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Brasil

Gilmar Curioni escreve sobre a questão indígena em MS

31 Dez 2009 - 11h25Por Gilmar Curioni

CONSIDERAÇÕES SOBRE A NOTA DA CONFERÊNCIA EPISCOPAL DO MATO GROSSO DO SUL SOBRE A QUESTÃO INDÍGENA

 

 

 

Reverendíssimos bispos

 

Ouso usar esse meio para acrescentar subsídios a vossa nota sobre a questão indígena devido sentir-me no dever de fazê-lo por  viver  como um católico que acompanha com atenção os passos de minha igreja e conviver ao lado das duas realidades citadas: A indígena e classe produtora rural.

 

Peço a Deus a sabedoria pra não ser tendencioso ou discriminatório em minhas palavras e sim apenas um mero colaborador diante de tão importante e melindroso assunto.

 

Esse tema trata de uma situação realmente insustentável como relata vossa nota, mas não só do ponto de vista dos indígenas, povo visivelmente manipulado, discriminado e marginalizado, como também, da parte produtora rural que em nossa região tem sofrido as mais severas amarguras climáticas, o mais profundo abandono político e as mais perigosas ameaças. Gerando total insegurança para esses que tem sido ao longo de tantos anos o grande sustentáculo da economia brasileira.

 

As invasões ilegais de suas terras adquiridas em plena concordância com a lei, a falta de política de garantia de preços, a ausência de seguro da produção entre tantas outras adversidades fazem com que nossos produtores rurais também se sintam discriminados, marginalizados e perseguidos. Perseguição essa que muitas vezes também acabam em morte: da dignidade, da honra e por que não física, diante de tanta pressão, opressão e instabilidade.

 

Os indígenas, os sem terra, os quilombolas têm atuando em defesa de suas causas  as ONGs, o governo, a igreja, etc. E os produtores rurais quem têm a seu favor? Citar uma minoria ruralista que luta em nosso congresso? Talvez! Mas é pouca força diante dos organismos citados acima. Haja vista as derrotas que vem sofrendo e a continuidade de ausência total de uma política agrícola justa para o nosso país.

 

A paz realmente é fruto da justiça como citaram, frase que repeti muitas vezes em meu programa na Rádio Coração 95,7 FM. Contudo essa justiça só será verdadeira se chegar também aos produtores de alimento de nosso país. Produtores esses que esquecidos tem vendido suas terras para pagar dívidas e os que não venderam vivem com o “pires na mão” pedindo seguidas prorrogações de débitos aos bancos e fornecedores devido à total insegurança e adversidades que ronda o campo.

 

A violência sempre vai gerar violência como afirmam na nota. Quer violência maior do que arrancar a força de suas terras aqueles que há décadas lá vivem? Como foi o caso dos produtores do distrito de Panambi em Dourados, MS e a cultivam com amor e dedicação produzindo o pão nosso de cada dia. Hoje a indefinição leva esse importante setor a dormir e acordar com toda sorte de incertezas sobre seu futuro e o de seus filhos.

 

Não cabe a ninguém  julgar um fato ou alguns fatos trágicos acontecidos com nossos irmãos indígenas, os quais lamento profundamente, mas que estatisticamente não dizem nada a respeito da conduta e caráter dos produtores rurais que em sua maioria são pessoas de bem, pequenos e médios proprietários dessa região que foram estimulados pelos antigos governantes a desbravarem essas terras e assim o fizeram de boa fé.

 

Como engenheiro agrônomo, filho de produtor rural e hoje produtor agradeço aos senhores bispos, pastores de todo esse grande e diversificado rebanho, o fato de solicitar das autoridades atitude firme e corajosa no sentido de solucionar esse complexo problema.

 

Contudo, como cristão atuante que sou dentro de minha amada igreja sinto-me no dever de amar, obedecer e humildemente mostrar esse lado concreto que vivo e vive a grande maioria dos produtores rurais da região da grande Dourados e talvez de nosso país.

 

Cabe-me encerrar citando o parágrafo 246 do “Texto conclusivo da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe” de maio de 2007 quando fala de “Lugares de encontro com Jesus Cristo”:

 

“O encontro com Cristo, graças à ação invisível do Espírito Santo, realiza-se na fé recebida e vivida na igreja. Com as palavras do papa Bento XVI, repetimos com certeza: “A igreja é nossa casa! Está é nossa casa! Na igreja católica temos tudo o que é bom, tudo o que é motivo de segurança e de consolo! Quem aceita Cristo: Caminho, Verdade e Vida, em sua totalidade, tem garantida a paz e a felicidade, nesta e na outra vida!

 

Oxalá isso se cumpra para ambas as partes desse conflito: Índios e produtores rurais.

 

 

 

Gilmar Curioni

 

Empresário católico; cidadão douradense; Presidente da Fundação Terceiro Milênio (Rádio Coração 95,7 FM)

 

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