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Iagro começa a interditar fazendas em MS

3 Dez 2009 - 12h59Por Mídia Max
Agência de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro) de Mato Grosso do Sul começou a interditar as propriedades rurais que não vacinaram o rebanho contra a febre aftosa até o dia 30 de novembro. Um sistema automático desenvolvido pela própria agência gerou nos primeiros dias de dezembro a relação das empresas rurais que não cumpriram o prazo de vacinação e, no mesmo dia, os fiscais passaram a percorrer essas propriedades para identificar as causas do desrespeito ao calendário de imunização e, quando constatado a falta de vacinação, para emitir as multas e interditar a fazenda.

Os criadores já tem conhecimento das penalidades, mas, mesmo assim, alguns ignoram a importância da vacinação. “Com a interdição, o produtor fica impedido de vender ou comprar qualquer cabeça de gado, ou seja, não consegue movimentar o rebanho porque sem a declaração de vacinação à Agencia Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal do Estado, até 15 dias após imunizar o rebanho, ele não recebe a Guia de Trânsito Animal (GTA)”, explica Antônio Eder de Stefano, chefe-regional da Iagro em Dourados.

Ele explica que ainda é prematuro falar em número de propriedades interditadas na área de atuação da Iagro de Dourados. “Ainda estamos fechando os mapas de vacinação, mas posso afirmar que alguns criadores foram multados e tiveram a empresa rural interditada até que o problema seja solucionado”, salienta Stefano. “Quem vacinou até o dia 30 de novembro e comprovou junto a Iagro está em dia e pode comercializar o rebanho, mas existem casos em que o criador nem comprou a vacina e agora só poderá faze-lo mediante autorização da agência”, revela Stefano. “Mesmo assim, a multa é aplicada e a propriedade fica pendente de regularização”, conclui.

Em situação mais crítica estão os criadores que já vinham com pendência desde a campanha passada, quando também ou não vacinaram o rebanho ou não prestaram conta junto a Agência de Defesa Sanitária Animal e Vegetal. “Nesses casos, a interdição da propriedade rural é imediata e o criador só terá direito de retirar Guia de Trânsito Animal quando a pendência estiver totalmente solucionada”, avisa o chefe-regional da Iagro em Dourados.

AFTOSA – O governo do Estado passou a ser mais rigoroso com a fiscalização da vacinação desde 2007, quando o Mato Grosso do Sul recuperou o status de área livre de febre aftosa quase três anos após o surgimento de focos da doença nos municípios de Japorã, Eldorado e Mundo Novo, no Sul do Estado. Uma das iniciativas do governo foi a criação da Zona de Alta Vigilância (ZAV) entre o Paraguai e o Brasil, abrangendo 3.536 propriedades dos municípios de Antônio João, Japorã, Mundo Novo, Aral Moreira, Bela Vista, Caracol, Coronel Sapucaia, Paranhos, Ponta Porã, Porto Murtinho e Sete Quedas.

A Zona de Alta Vigilância foi fundamental para que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) devolvesse ao Mato Grosso do Sul o status de área livre de febre aftosa com vacinação, posição ratificada pela certificação da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) e, mais tarde, pela União Européia, fator que abriu as portas do principal mercado consumidor do mundo para a carne bovina de Mato Grosso do Sul.

Os focos de febre aftosa causaram prejuízos superiores a US$ 1 bilhão e fragilizaram a economia de Mato Grosso do Sul, motivo pelo qual o governo do Estado passou a atuar com maior rigor na fiscalização das campanhas de vacinação. Com a posse da médica-veterinária Maria Cristina Galvão Carrijo na presidência da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal, o governo ampliou os trabalhos já implementados na Zona de Alta Vigilância Sanitária, que, inclusive, possui reconhecimento da Organização Mundial de Saúde Animal. Um dos projetos que a Iagro deverá implementar nesta nova gestão será justamente estabelecer um moderno calendário sanitário para o Estado, aproximando os produtores das políticas de sanidade animal e vegetal.

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