos caminhos secretos dos grandes mistérios de Deus, me exilar pela terra etérea, ser cada vez mais os pedaços que tanto em tudo estou.

 

Onde, não sei... Sei apenas que vou, que tenho a nítida, clara e confortante certeza de que também sou parte dele, do todo. Com a bênção de Deus!

 

 

 

Petrônio Souza Gonçalves é jornalista e escritor

http://petroniosouzagoncalves.blogspot.com

 

 

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