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Brasil

Caos na aldeia é "destaque" nacional em Dourados

1 Fev 2011 - 08h18Por Dourados Agora

Num espaço de quatro meses, a cidade de Dourados foi destaque de forma negativa no Programa do Fantástico, da Rede Globo. A primeira vez foi em setembro passado, com a prisão do então prefeito Ari Artuzi, secretários e empresários. Anteontem veio à tona os problemas sócio econômicos vivenciados pelos indígenas das aldeias Jaguapiru e Bororó e fronteira.

Prostituição, drogas e violência foram as temáticas abordadas pela reportagem do Fantástico durante entrevistas com indígenas em Dourados e Ponta Porã. O caos divulgado em rede nacional não é novidade para quem conhece de perto a realidade dos índios, pelo menos os que moram em Dourados. Localizadas a três quilômetros da cidade, as aldeias Jaguapiru e Bororó são as que mais apresentam conflitos de desestruturação familiar.

Problemas antes presenciados na cidade agora tornaram-se rotina entre os indígenas. A forte presença de drogas é um dos principais entraves que desencadeiam os conflitos familiares, conforme avalia o cacique Renato de Souza, da tribo Guarani. Dourados possui outras duas tribos: Caiuá e Terena.

“Quem usa droga acaba trazendo problema para dentro de casa. É o pai que agride a mãe e os filhos. É o filho que rouba as coisas de dentro de casa para trocar por drogas. Surge aí as mortes, a violência”, diz Renato de Souza.

O cacique afirma que os indígenas sabem quem são as pessoas que usam drogas. “Já falei inclusive com a Funai (Fundação Nacional do Índio) sobre esse problema que a cada dia cresce entre a gente. Muitas mães inclusive vem até mim para procurar algum tipo de ajuda, mas é difícil de lidar com isso”, comenta.

Sem policiamento ostensivo, a aldeia é uma terra sem lei. Por lá circulam motos sem placas, pilotadas por crianças. O PROGRESSO já denunciou esse tipo de irregularidade em reportagens. Muitas motocicletas são produtos de furto. “O branco vem oferecer aqui para nós tudo quanto é tipo de coisa. Muitos índios acabam aceitando e se perdem na vida”, lamenta o cacique Renato.

ESPERANÇA

A expectativa de encontrar uma vida melhor é o desejo dos mais de 13 mil indígenas que vivem nas aldeias de Dourados. Entre as saídas consideradas certeiras é o investimento na educação. Cursar faculdade e ter uma profissão já é uma realidade consolidada entre os Guarani/Terena/Caiuá.

Wilson Matos é um dos indígenas que apostou na educação e venceu na vida. Ele é o primeiro índio bacharel em Direito de Mato Grosso do Sul. Formado em 2003, é atualmente advogado e consultor jurídico do Observatório de Direitos Indígenas (Odin). Porém, a inserção do indígena no mercado de trabalho não é uma tarefa fácil.

“Quem é formado em licenciatura consegue trabalho nas escolas da aldeia. Já quem é das áreas onde o mercado de trabalho é na cidade, torna-se bem mais difícil”, diz Wilson Matos. Para ele, “a educação é um mal necessário porque tira o indígena da sua originalidade e o transfere para outra cultura. Por outro lado a educação é a transformação de qualquer povo.

O que precisamos é de políticas públicas que possam atender a comunidade indígena no que diz respeito a inserção no mercado de trabalho”, avalia o advogado. Ele estima que nas aldeias de Dourados têm em média 200 índios com formação superior.

TERRA

Mato Grosso do Sul tem a segunda maior população indígena do país, cerca de 70 mil pessoas divididas em várias etnias. Apesar disso, somente 0,2% da área do estado é ocupada por terras indígenas. As áreas ocupadas pelas lavouras de soja e cana são respectivamente dez e trinta vezes maiores que a soma das terras ocupadas por índios em Mato Grosso do Sul.

Em Dourados, a reserva tem cerca de 3.600 hectares. A densidade demográfica é de 0.3 hectares/pessoa, sendo considerada por especialistas como um confinamento humano, por ser impossível a reprodução da vida social, econômica e cultural.

O cacique Renato de Souza diz que os índios mais velhos querem terra para plantar e os mais novos preferem estudar ou levar uma vida de branco da cidade. No entanto, o problema da terra é grave. Muitos dos indígenas arrendaram suas áreas para pessoas não-índias. Outros cultivam alguns alimentos para subsistência, mas é na ajuda de programas sociais do governo que encontram uma forma de sobrevivência: direito a alimentação.

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