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Brasil

Jefferson envolve Lula e Dirceu com dinheiro de Furnas

23 Set 2006 - 10h54

Em "Nervos de Aço", livro que acaba de lançar, o ex-deputado federal Roberto Jefferson diz que contou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que o PT e o PTB tinham acertado partilhar R$ 3 milhões arrecadados de empresas prestadoras de serviço à estatal Furnas Centrais Elétricas.

Hoje se dizendo eleitor de Heloísa Helena (PSOL), Jefferson diz que o acordo fora firmado com o então ministro da Casa Civil, José Dirceu. Diante da surpresa que diz ter causado, Lula desconhecia o acordo, suspeita Jefferson, à época deputado federal pelo PTB.

O diálogo com o presidente, na presença de Dirceu e do ministro do Turismo, Walfrido dos Mares Guias (PTB), é a principal novidade das 375 páginas de "Nervos de Aço" (editora Topbooks; R$ 39,90).

Jefferson conta que aquele foi seu último encontro oficial com o presidente. Era a manhã de 26 de abril de 2005. No Palácio do Planalto, Lula quis saber a razão de o então diretor de Engenharia e Planejamento de Furnas, Dimas Toledo, não ter ainda sido substituído por um indicado pelo PTB, como acertado anteriormente.

"Roberto, por que está demorando tanto? Por que vocês não trocaram ainda, rapaz? Eu não quero manter esse cara lá. Por que ainda não saiu a nomeação do PTB? Vamos nomear o [Francisco] Spirandel?", teria dito Lula a Jefferson, que escreve ter sugerido ao presidente que Toledo fosse mantido.

"Lula não gostou: 'Pô, como é que é? Mas por quê? Vocês já estão fazendo acordo?' 'Já.' 'Que acordo é esse?', ele quis saber. 'Qual foi o acordo que vocês fizeram, porra?'."

Jefferson explicou o que era o acordo. Segundo ele, Dirceu defendia internamente a permanência de Dimas Toledo, que caíra em desgraça com Lula por transferir mais de R$ 1 milhão ao governo de Minas Gerais, de Aécio Neves, do PSDB.

Para não trocar Dimas por um petebista, Dirceu teria proposta a ele "um acerto direto entre o PT e o PTB", pelo qual os partidos dividiriam "a arrecadação mensal" de Furnas, "por meio de Dimas Toledo". O dinheiro seria arrecadado "entre empresas interessadas em contratos com Furnas".

Segundo Jefferson, Lula se irritou com a explicação e não a aceitou. "Aquele senhor está traindo o governo, está fazendo o jogo do governador de Minas Gerais, e eu não quero a permanência dele. Não quero esse cara lá. Se você não tirar eu tiro e ofereço a outro partido. Tem que tirar!", teria dito o presidente, mandando, a seguir, Dirceu nomear Spirandel.

O Palácio do Planalto foi informado do conteúdo do livro, mas não havia se manifestado até a conclusão desta edição. Dirceu não quis falar sobre o livro, informou sua assessoria.

No livro, Jefferson não esclarece o destino dos R$ 4 milhões que o PT teria doado ao PTB em 2004. O PT sempre negou ter dado a verba ao partido, do qual, até hoje, é aliado. "Politicamente, recebi, tecnicamente, não. Não há dinheiro, logo não há cadáver, logo não há crime."

O livro foi escrito a partir de relatos ao jornalista e escritor Luciano Trigo.

Folha Online

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