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Família Vedoin envolve Serra na máfia das ambulâncias

15 Set 2006 - 13h49
Nesta semana, Darci Vedoin e seu filho, Luiz Antônio, sócios da empresa Planam, apresentaram documentos que comprovariam o envolvimento do candidato ao governo do Estado de São Paulo, José Serra, com a máfia que superfaturava a compra de ambulâncias com dinheiro da União. Segundo os Vedoin, durante as gestões de Serra e de Barjas Negri (seu substituto no Ministério da Saúde por conta das eleições) "o negócio era bem mais fácil e o dinheiro saía mais rapidamente". "Foi quando mais crescemos", garante Darci.

O empresário garantiu que a confiança no pagamento "era tão grande" que a Planam chegou a entregar "cento e tantas ambulâncias antes da verba ser liberada". Os documentos foram entregues ao MP, para a Justiça e também à CPI das Sanguessugas. A revista IstoÉ teve acesso aos papéis e os repórteres Mário Simas Filho e Biô Barreira assinam a reportagem da edição deste final de semana. A assessoria de José Serra informou que ele não vai se manifestar sobre o assunto.

Em meio aos documentos entregues pelos Vedoin se destaca uma relação de emendas, feitas no Orçamento da União, que mostram que a Planam foi beneficiada com a venda de 891 ambulâncias entre 2000 e 2004 - 70% delas pagas até o final de 2002, quando Barjas Negri - substituto de Serra, que saíra para disputar a eleição presidencial - deixou do Ministério da Saúde.

A denúncia inclui o aparecimento de um novo personagem na trama: Abel Pereira, empresário da construção civil em Piracicaba, hoje administrada por Barjas Negri. "O Abel falava em nome do ministro Barjas", relata Luiz Antônio Vedoin. "Quando o Serra era ministro as operações eram feitas por parlamentares. Quando o Barjas assumiu o comando do Ministério, Abel passou a ser o responsável pelos recursos, apesar de não possuir cargo algum naquela Pasta".

Nos documentos a que a IstoÉ teve acesso, aparecem cópias de pelo menos 15 cheques emitidos pela Klass, uma das empersas de Vedoin, que teriam sido entregues ao próprio Abel. No total, os cheques somam RS 601,2 mil.

No último ano da administração tucana, em 2002, foi o ano em que a Planam mais distribuiu ambulâncias para municípios - um total de 317. Há suspeitas de que os repasses tenham sido utilizados para pagar despesas de campanha presidencial de 2002.

"Somos culpados, mas não somos os maiores. A maior culpa é dos governos antigos que propiciaram isso tudo. Lamais liguei para parlamentares. Eles é que ligavam para mim", afirmou Darci Vedoin.

Depósitos
Nas vezes em que o dinheiro não era repassado diretamente para Abel, as empresas do grupo Planam faziam depósitos em contas de pessoas jurídicas ou físicas, indicadas pelo ministro. Há pelo menos seis depósitos feitos em contas de pessoas ainda desconhecidas no caso.

Entre os depósitos que mais chamaram a atenção dos integrantes da CPI dos Sanguessugas estão os destinados às empresas Kanguru Factoring Sociedade de Fomento Comercial, que encerrou suas atividades em 2003; à Datamicro informática e a Império Representações Turísticas.

Os nomes de Valdizete Martins Nogueira, de Jaciara (MT); Robson Rabelo de Almeida, da mesma cidade, e Mario J. Martignago, também estão entre os beneficiados.

 

Terra Redação 

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