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Fechamento de carvoarias provoca desemprego na fronteira

8 Ago 2006 - 08h48

A ação das autoridades ambientais do Paraguai com a cooperação do governo brasileiro por meio do Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) deixou centenas de pessoas desempregadas na região de fronteira que já vinha sofrendo com a crise no setor da agropecuária nos últimos três anos por conta da estiagem e mais recentemente com focos de febre aftosa que “nocauteou” toda a economia da região. A grande maioria dos agora desempregados, que trabalhavam nas carvoarias e serrarias da região atingida pela operação, são brasileiros que retiravam o sustento da exploração do carvão vegetal e das industrias de madeira.

Agora, expulsos do país vizinho, tendem a aumentar a já vasta lista de desempregados nas cidades brasileiras da fronteira. Em Sete Quedas, por exemplo, onde pelo menos 500 pessoas perderam o emprego, o comércio vive clima de apreensão e, de acordo com a ACISQ (Associação Comercial e Industrial de Sete Quedas), com a crise no agronegócio ao longo dos três últimos anos muitas famílias acabaram passando a trabalhar na extração de carvão, o que garantia a renda familiar e o movimento no comércio.

“Agora vivemos um clima de incerteza. Muitas pessoas perderam o emprego e isso certamente vai atingir em cheio, principalmente o setor de comércio em Sete Quedas”, disse o empresário Adão Sílvio, tesoureiro da entidade. Adilson Diozébio Nogueira, 38 anos, casado e pai de quatro filhos, foi um dos que perdeu o emprego com a ação das autoridades paraguaias apoiada pelo governo brasileiro na semana passada.

Ele trabalhava há mais de três anos em uma carvoaria a cerca de 38 quilômetros da cidade de Sete Quedas e a 12 quilômetros da linha internacional entre Brasil e Paraguai, em território paraguaio, onde recebia em média, dois salários mínimos, em torno de 700 reais por mês como comissão. Adilson, em companhia de outro trabalhador brasileiro, Lídio Ferreira, 47 anos, que também ficou desempregado, disse que os paraguaios teriam determinado a saída imediata das 22 famílias de brasileiros que trabalhavam na carvoaria.

Elas só não saíram com apenas a roupa do corpo porque fiscais do Ibama teriam pedido a extensão do prazo para a saída das famílias para 72 horas e o pedido foi atendidos pelas autoridades paraguaias. Sem emprego, sem ter para onde ir e sem se quer os pertences pessoais, já que temem votar a carvoaria para retirar suas mudanças.

O casal Agnaldo Machado e Lurdes Conceição, que são da região de Paranhos, mas há tempos trabalhavam na mesma carvoaria, também está na mesma situação que Adilson e Lídio. Com quatro filhos com idades entre 9 e 14 anos e desempregados, eles não tem perspectivas de arrumar novo emprego tão cedo, já que o mercado de trabalho está totalmente saturado na região e temem até passar fome, caso não consigam outro emprego logo.

Para o dono da carvoaria onde as três famílias trabalhavam, Otacílio Rodrigues Melo, 70 anos, com o prejuízo acumulado e agora sem fonte de renda não existe a menor possibilidade de manter os empregos. “Trabalho há mais de cinco anos com essa carvoaria. Sempre procuramos manter a documentação em dia e nunca imaginávamos uma situação dessas”, disse Otacílio ao se dizer consternado em ter que dispensar 22 famílias de uma só vez, mas, sem a renda do carvão, não tem como manter os empregados.

Na região de Paranhos madeireiras fechadas durante a operação também já começaram as demissões. Segundo um empresário do setor que empregava mais de 20 famílias de forma direta, oito delas foram dispensadas na última sexta-feira e, se as proibições continuarem, todas as demais deverão ser dispensadas nos próximos dias.

O fechamento das carvoarias e das madeireiras na região de fronteira além de afetar diretamente centenas de famílias que perderam, de forma repentina seus empregos, também acaba afetando de forma indireta vários outros setores. Trata-se de motoristas que realizavam os transportes das cargas que ficarão sem serviço, borracharias que terão a demanda de trabalho reduzida a exemplo de oficinas mecânicas e auto-elétricas, além de diminuir os abastecimentos nos postos de combustíveis e, sem recursos para comprar, o comércio em geral acaba deixando de vender ou receber dívidas antigas.

Operação

Em uma ação conjunta que reuniu a secretaria de meio ambiente e o Exército do Paraguai, além de integrantes do Ibama, foram destruídas, na semana passada, mais de 70 carvoarias e desativadas várias serrarias instaladas ao longo de 20 quilômetros da faixa entra Brasil e Paraguai do lado paraguaio da fronteira. A operação, que contou inclusive com a presença do ministro do Meio Ambiente do Paraguai, Alfredo Molinas, e utilizou helicópteros do Ibama em apoio logístico, estendeu-se por dois departamentos paraguaios, Amambay e Canindeyú, abrangendo de Pedro Juan Cabalero até a região de Ypê-Jhú e Pindoty Porã, na região de Sete Quedas no Brasil em mais de 250 quilômetros da linha que separa os dois países.

Durante a ação fornos utilizados para confeccionar carvão vegetal foram destruídos a golpes de picareta e através do emprego de explosivos. Serrarias foram parcialmente desmontadas, caminhões carregados de carvão vegetal foram apreendidos e donos de carvoarias, a maior parte brasileiros, acabaram presos, além dos brasileiros que trabalhavam nas serrarias e nas carvoarias, que estavam de forma ilegal no Paraguai tiveram que deixar o Paraguai sob ameaças de prisão, caso retornassem ao país.

De acordo com as autoridades paraguaias, a ação na faixa de fronteira teve como objetivo combater a devastação ambiental na região causada pelas carvoarias, cuja maior parte do carvão confeccionado tem como destino as siderúrgicas do Estado de Minas Gerais. Além de combater o contrabando de madeira e derivados por parte das serrarias, que segundo o governo paraguaio, a maior parte funcionavam de forma clandestina e sem recolher os devidos tributos ao tesouro nacional.

Segundo as informações, uma comissão de madeireiros, acompanhada de advogados, deveria se deslocar da fronteira para a capital do Paraguai, Assunción, para tentar buscar uma saída legal para a questão. De acordo com os donos de carvoarias, o setor mais prejudicado com a operação, já que toda a estrutura de trabalho foi desmontada pelos agentes do estado, as acusações de devastação ambiental são ilegítimas.

Segundo eles, hoje toda a madeira consumida pelas carvoarias vem de reaproveitamento de destocas e são madeiras que serão destruídas de qualquer forma, se não através de aproveitamento para a confecção de carvão, como vinha ocorrendo, mas pelo próprio fogo. Para os proprietários das carvoarias e das serrarias desativadas durante a operação, a ação das autoridades ambientais paraguaias foi sinônimo de prejuízos.

Só em uma carvoaria situada na região de Sete Quedas o proprietário, que agora não pode se quer entrar no país para retirar seus equipamentos por conta das ameaças de ser preso, foram mais de R$ 40 mil de prejuízos. “Além de destruir os fornos e todo o carvão já pronto, eles também levaram embora equipamentos e até óleo diesel que estava estocado e seria utilizado para abastecer maquinários”, disse o carvoeiro ao relatar que não deverá voltar mais para a atividade.

Outro empresário ouvido pela nossa reportagem na região não tocava carvoaria, mas tinha caminhões que realizavam o transporte da carga até seu destino. “Eu tinha dois caminhões trabalhando direto no transporte do carvão. A carga que custa em média R$ 1,5 mil cada foi apreendida e eu fui multado em R$ 11 mil”, disse o empresário.

 

 

Mídia Max

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