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Brasil

Delcídio admite "favor" mas nega elo com empreiteira

21 Mai 2007 - 13h12

O senador Delcídio Amaral (PT) negou, hoje, que conheça o empresário Zuleido Veras, dono da empreiteira baiana Gautama, envolvida num esquema de fraude com verbas do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e do programa Luz Para Todos, ambos do governo federal.

Citado em uma gravação da Polícia Federal que o coloca próximo a Veras, preso na última semana juntamente com outras 45 pessoas, entre políticos, empresários e assessores parlamentares, Delcídio admitiu, ao site Folha Online, que foi beneficiado pelo empréstimo de um jatinho pertencente ao empresário, mas que não solicitou o favor diretamente ao empreiteiro.

O senador reconhece que viajou com o avião, em abril, de Brasília a Barretos, no interior de São Paulo, para acompanhar o enterro do sogro, mas que o jatinho foi intermediado por um amigo, Luiz Gonzaga.

"Não existe a possibilidade de eu ter pedido o avião a Zuleido (Veras). Eu pedi ajuda ao Luiz Gonzaga, mas não sei o que ele fez depois”, disse Delcídio, ao argumentar que não atuou diretamente na solicitação do jatinho, cuja viagem a Barretos e depois a Campo Grande teria custado R$ 24 mil.

Análise - A pedido da Procuradoria Geral da República, a Polícia Federal antecipou em um dia a análise dos documentos apreendidos na Operação Navalha para encaminhar ao Congresso as informações referentes a parlamentares que podem resultar em processos pelo Senado ou Câmara.

As atenções foram concentradas no material recolhido nos escritórios da empreiteira Gautama. Nele, segundo a Folha de S. Paulo apurou, há uma lista de presentes a funcionários públicos, além dos documentos citando deputados e senadores relacionados a dinheiro.

A intenção do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, é encaminhar a lista com os nomes dos parlamentares o mais rápido possível ao Congresso, mesmo sem pedido oficial dos presidentes das duas Casas.

Nas pastas apreendidas estariam listadas a contabilidade das obras da Gautama e a contabilidade paralela.

A PF já manifestou, porém, cautela na avaliação dos documentos, a fim de evitar expor nomes de políticos registrados pela Gautama, mas que não estariam envolvidos no suposto esquema de desvio de verba.

Na relação apreendida estariam relacionados mais de 30 funcionários públicos que teriam recebido "pequenos agrados" como gravatas e perfumes. Os presentes de maior valor atingiriam R$ 700. O código de conduta do funcionalismo público impede receber presentes acima de R$ 100. A pena é uma advertência. O valor das propinas somaria R$ 2,1 milhões.

Os documentos, boa parte apreendida em Salvador, na sede da Gautama, chegaram à sede da PF em Brasília no sábado à noite. Ontem, 20 agentes foram escalados para analisar a papelada, o que estava previsto para acontecer a partir de hoje.

 

 

Com Folha Online

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