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Índios de MS pedem 600 mil hectares para governo federal

2 Dez 2004 - 14h28
Começa daqui a pouco na aldeia Amambai, município de Amambai, o Aty Gassu, que traduzido do guarani para o português significa grande encontro.

O evento está sendo promovido pela Comissão de Direitos dos Guaranis-Caiuás. Hoje, amanhã e sábado os temas em discussão são a saúde indígena, os diretos das comunidades e o principal para eles: a discussão sobre as retomadas de terras.

"A gente não está querendo fazer nenhuma baderna. Estes movimentos de ocupação que nosso povo vem realizando é apenas na tentativa de retomar a terra que era nossa. Fomos expulsos das nossas aldeias pelos fazendeiros. Agora queremos as áreas de novo porque precisamos sobreviver", disse Anastácio Peralta, que representa a Comissão de Diretos dos Guarani-Caiúas.

Os guaranis-caiuás são a maior comunidade indígena em Mato Grosso do Sul. Antropólogos estimam que sejam pelo menos 30 mil indivíduos desta etnia. Eles se concentram expressivamente na região sul do Estado.

Na semana passada, quando o ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos esteve em Dourados para entregar o documento de posse de 1240 hectares aos índios do Panambizinho, um grupo de guaranis-caiuás entregou para o ministro e também para o presidente da Funai, Mércio Gomes Pereira, um documento.

Nele os índios cobram do governo federal agilidade nos processos de identificação e demarcação dos territórios indígenas em Mato Grosso do Sul. De acordo com o documento mais de 40 áreas precisam ser identificadas, porque segundo os índios são áreas indígenas. Se somadas as 40 áreas reivindicadas chegam a mais de 600 mil hectares.

O antropólogo argentino Fábio Mura, formado pela Universidade La Sapienza, em Roma, Itália e que atualmente mora em Dourados, estuda há mais de 10 anos o movimento das famílias guaranis-caiuás. Ele, e um grupo de antropólogos da mesma linha de pensamento, defendem que os guaranis-caiuás deveriam ter um território no sul do Estado equivalente a 1 milhão de hectáres (quase a metade da área plantada com soja este ano em Mato Grosso do Sul). Segundo o antropólogo cada grupo de 300 índios guaranis-caiuás deveria viver numa área de 10 mil hectares.

"A gente sabe que este é um sonho quase irrealizável, porque as terras aqui no sul do Estado são altamente produtivas e por isso o governo federal não teria intenção de desapropriar estas áreas que são dos guaranis-caiuás. O governo não teria dinheiro para bancar todas as indenizações", argumentou o antropólogo. Ainda segundo Fábio Mura, hoje os 30 mil guaranis-caiuás de Mato Grosso do Sul vivem em apenas 40 mil hectares, distribuídos em áreas espersas pelo Estado.

Esta retomada de terras acirrou os ânimos de produtores rurais e comunidades indígenas, principalmente no sul do Estado. Segundo o Movimento Nacional de Produtores 23 áreas estão ocupadas por índios em Mato Grosso do Sul. Seis são em Dois Irmãos do Buriti, 3 em Sidrolândia, 3 em Ponta Porã, 3 em Japorã, 2 em Caarapó, 2 em Juti, 1 em Naviraí,  1 em Dourados, 1 em Paranhos e 1 em Antonio João.

 

 

 

 

Dourados Agora

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