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Em alta, Brasil desafia a altura nas eliminatórias para a Copa-2010

9 Out 2009 - 10h01Por Folha Online

A seleção brasileira terá no domingo a chance derradeira de perder seu "medo de altura" nas eliminatórias da Copa.

Desde que o torneio passou a adotar as mesmas regras e tabela, a partir do classificatório para o Mundial de 2002, o Brasil é o único país da região que não venceu em jogos disputados a mais de 2.500 m, o que acontece em Bogotá, Quito e La Paz, o local do confronto contra a Bolívia na penúltima rodada.

O país pentacampeão mundial e que domina o futebol continental nesta década (lidera as eliminatórias, já tem vaga na Copa de 2010 e é o atual bicampeão da Copa América) seria o lanterna de uma competição que computasse apenas os jogos na altitude pelas eliminatórias sul-americanas.

Foram sete jogos, com quatro empates, três derrotas (o que significa um pífio aproveitamento de 19%) e míseros três gols marcados, outro recorde negativo entre as sete seleções que só jogam como visitante acima de 2.500 m.

Até a Venezuela, onde a altitude é tão estranha para os jogadores quanto para os brasileiros, se sai melhor. Nestas eliminatórias, conseguiu triunfar em Quito e em La Paz.

Para Dunga, a estratégia para driblar a altitude é pensar o mínimo possível nela até a bola rolar no próximo domingo.

"A altitude é difícil, mas é difícil para as duas equipes. E, se você falar muito disso, atrapalha o lado psicológico. O que precisamos fazer também é mesclar uma equipe com experiência e qualidade técnica", falou o treinador, que se diz especialista em acabar com escritas.

Na sua gestão, o Brasil venceu o Uruguai em Montevidéu pela primeira vez em mais de 30 anos e bateu a Argentina como visitante pelas eliminatórias pela primeira vez.

"Estamos aqui para marcar nossa passagem pela seleção. Todos os tabus que a gente tiver a chance de quebrar, temos que fazer", declarou Dunga, que vai poupar alguns titulares na capital boliviana, apesar do discurso público dos atletas de que ninguém quer ficar de fora. "Estou aqui para jogar. Minha vontade é jogar sempre, ajudar a seleção", falou Kaká, antes de treinar entre os reservas.

Com seu péssimo retrospecto na altitude, o Brasil é o país sul-americano mais interessado na proibição de jogos internacionais nessas condições.

"Esse é um problema que a Fifa tem que olhar com carinho. Não é aconselhável a prática do esporte em altas altitudes, pois podemos ter um comprometimento mais grave [do atleta]", diz José Luiz Runco, médico da seleção brasileira.

Mesmo se o desejo de Runco não for concretizado, vai demorar para o Brasil voltar a jogar tantas vezes na altitude. Primeiro, por não precisar disputar as eliminatórias para a Copa de 2014, quando será a sede do torneio. Depois, porque o atual formato, principalmente pela ausência do Brasil na próxima edição, está em xeque.

É possível a volta do formato de grupos, o que diminuiria a quantidade de partidas em cidades acima dos 2.500 m.

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