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Leia a coluna “Cara feia prá mim é fome!”, A.J. Rettenmaier

11 Fev 2010 - 18h00Por A.J. Rettenmaier

“Cara feia prá mim é fome!”

 

 

 

E como tem gente de cara feia, em casa, escritórios, ruas, em qualquer lugar que se vá. Alguns dizem que é porque são mal amados, mas a coisa mais comum de se ouvir numa situação dessas, é que a pessoa dormiu com a bunda destapada ou na casinha do cachorro, ou seja, no sofá. Ou então porque alguém resolveu não aceitar sua opinião, colocou em cheque algumas coisas em que você sempre acreditou como certas, mas que agora já não parecem mais assim e você não quer aceitar. A melhor solução? Ora... Fazer beicinho, se afastar de todos, desprezando amigos novos ou velhos, não importa. Quem mandou lhe desafiarem? Opinião certa sempre foi, é e será a sua!

 

Hei! Acorde aí!

 

Imaginem vocês em casa discutindo com a mulher sobre quem vai ver e o quê na TV. Você quer futebol e ela o Gugu. Você argumenta que ela pode ver depois do futebol, o Faustão de que ela também tanto gosta. Mas ela quer agora o Gugu! Você argumenta que ela sempre dorme no sofá na frente da TV e ela diz que por causa do futebol você não vai a padaria buscar o pão do café da tarde. E a TV lá, desligada. E os dois discutindo... Enquanto isso em algum parque da cidade, dois velhinhos passeiam de mãos dadas lembrando os bons tempos vividos, enquanto dois namorados deitados na grama traçam planos e imaginam como serão suas vidas daqui a cincoenta anos.

 

E eles lá, brigando por causa da televisão!

 

Vão terminar o domingo, de caras emburradas, a televisão desligada e cada um dormindo virado para seu canto na cama.

 

E a semana é claro que só pode começar mal. Uma segunda feira com caras feias, de noite mal dormida, sem bom dia, sem um beijo, sem carinho, sem amor, sem futebol, sem Gugu, sem Faustão, sem nada!

 

Você acha que isso é dose?

 

Não... É overdose!

 

Isto tudo faz lembrar o velho torcedor que vestiu a camisa do Palmeiras, pegou sua bandeira, radinho de pilha e saía para o Palestra ver seu time contra o Curintia. Quando passou no corredor da casa, pela porta entre aberta do banheiro viu sua velha companheira de tantos anos saindo do chuveiro. Queimou pneu na freada! Jogou a bandeira no chão, largou o radinho de lado, atirou a camiseta no chão e gritou!

 

“Que futebor que nada! E vivaaa o Parmeeeeraaaaaaaaa!!!!”

 

Na segunda feira cedo lá estava ele na praça mais serelepe do que nunca para jogar damas com a turma! Nem o reumatismo o incomodava mais!

 

Ah! O Parmera perdeu!

 

E daí?

 

Esta coluna está em mais de setenta jornais impressos e eletrônicos no Brasil e Exterior.

 

Antonio Jorge Rettenmaier é membro da AGEI, Associação Gaúcha dos Escritores Independentes.

 

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