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Brasil

Homicida conta detalhes sobre execução de família

27 Mar 2007 - 18h00
O trio acusado de participação na chacina que matou uma família inteira no bairro Canaã I em Dourados foi apresentada há pouco à imprensa. Cleber Júnior Garças, 24 anos, também conhecido como Caiçara, é apontado como o autor dos disparos que mataram Vera Lúcia Leonardo Daleste, 48 anos, o pedreiro Abraão Israel Lucas, 36 anos, Natália, de 9 anos e Bruno, 13 anos. Eles morreram enquanto dormiam no interior da casa na rua Filinto Muller.

Durante entrevista ao repórter Bronka, ele disse que não se arrepende de ter cometido o crime. Segundo o homicida, o motivo das mortes teria sido provocado quando Abraão pediu para que ele baixasse o volume do som. “Ele pediu para baixar o som, mas veio com ignorância. Ele disse que precisava dormir já que não era vagabundo como agente. A princípio eu não iria mata-lo mas acabou acontecendo”, disse.

Garças teria saído de uma festa promovida por ele na Associação Comercial e se deslocado para a casa da namorada. Lá ele teria iniciado uma outra festa na vizinhança. Abraão teria pedido para abaixar o som e depois ligou para o 190 da Polícia Militar, pedindo providências. O Grupo Getam esteve no local e solicitou ao dono da casa para diminuir o volume do som. Caiçara decidiu se vingar. 

Ele disse ainda que Abraão teria sido o primeiro assassinado. “Ele ascendeu a luz, eu atirei nele, que acabou caindo em cima da cama”, disse.

Quanto as crianças o acusado relatou que a menina Natália teria acordado e levantado, assim que notou a ação criminosa. O menino, o Bruno, teria apenas levantado a cabeça. “Mandei eles se deitarem e executei as crianças quando elas estavam de cabeça baixa”. Segundo o acusado a morte das crianças aconteceu por medo dele ser reconhecido. 

Cleber  confessou ainda que levou do local um aparelho de som um DVD, que pretendia comercializar “mais tarde” ou usar os produtos roubados. O aparelho de DVD foi localizado na casa de Cláudio Eduardo Farias Teodoro, o “Dudu”, que também foi preso. Ele disse que tinha guardado o objeto para uso próprio. Ele relatou que não sabia que o aparelho era roubado e que sentiu dó da família.

Já Fábio Teixeira Severo, 23 anos, relatou ao Douradosagora que a participação dele no caso foi a de arrombar a porta e levar o DVD. Ele disse que saiu correndo quando viu que Cleber havia atirado na esposa de Abraão. “Senti raiva de mim mesmo por não ter impedido os crimes”, disse.

 Além da prisão dos três maiores, foi detida a namorada do homicida, uma adolescente de 14 anos e vizinha das vítimas. Ela teria ficado do lado de fora, vigiando, enquanto Cleber executava as vítimas. De lá, o carro da família vítima da chacina foi levado para outro local, para despistar a polícia e dar a impressão de se tratava de um roubo.

 O delegado Sandro Márcio Pereira já pediu pela representação dos acusados.
 
 
 
Estadão

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