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Filme sobre Lula pode ter o maior lançamento do Brasil

19 Out 2009 - 14h42Por Conjuntura

Ainda surfando no anúncio dos Jogos Olímpicos Rio 2016 e nos sinais de retomada do crescimento econômico, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva prepara-se para colecionar mais dividendos políticos, dessa vez nas telas do cinema e em pleno ano eleitoral, quando todos os esforços estarão voltados para eleger a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, sua sucessora.

Lula, o Filho do Brasil, cinebiografia sobre o petista, será lançado em 1º de janeiro de 2010 com uma estratégia de distribuição que tem como objetivo torná-lo um dos maiores lançamentos do cinema nacional, desde a retomada da produção cinematográfica do País, em 1995.

Para isso, a produção recorrerá a tradicionais bases de sustentação política de Lula, como sindicatos, e a regiões onde ele tem alta popularidade, como no Nordeste. Um universo de 10 milhões de pessoas sindicalizadas poderá comprar ingressos a preços populares para assistir ao filme, que pretende chegar aos rincões do País em 2010.

A estreia será feita em mais de 400 salas, sendo que 88 delas não fazem parte do circuito convencional. O objetivo é levar o filme para públicos populares, fora do mercado consumidor tradicional. O lançamento chegará a 19 salas que não fazem parte do parque exibidor de 1ª linha no Nordeste, em cidades como as baianas Alagoinhas e Santo Antonio de Jesus, a cearense Maracanaú e a pernambucana São Lourenço da Mata.

Aproveitando a alta popularidade de Lula no interior, a ideia é levar o filme para capitais fora do circuito tradicional, como Rio Branco (AC), Porto Velho (RO), Palmas (TO) e Macapá (AP). A cidade de Garanhuns, na região onde nasceu Lula, receberá cópias para exibição em duas salas, já no lançamento.

Serão feitas "para lá de 300 cópias" da cinebiografia, que conta os primeiros 35 anos da vida do presidente, do nascimento até a transformação dele em líder sindical, segundo Bruno Wainer, presidente da Downtown Filmes, que ao lado da Europa Filmes é responsável pela distribuição.

Lula, o Filho do Brasil fugiu do padrão nacional de financiamento de obras cinematográficas, baseado na renúncia fiscal. Causou polêmica no mercado, ao conseguir bancar a produção, de R$ 12 milhões, com dinheiro de empresas que não se beneficiaram de nenhuma lei de incentivo fiscal. Há construtoras, montadoras e outras empresas que não são tradicionais investidoras do setor - algumas têm contratos com o governo.

"Para chegar a 400 salas, vão ter de entrar pesado no interior", disse Luiz Severiano Ribeiro, diretor do Grupo Severiano Ribeiro/Kinoplex, que detém 200 salas de cinema. Os produtores, no entanto, acham ser possível chegar a 500 salas - Se Eu Fosse Você 2, campeão de público desde 1995, foi lançado em 315 e teve 6,1 milhões espectadores.

Ligadas ao governo Lula, CUT e Força Sindical negociaram promoções para a exibição. "O filme interessa a todo mundo, mas o público principal é o sindical", disse Wainer. A ideia é que sindicatos ligados às centrais vendam ingressos antecipados, até 20 de dezembro, por R$ 5. O DVD do filme também deve chegar ao mercado a preço popular (R$ 10).

"Pensamos em números nunca antes atingidos no Brasil", afirmou Wilson Feitosa, diretor-geral da Europa Filmes. O plano é que parcerias com sindicatos e fundos de pensão ajudem a vender mais de 1 milhão de cópias.

Produtores e distribuidores querem pegar carona na história de Lula e transformar o filme, dirigido por Fábio Barreto, no mais visto da história do cinema nacional. Avaliam que a produção pode chegar a 20 milhões de pessoas.

"Quando o Barreto (Luiz Carlos Barreto, pai de Fábio e produtor) fala 20 milhões, é um balão de ensaio. A expectativa do mercado é que esse filme tenha entre 4 e 5 milhões de espectadores. Já sai de um patamar alto. A expectativa de divulgação grande. É até possível que se pague", afirmou Paulo Sérgio Almeida, cineasta e diretor da Filme B, empresa que faz análises do setor.

Para o filme ter entrada junto ao público de baixa renda, onde o presidente é bem avaliado, o preço do ingresso precisa cair. Recente paper da Universidade de Georgetown sobre o mercado cinematográfico no Brasil aponta o preço dos ingressos como entrave para o crescimento do setor.

"A gente tentou antecipar o vale-cultura", disse a produtora Paula Barreto, referindo-se ao programa que prevê isenção de Imposto de Renda a empresas que bancarem vale para trabalhadores gastarem em cultura.

A oposição ao governo Lula tem visto com reticências a estreia do filme justamente em ano eleitoral. Duda Mendonça, ex-publicitário de Lula, chegou a dar sugestões sobre a produção. Ao ver uma versão, sugeriu que fosse retirado trecho em que uma professora de Lula diz que ele é "muito especial". Para Duda, a passagem deixaria "chapa branca" o filme, que será transformado em minissérie - a Globo está na negociação.

Os envolvidos com a cinebiografia negam que ela vá ajudar politicamente Lula ou o PT. "Ninguém é petista aqui. Não fizemos por razões ideológicas", disse Wainer. "A história é incrível, independentemente de você votar nele." Questionado sobre o lançamento em ano eleitoral, afirmou: "O Brasil está em eleição quase todos os anos."

Produtores contam que até o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso quis "estrelar" o filme. Ao encontrar o diretor, o tucano brincou, dizendo que faltava seu personagem na cena do velório da mãe de Lula. Na ocasião, FHC estava ao lado do então líder sindical.

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