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Brasil

Governadores põem até obra inexistente em inaugurações

12 Mar 2010 - 07h28Por Folha Online

Assim como os presidenciáveis José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT), os governadores que deixarão os cargos até 2 de abril para disputar o Senado também correm para inaugurar "obras" -muitas inexistentes até no papel- antes de saírem. Assim, promovem a si e a seus candidatos à sucessão. Os governos negam que os eventos tenham caráter eleitoral.

Em todo o país, são pelo menos 160 obras até o fim do prazo de desincompatibilização.

Só no Rio Grande do Norte, governado por Wilma de Faria (PSB), a intenção é inaugurar cerca de cem obras até o fim do mês. O candidato de Wilma à sucessão, o vice Iberê Ferreira (PSB), luta contra o favoritismo de Rosalba Ciarlini (DEM).

"Está todo mundo feito doido aqui, ninguém dorme, ninguém faz mais nada", disse Frederico Mesquita, do Gabinete Civil.

Para eleger o sucessor, o atual vice Antonio Anastasia, o governador mineiro Aécio Neves (PSDB) também cumpre intensa agenda. Até para "inaugurar" uma unidade de saúde em São João del Rei que deve funcionar apenas em maio.

Até o final do mês, ele participa de pelo menos outras duas inaugurações. Na agenda, também estão anúncios de obras em duas fábricas e visitas a pelo menos seis cidades do interior.

Em Santa Catarina, desde o início do ano o governador Luiz Henrique (PMDB) vai a cerimônias -muitas de assinatura de ordens de serviço e entrega de terrenos para futuras obras.

No dia 30, ele inaugura 29 obras de melhorias em escolas da região de Blumenau -algumas delas, porém, já estão prontas desde 2007.

A agenda do governador chegou a incluir, no fim do mês, a inauguração da mesma quadra de esportes aberta ontem pelo vice Leonel Pavan (PSDB), que é pré-candidato ao governo.

O governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB), só anuncia no fim de março se disputará o Senado. Enquanto isso, programou duas cerimônias para lançar obras que serão entregues em 2011 e 2012.
Pré-candidato ao Senado, o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (PR), investe em cerimônias parecidas a comícios. Ao lado do vice e pré-candidato ao governo, Silval Barbosa (PMDB), percorre o Estado para entregar máquinas agrícolas a prefeitos.

Blairo chegou a inaugurar em dezembro -um ano antes do previsto- um trecho de uma rodovia que, três meses após o descerramento da placa, não foi entregue. Pior: o asfalto não resistiu às chuvas, cedeu e há buracos em vários trechos.

Obras inacabadas

No Amazonas, o governador Eduardo Braga (PMDB), pré-candidato ao Senado, deve inaugurar uma estação de tratamento de água que ainda não tem concluída a parte elétrica e a rede de distribuição.
Ele também deve inaugurar um hospital cujo anexo, que será destinado ao atendimento das mulheres, não está pronto.

Em Rondônia, as chuvas fizeram com que o governador Ivo Cassol (PP) só tenha na agenda a inauguração de um aeroporto. Ele esperava inaugurar também um centro administrativo nos moldes do construído por Aécio em Minas, mas promete só fazer a festa se a empreiteira vencer o mau tempo.
Sua assessoria afirmou que ele só inaugura "obra pronta e não plaquinha ou maquete".

O governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), também intensificou sua agenda. No primeiro trimestre, ele deverá participar de 50% mais inaugurações do que no mesmo período do ano passado. Seu pré-candidato ao governo é o também peemedebista e atual vice Orlando Pessuti.

Outro lado

Os Estados negaram que haja interesse eleitoral na agenda de inaugurações.

Segundo a assessoria de Wilma de Faria (RN), a "maratona" de cerimônias ocorre desde 2009". A assessoria de Aécio Neves (MG) disse que suas ações não têm caráter eleitoral. Sobre a unidade de saúde que será aberta em maio, a assessoria disse que seu funcionamento depende da prefeitura e do SUS.

Em Santa Catarina, a inauguração de obras prontas é justificada pela "falta de espaço na agenda" de Luiz Henrique. Quanto à dupla inauguração da quadra de esportes, a alegação do governo é que o evento foi adiantado para ontem e deixado a cargo do vice-governador.

Segundo a assessoria, as cerimônias servem para dar satisfação à população.
Em Mato Grosso, o governo disse que "se surpreendeu" com a aparição de "anomalias" na estrada inaugurada com um ano de antecedência e disse que a cerimônia não foi precipitada.

Segundo a assessoria de Paulo Hartung, a participação dele em cerimônias de início de obras é rotineira.

O governo de Rondônia e do Piauí também negaram interesses eleitorais nos eventos. No Paraná, o governo disse que as cerimônias seguem programação normal. O Estado do Amazonas não se manifestou.

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