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PONTA PORÃ

Comerciante denuncia hospital regional de Ponta Porã

Vítima alega ter sido agredida verbalmente por médico plantonista do Hospital Regional

11 Mai 2011 - 09h57Por Mercosul News

A comerciante Dulce Pereira Costa da Silva, 45 anos, denunciou ontem em entrevista ao Jornal da Praça, ter sido vítima agressões verbais por parte do médico Cirilo González González, plantonista do Hospital Regional ‘Dr. José de Simone Neto’, de Ponta Porã, e também de uma enfermeira da unidade, quando acompanhava seu pai em uma internação. Ela disse que sua mãe sofre de mal de Alzheimer e seu pai é diabético e hipertenso.

Ambos, segundo ela, são aposentados e, por esta razão, precisou levar seu pai ao hospital regional. Contou que ao chegar em casa percebeu que seu pai não estava bem, com a pressão a 19 e, falando com a agente de saúde que trabalha na área, esta a orientou a levá-lo a um posto de saúde. Ela passou pela unidade e em razão da pressão do idoso ter passado de 21, foi orientada a levá-lo imediatamente ao hospital.

Ela disse que chegou por volta das 16h e após o atendimento, foi informada que seu pai ficaria internado para tomar soro. Ela então aproveitou para ir em casa deixar os filhos e, ao retornar, próximo das 18h, foi maltratada por uma enfermeira, que a teria tratado com rispidez, perguntando-lhe se ela ficaria com o pai. Em seguida, disse ter se deparado com o médico plantonista mal humorado, nervoso por, segundo ela, “dobrar plantão”.

“Ele começou a gritar comigo no corredor, até ameaçou me denunciar à Promotoria e me enquadrar no Estatuto do Idoso, por suposto abandono por eu ter me ausentado para deixar meus filhos em casa”, conta. Segundo a comerciante, ela ainda chamou o médico para conversar numa sala, para evitar nervosismo aos outros pacientes que assistiam à gritaria do clínico.

“Ele entrou, mas antes de eu terminar de explicar o problema de meu pai, me deu as costas e saiu, me deixou falando sozinha; fui atrás dele, que entrou em outra sala e bateu a porta na minha cara”, reclama a comerciante. “Ele discutiu comigo na frente do meu pai enfermo, nem se preocupou com a saúde dele”, frisa. “Eles não se preocupam com as pessoas que estão ali”, argumenta.

E continuou dizendo que “na hora de pagar imposto e multar são eficientes, passei três dias lá com meu pai, enfrentando pessoas sem educação para atender, às vezes nem médico havia, ninguém lhe dá informação, você fala e nenhum funcionário responde nada, isso é uma vergonha para nossa cidade, deveriam pelo menos ter um pouco de educação”, assevera.

Ainda de acordo com Dulce da Silva, a pressão de seu pai chegou a 26, “um risco para infarto ou derrame”, diz ela. A comerciante reclamou que o hospital “não tem nada, colocam as pessoas para dentro só para dizer que estão atendendo, aquilo lá é um lixo, muito fedor, os banheiros em situação deplorável. Eu não quero que outra pessoa passe pelo que passei”, diz ela indignada.

Para piorar a situação, após o desentendimento com o médico, as atendentes do hospital regional chamaram a Polícia Militar, alegando que a comerciante havia ‘desacatado os funcionários’. “Eles [hospital] se estão preocupados em criar outros problemas; os policiais me conhecem, há mais de 13 anos tenho comércio na cidade, pago meus impostos e fui aconselhada por um dos policiais a retirar meu pai do hospital, para ele não morrer”.

Dulce Costa da Silva foi obrigada a se dirigir ao 1º Distrito Policial para assinar o boletim de ocorrência da PM, onde ficou das 21h até 1h da madrugada, até ser liberada pela escrivã. “Disseram-me na delegacia que toda hora está acontecendo isso”, lamentou. Ela terá agora de enfrentar audiências no Fórum para se defender as acusações do hospital.

Segundo a comerciante, a cidade precisa de um “homem de Deus, alguém que conheça a palavra de Deus, pois com esses que hoje administram nosso município, estamos perdidos”. Ela argumenta que como pessoa instruída, ainda sabe se defender. “Fico pensando o que têm sofrido os humildes”, afirma. Para ela, o médico deveria ter pelo menos educação.

“Ser pobre, honesto e trabalhador não é defeito, quero que todos saibam o que está acontecendo lá no hospital regional, aquele hospital precisa de gestão, de pessoas que saibam administrar, que tenham educação. Por causa desse incidente tive que tirar meu pai do hospital”, conclui.

HOSPITAL

Após algumas ligações, a reportagem conseguiu falar com a administradora do hospital regional, senhora Arminda Maria de Oliveira. Ela consultou o livro de ocorrências da unidade médica e confirmou que realmente houve um desentendimento do médico e de funcionários com a acompanhante de um paciente, de 68 anos, na noite do dia 3.

Informou que de acordo com os registros, o paciente aguardava reavaliação médica quando houve o incidente, iniciado quando uma enfermeira “perguntou à filha do paciente se era ela quem ficaria com o pai e ela respondeu que não, indo pedir informações ao médico, quando então começou a gritar, chamando todos de ‘cavalos’, que era ela quem pagava o salário deles”.

Arminda Oliveira explicou que com o registro do boletim de ocorrência “o caso será resolvido entre as partes envolvidas e a polícia”. Quanto à sujeira, a administradora afirmou que o prédio está em reforma e por isso “não pára nada limpo”, e que às vezes, por essa condição [reforma] o serviço de limpeza “não aparece”. Não foi possível falar com o médico na tarde de ontem, pois não estava no plantão então só passa pelo hospital pela manhã e às 17h. Outros dois clínicos estavam de plantão ontem.

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