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Custo da energia elétrica prejudica investimentos no Brasil

4 Abr 2011 - 09h19Por Correio do Estado

Espremidas pelos elevados custos da energia elétrica no Brasil, as indústrias de alumínio reduziram em 10% a capacidade produtiva no país nos últimos seis anos. “Fábricas de outros setores de uso intensivo de energia também estão fechando as portas”, alertou o coordenador da Comissão de Energia da Associação Brasileira da Indústria de Alumínio (Abal), Eduardo Spalding. Ele participou do seminário Energia Elétrica: Fator de Competitividade da Indústria, realizado nesta quinta-feira, 31 de março, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a Associação dos Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace).

De acordo com Spalding, os custos da energia praticamente dobraram nos últimos seis anos e hoje o Brasil tem a terceira tarifa mais cara do mundo. “Isso inibe investimentos e, se nada for feito, nos próximos dez anos haverá um aumento de mais de 20% no custo da energia industrial”, informou. Ele destacou que o custo de produção de uma tonelada de alumínio alcançava US$ 1.069 em 2003, e a conta de energia representava 33% desse total. Em 2008, o custo de produção saltou para US$ 1.991 a tonelada, em que 44% representavam os gastos com energia. “O preço da energia condena de forma inexorável a indústria”, disse Spalding, que também integra o Conselho Temático de Infraestrutura da CNI.

Segundo o presidente da Abrace, Paulo Pedrosa, além de contribuir para o fechamento de empresas no país, os elevados custos da energia elétrica comprometem o emprego e a renda dos brasileiros. Também pressionam a  inflação e prejudicam as exportações. “Todas essas variáveis têm uma correlação muito grande com o preço de energia”, completou Pedrosa.

Para ele, o primeiro passo para a redução da tarifa  é retirar a carga tributária e os encargos, que representam mais de 50% dos valores cobrados dos consumidores de energia.  O presidente da Abrace acrescentou que os custos dos programas sociais não devem ser repassados às contas de luz, mas absorvidos pelo orçamento da União. “Isso seria benéfico para o próprio governo, que poderia aumentar a arrecadação a partir de um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).”

Considerada pela CNI como um dos pilares da competitividade, a desoneração tributária e de encargos das tarifas de energia é a principal proposta do estudo Efeitos do Preço da Energia no Desenvolvimento Econômico – Cenários até 2020, feito pela  Fundação Getúlio Vargas (FGV) em parceria com a Abrace. De acordo com o coordenador do Projeto Energia Competitiva da FGV, Fernando Garcia, com a desoneração das tarifas, o Brasil pode crescer mais e acrescentar R$ 695 bilhões ao PIB até 2020. “Isso representa economia do tamanho da África do Sul e três vezes a do Chile”, informou Garcia.

Segundo ele, o custo de energia no Brasil cresceu  mais rápido do que no resto do mundo e isso trouxe graves consequências à balança comercial. “De exportador de alguns produtos, como material de construção, passamos a ser importadores, e hoje acumulamos um déficit de US$ 3 bilhões. Para conviver com uma taxa de câmbio valorizada, precisamos tomar outras providências para reduzir os custos e aumentar a competitividade.”

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