Menu
FARMÁCIA_CENTROFARMA_FULL
quarta, 23 de junho de 2021
Busca
Brasil

Juiz Odilon continua vivendo sob cárcere privado para se proteger

11 Dez 2009 - 08h10Por Waldemar Gonçalves - Russo

A trajetória do juiz federal Odilon de Oliveira, de 56 anos, um dos magistrados mais temidos pelo submundo do crime, seja no contrabando, lavagem de dinheiro e crimes contra a união e principalmente no combate ao narcotráfico está sendo divulgada no mundo inteiro via internet, inclusive com direito a fotos dele em situação delicada, já que vive sob constante proteção que é feita por agentes federais brasileiros.

Em uma das fotos, o juiz que é natural do estado de Pernambuco, mostra que após uma jornada de trabalho, ele tem de estender um colchonete no piso frio de sua sala para dormir e para se cobrir ele faz o uso de um edredom.

Odilon de Oliveira é mantido sob uma espécie de “cárcere privado” já que é mantido sob um forte esquema de vigilância, que é feita por no mínimo sete agentes federais fortemente armados.

Odilon de Oliveira começou a ganhar notoriedade quando atuou como juiz federal em Ponta Porã.

Jurado de morte pelo crime organizado, em especial os grupos ligados ao narcotráfico que atuam na fronteira de Mato Grosso do Sul, no Brasil, com Cápitan Bado, Ype-hú e Pedro Juan Caballero, no território paraguaio, Odilon de Oliveira atualmente vem residindo em Campo Grande e somente sai do Poder Judiciário quando está sob forte escolta.

CONDENAÇÕES

Em um ano, Odilon de Oliveira condenou 114 pessoas ligadas aos narcotraficantes, com penas que somadas, chegam a 919 anos e seis meses de cadeia.

O juiz federal além das condenações determinou o confisco dos bens dos acusados e desde então ele perdeu a liberdade. “A única diferença é que tenho a chave da minha prisão”, limitou-se a dizer o magistrado.

Por outro lado, segundo consta, os narcotraficantes brasileiros que estão em franca atividade no território paraguaio estariam dispostos a pagar até 300 mil dólares americanos para ver Odilon de Oliveira no caixão.

Desde junho do ano de 2008, quando assumiu a vara da Justiça Federal de Ponta Porã, uma das cidades da fronteira que é a porta de entrada de drogas como cocaína, pedras de crack, haxixe e principalmente maconha, que são distribuídas em grandes centros do território brasileiro, as organizações criminosas tiveram muitas baixas, com as ações da Polícia Federal brasileira e com a Senad (Secretária Nacional Anti Drogas) do Paraguai.

Nos últimos 12 meses, Odilon de Oliveira condenou inúmeros narcotraficantes brasileiros e determinou o confisco de 12 fazendas que somadas totalizaram 12.832 hectares, além de três mansões – uma delas, em Ponta Porã, que está avaliada em R$ 5,8 milhões.

Ainda na lista dos confiscos, o juiz federal ordenou as apreensões de três apartamentos, três casas, dezenas de carros, muitos deles importados e de alto luxo e três aeronaves que de acordo com informações, todos os bens teriam sidos comprados com dinheiro das remessas das drogas.

VIDA EM DÓLARES

Por meio de telefonemas, cartas anônimas e avisos mandados por presidiários, constam que Odilon de Oliveira soube que narcotraficantes que sucumbiram com suas decisões condenatórias, estariam dispostos a comprar sua morte. “Os agentes descobriram planos para me matar, inicialmente com oferta de 100 mil dólares”, disse o magistrado.

Já no dia 26 de junho deste ano, o jornal paraguaio Lá Nación, um dos mais importantes do país, informou que a cotação do juiz no mercado do crime organizado havia subido para 300 mil dólares. “Estou valorizado”, brincou Odilon de Oliveira, que tem a sua disposição um carro blindado para tiros até de fuzil AR-15 e passou a andar escoltado, por aonde quer ou pretende se dirigir.

Para preservar a família, Odilon de Oliveira chegou a se mudar para o quartel do Exército, posteriormente para um hotel, e desde então decidiu transformar o prédio do Fórum Federal em sua casa. “No hotel, a escolta chamava muito a atenção e dava despesa para a Polícia Federal”, disse Odilon de Oliveira, que atualmente é o único caso de juiz que vive confinado no Brasil, pois a sala da aonde faz os despachos e condenações ou absolvições se transformaram em um quarto para ele dormir.

No armário de madeira, antes abarrotado de processos, estão colchonete, roupas de cama e objetos de uso pessoal e o banheiro privativo ganhou chuveiro.

A FAMÍLIA

Com relação a sua família que é composta de mulher, um filho e duas filhas, residem na capital de Mato Grosso do Sul e o juiz somente vai para casa a cada 15 dias, com seguranças.

Odilon de Oliveira teve de abrir mão dos restaurantes e almoça um marmitex, comprado em locais estratégicos, uma vez que segundo consta ele já teria sido ameaçado de envenenamento.

Além jantar que é consumido em seu “cárcere privado” Odilon de Oliveira entre um processo e outro, consume suco ou uma fruta. “Sozinho, não me arrisco a sair nem na calçada” disse ele durante uma entrevista a uma rede de televisão.

DESCONHECE A CIDADE

Quando esteve em Ponta Porã o juiz fez de sua sala de audiências um dormitório, com três beliches e televisão e quando ele precisava sair para cortar o cabelo, vestia colete à prova de bala e sai com a escolta. “Estou aqui há um ano e nem conheço a cidade”, disse na mesma entrevista o juiz acrescentando que em um de suas idas um shopping da cidade, havia sido abordado por um narcotraficante e os agentes federais tiveram de intervir.

Acostumado a se deitar cedo e levantar de madrugada, Odilon de Oliveira preenche o tempo com trabalho. De seu bunker, auxiliado por funcionários que trabalham até alta noite, ele vai disparando sentenças contra os narcotraficantes.

ALGUNS DOS CONDENADOS

Um dos que Odilon de Oliveira condenou, foi o mega-traficante Erineu Domingos Soligo, o “Pingo”, aplicando nele 26 anos e quatro meses de prisão, mais multa de 285 mil reais e o confisco de algo em torno de R$ 2,4 milhões, dinheiro este que seriam resultantes de lavagens de dinheiro. “Pingo” também perdeu na mesma sentença duas fazendas, dois terrenos e todo o gado.

Com relação a Carlos Pavão Espíndola, também envolvido com o narcotráfico, ele foi condenado a 10 anos de prisão e multa de R$ 28,6 mil.
O também considerado mega-traficante Carlos Alberto da Silva Duro foi condenado a 11 anos de prisão, multa de R$82,3 mil e perdeu R$ 733 mil, além de três terrenos e uma camioneta enquanto Aldo José Marques Brandão pegou 27 anos, mais multa de R$ 272 mil, e teve confiscado R$ 875 mil e uma fazenda.

EXTRADIÇÕES

Nas ações implacáveis de Odilon de Oliveira contra os narcotraficantes, 12 réus foram extraditados do Paraguai a pedido dele, inclusive o “rei da soja” no país vizinho, Odacir Antonio Dametto, e Sandro Mendonça do Nascimento, um dos braços direitos do narcotraficante carioca, Luiz Fernando da Costa, o “Fernandinho Beira-Mar”. “As autoridades paraguaias passaram a colaborar porque estão vendo os criminosos serem condenados” comemorou na época o juiz afirmando que não se intimida com as ameaças e que não se renderia a apelos da família, que quer vê-lo longe dos processos que envolvem os criminosos. “Quem traz mais danos à sociedade é mega-traficante. Não posso ignorar isso e prender só mulas, que seriam os pequenos traficantes em troca de dormir tranqüilo e andar sem segurança”, finalizou o magistrado, que atualmente tem sua trajetória de vida profissional divulgada no mundo inteiro através de internet.

Deixe seu Comentário

Leia Também

APOSTAS NO BRASIL
É legal apostar em esportes no Brasil?
CRIME BRUTAL
Mulher é encontrada morta com rosas, uma aliança nas mãos e frase cruel escrita na testa
TRAGEDIA
Casal é encontrado morto no banheiro com o chuveiro ligado
VEJA VÍDEO
Servidora não deixa lençol sujar com sangue de bandido e viraliza na internet
LUTO NA TV
Apresentador do Balanço Geral morre vítima da covid
COPA AMÉRICA
Com mudanças, Brasil encara Colômbia para garantir liderança do grupo
JOGOS ONLINE
Expectativas para legalização de jogos de azar movimenta mercado internacional
Policial
Criança de 6 anos sofre trauma de crânio após cair de atração no Beto Carrero World
DOSE ÚNICA
Avião com 1,5 milhão de doses da Janssen chega amanhã, diz ministro
REAÇÃO CERTEIRA
Mulher flagra filha sofrendo estupro e esfaqueia pedófilo