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Cientistas fertilizam óvulo sem precisar de esperma

6 Dez 2004 - 10h20
Cientistas britânicos encontraram uma forma de fazer óvulos humanos agirem como se tivessem sido fecundados sem usar esperma, segundo um estudo publicado na revista New Scientist.

A equipe da Universidade de Cardiff diz que a técnica poderia proporcionar uma forma mais ética de gerar células-tronco, células que podem assumir qualquer função no corpo humano, tidas como uma solução possível para uma série de doenças.

O fato de os embriões não terem cromossomos paternos significa que eles não podem se transformar em um bebê. Seria, portanto, uma técnica alternativa ao polêmico uso de embriões humanos.

O processo consiste em usar uma enzima encontrada no esperma, chamada de PLC-zeta, para provocar a divisão do óvulo.

Tratamentos de fertilização

Os pesquisadores acreditam ainda que a técnica poderia ajudar em tratamentos de fertilização em casais em que o esperma do homem tem pouco dessa enzima.

"Pode ser que nós consigamos usar esta enzima para tratar casais cuja única opção atualmente é utilizar esperma doado", afirma uma das autoras do estudo, Nazar Amso, do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Universidade de Cardiff.

Amso ressalta que é cedo para saber o que pode ser feito com a técnica, mas diz que se trata do "início de caminhos de pesquisa muito promissores".

O estudo, que também foi publicado na revista científica Reproduction, mostrou que os óvulos tratados com PLC-zeta continuaram se dividindo por um período de quatro a cinco dias.

Em embriões fertilizados, é neste período que são extraídas as células-tronco e os pesquisadores acreditam poder fazer a mesma coisa com os óvulos tratados com a PLC-zeta.

Há uma série de equipes de cientistas tentando desenvolver novas técnicas de criar células embrionárias não-diferenciadas.

Os cientistas da Universidade de Cardiff, liderados por Karl Swann, descobriram que os embriões parecem passar pelas mesmas mudanças que os óvulos naturalmente fertilizados, sugerindo que eles também seriam capazes de produzir células-tronco.

"Há uma série de vantagens potenciais, incluindo a possibilidade de gerar células-tronco embriônicas, sem a necessidade de usar embriões que foram criados para um casal em tratamento de fertilização in vitro", afirma Nazar Amso.

O especialista em fertilidade Simon Fishel disse que já é possível provocar a divisão do óvulo usando produtos químicos, mas definiu como "fabuloso" o fato de a equipe de Cardiff ter descoberto um detonador biológico para o processo.

"Eu os saluto pela habilidade de isolar esta enzima", afirmou Fishel. "Isso oferece ótimas possibilidades para o futuro das pesquisas com células-tronco."

Ele lembra, no entanto, que mais pesquisas terão ser feitas para assegurar que essas células não serão rejeitadas pelo indivíduo que vai recebê-las.

O estudo foi recebido com ainda mais resistência pela organização Comment on Reproductive Ethics, que considera anti-ético o uso de embriões humanos.

"Eu ficaria mais feliz se não houvesse dúvida de que esses embriões não poderiam se tornar uma vida humana", afirmou Josephine Quintavalle, uma representante da organização.
 
 
Folha Online

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