Menu
FARMÁCIA_CENTROFARMA_FULL
quarta, 3 de março de 2021
SADER_FULL
Busca
Brasil

Carta deixada por atirador mostra conteúdo delirante típico de mente psicótica, diz psic

11 Abr 2011 - 06h44Por Agência Brasil

A carta deixada por Wellington Menezes de Oliveira, o autor do massacre de alunos da Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, zona oeste do Rio, tem um conteúdo delirante, característico de uma mente psicótica, na qual é comum a pessoa incorporar elementos culturais de cada época, como as referências religiosas.

A análise é do psicólogo Alexandre Passos, que atua há 20 anos no tratamento de doentes mentais na rede pública do Rio. “O delírio, segundo a interpretação da teoria freudiana, é uma tentativa de reconstrução de laços perdidos.

Nesse sentido, a questão da religião não comparece como modus operandi [expressão latina que quer dizer modo de operação] ou causal desses fenômenos, mas apenas incorporada dentro do delírio dele”, explica.

Para o psicólogo, mais do que vinculados a qualquer religião, os rituais descritos por Wellington na carta estão mais relacionados à questão da castidade.

“Ele se coloca como uma pessoa virgem, que não pode ser tocada por pessoas impuras, o que, segundo essa concepção, seriam aquelas que praticaram sexo antes do casamento”, observou Passos.

Com base em sua experiência, Passos considera que, no caso de Wellington, faltou um devido acompanhamento terapêutico.

“O mais importante a ressaltar neste momento é que o Wellington não é apenas um monstro. Essa visão apazigua a sociedade.

Todas as questões são centradas nele, mas o fato, a rigor, é que ele era um doente mental sem tratamento. Faltou um olhar em direção a vários sinais que ele vinha emitindo desde a infância e a adolescência, como introversão e isolamento pessoal.”

Para o psicólogo, se esses sinais tivessem sido, ao longo do tempo, devidamente observados e tratados, a história de Wellington poderia ter outro desfecho.

“Quem sabe se um psicólogo ou psicanalista poderia manejar o curso desse delírio e impedir que ele se desencadeasse dessa forma?”, indaga.

Há dez anos também atuando como psicólogo forense no sistema prisional fluminense, Passos explica que o massacre praticado por Wellington se distingue dos mais comumente executados por doentes mentais.

“Geralmente, em crimes desse tipo, o autor responde a vozes de comando, alucinações etc.

Mas, no caso dele, a ação foi premeditada, embora dentro do curso de um delírio, no qual ele não era possuidor de um juízo crítico, consequente.”

Passos observou ainda que é curioso o fato de a carta ser correta do ponto de vista gramatical e semântico.

“Mas, do ponto de vista pragmático, está dissociada da realidade”, afirma.

Deixe seu Comentário

Leia Também

100 TRÉGUA
Brasil registra 1.726 mortes em 24 horas e bate novo recorde na pandemia; total chega a 257,5 mil
EXECUÇÃO NA MADRUGADA
Dona de bar é degolada e corpo encontrado nos fundos do estabelecimento
ESTUPRO DE VULNERÁVEL
Filho de fazendeiro reclama de dor anal e mãe descobre estupro cometido por funcionário
BOA NOTICIA
Governo zera PIS e Cofins do diesel e do gás de cozinha
RIGOR DA LEI
Cidade vai multar em até R$ 60 mil quem descumprir decreto de combate ao Covid-19
PANDEMIA 100 FIM
Brasil tem 30.484 mortes por Covid-19 em fevereiro, 2º maior número em toda a pandemia
charge_gasolina 100 TRÉGUA
Facada: Petrobras anuncia novo aumento nos preços da gasolina e diesel
CARCERE PRIVADO
Homem é preso por cárcere privado e violência doméstica após mulher pedir socorro com foto nas redes
NOVO AUXILIO
Presidente afirma Auxílio emergencial deve voltar em março, com parcelas de R$ 250
ALERTA EPIDEMIOLÓGICO
Covid-19: Brasil registra 1.541 mortes em 24 horas