Menu
SADER_FULL
quinta, 13 de maio de 2021
Busca
Brasil

Criadores de búfalos querem ganhar espaço

19 Ago 2004 - 10h11

Com mais de três milhões de cabeças, segundo estimativas não oficiais, o Brasil tem o maior rebanho de búfalos do Ocidente. Para aproveitar o potencial do país na produção de derivados lácteos e no abate de animais, os produtores nacionais estão intensificando ações para melhorar a qualidade genética desse rebanho, incluindo a elaboração de projetos que serão enviados aos Ministérios da Ciência e Tecnologia e da Agricultura.

O objetivo é estruturar a cadeia produtiva de leite e carne, conseguir suporte para pesquisas e manejo, criar linhas de financiamento para capacitação técnica e de pessoal, além de obter apoio para um cadastramento nacional do rebanho. "Há uma demanda potencial interna e externa para os produtos derivados de búfalo, mas é preciso organizar a cadeia e desenvolver técnicas adequadas ao país", afirma o presidente da Associação Brasileira de Criadores de Búfalos (ABCB), Otávio Bernardes.

Segundo ele, o primeiro dos projetos que serão apresentados ao Ministério da Agricultura envolve o cadastramento nacional do rebanho bubalino do país. "Deveremos iniciar o cadastramento em novembro, durante exposição na Bahia. Esse levantamento terá apoio das associações estaduais e começará com ou sem o apoio do ministério", garante Bernardes. Um dos objetivos é "corrigir" as estatísticas do governo, que apontam um rebanho brasileiro de apenas 1,2 milhão de cabeças.

Cálculos da ABCB mostram que a receita potencial gerada com o abate anual de cerca de 23% do rebanho nacional é de R$ 800 milhões. O potencial de faturamento anual no caso da produção de leite (considerando um milhão de matrizes) é de R$ 1 bilhão. Apesar desses números, o segmento não trabalha com dados confiáveis. A razão está no grande número de laticínios informais e na venda de carne de búfalo como se fosse de boi.

Isso acontece em razão da maior alíquota de ICMS, que chega a 17% contra 4% do gado bovino em alguns Estados, e da falta de conhecimento do mercado sobre a carne de búfalo. Cerca de 90% dela, hoje, são comercializadas como sendo bovina. Alguns Estados, como Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Bahia, já têm, contudo, produtos rotulados como de origem bubalina.

"O consumidor ainda prefere a carne de boi. Como praticamente não há diferença de uma para outra, muitos produtores acabam vendendo a carne de búfalo como sendo bovina", explica Bernardes.

O cadastramento do rebanho associado a uma campanha de marketing e conscientização serviria para regularizar a venda da carne. A integração com o Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina (Sisbov) também é uma opção para melhorar a qualidade dos dados.

Outros projetos envolvem o desenvolvimento de pesquisas de melhoramento genético do rebanho bubalino, além de questões relativas ao manejo, criação de núcleos regionais para capacitação técnica e de processos de produção de derivados lácteos, criação de linhas de financiamento para capacitação e processos produtivos; desenvolvimento de tecnologias para melhoria da produtividade industrial e a publicação de material específico sobre o tema.

Com apoio do governo, os produtores esperam exportar matrizes para outros países da América do Sul, como a Venezuela. "Por falta de protocolo sanitário não podemos exportar matrizes", diz.

Deixe seu Comentário

Leia Também

NOVA INFECÇÃO
Covid-19: após 3 semanas de queda, casos de coronavírus avançam no Brasil puxados por 9 Estados
TRISTEZA NA FAMILIA
Seis pessoas da mesma familia morrem vítimas da Covid-19
NOVAS REGRAS
WhatsApp: o que acontece se você não aceitar novas regras do aplicativo até 15 de maio
FAMOSIDADES
Pai da campeã do 'BBB 21' Juliette vive em casinha de barro na Paraíba
CACHAÇA
Jovem enfia garrafa no ânus durante bebedeira e vai parar no hospital
ESCALADA DA VIOLÊNCIA
Operação mais letal da história deixa 25 mortos no Jacarezinho
VITIMA DO MASSACRE
'Fiquei vendo costurarem os ferimentos. Chorava, orava e agradecia por ele estar vivo, diz mãe
FRIO - FÁTIMA DO SUL NOVA ONDA DE FRIO
Frio de origem polar começa a ser sentido novamente e terá geada
TERROR NA CRECHE
Sob forte emoção moradores de Saudades realizam velório coletivo das vítimas do ataque à creche
CHEGANDO FORTE
Frio chega com força e provoca geada no Sul