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RIO BRILHANTE

Indígenas invadem fazenda em Rio Brilhante

Índios alegam que propriedade invadida faz parte do território tradicional

18 Mai 2011 - 09h02Por Diários MS

Os indígenas que estavam às margens da BR-163, próximo a Rio Brilhante, saíram da beira da rodovia e voltaram a ocupar a área dentro dos limites da Fazenda Santo Antônio da Boa Esperança. Os índios reivindicam essa parte da propriedade em que está o acampamento ‘Laranjeira Nhanderu’, pois acreditam que se trata de terras que pertenceram a seus antepassados.


A decisão foi tomada pelos índios depois que receberam a informação de que o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) sugeriu a eles que mudassem para uma das áreas do Governo Federal, sem destinação estabelecida, que fica há 15 quilômetros do acampamento.


O departamento sugeriu a ocupação temporária dessa terra para que os índios saíssem da metragem a beira da rodovia que é faixa de domínio da união. A proposta foi feita durante uma audiência de conciliação na sexta-feira, dia 13, no MPF (Ministério Público Federal), entre o departamento e a comunidade indígena, com a assessoria jurídica da procuradoria especializada da Funai (Fundação Nacional do Índio).


Durante a reunião ficou acertada uma vistoria na área pelos índios acampados junto com representantes do Dnit, da Funai e do MPF. “A comunidade passar por lá sempre, conhece a área lá, mas é muito pouco pra as 36 famílias que a gente tem aqui”, afirmou o indígena Kaiowá, José Barbosa de Almeida, lider da comunidade do ‘Laranjeira Nhanderu’.


O líder ainda afirma que a área seria suficiente apenas para montar os barracos e ainda assim em um espaço muito apertado. “Lá não tem pasto, indígena gosta de mato por causa da lenha e não tem sapé para fazer casa. Se não dá para fazer roça, não serve, então a área não serve”, afirmou o Almeida.


Os indígenas estavam acampados às margens da BR desde o início de 2009, quando os proprietários da fazenda ganharam reintegração de posse na justiça. Os indígenas querem ficar acampados no local até que sejam finalizados os estudos antropológicos para fins de demarcação de terras indígenas no Estado, trabalho que deu início em 2008.


De acordo com o líder da comunidade indígena, as famílias do “Laranjeira Nhanderu” voltaram aos limites da fazenda no domingo, dia 15. “A justiça pediu para retirar comunidade, agora Dnit resolveu retirar comunidade, ai as famílias pensaram ‘a gente tem terras tradicionais, vamos voltar de novo lá que aqui é nosso’. Porque se de repente vamos na área do Dnit, vai ficar do mesmo jeito”, afirmou o líder Kaiowá.


Um dos irmãos proprietários da fazenda afirmou que os sete herdeiros vão entrar novamente na justiça pedindo para que seja mantida a posse concedida a eles no final de 2008. “Nós temos o documento, a escritura pública, provando que a terra pertenceu ao meu pai e que nós herdamos. Nós pagamos imposto daquela área, nunca devemos nada para ninguém. Nunca teve aldeia naquela área. Eu mesmo tenho 60 anos, fui criado lá e nunca teve índio ali”, afirmou Mário Cerveira, um dos sete herdeiros da fazenda.


O proprietário ainda afirmou que fará um boletim de ocorrência relatando o ocorrido e denominou a ação dos índios uma afronta à justiça, já que eles feriram a decisão que dava ao dono da fazenda a reintegração de posse. “Nós não queremos briga, só queremos que a justiça seja feita”, afimou Cerveira.

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