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Bush e Kerry trocam farpas na Internet

5 Jul 2004 - 10h09
O vídeo do presidente dos EUA, George W. Bush, que usa imagens de Hitler para criticar seu adversário John Kerry, mostra até que ponto a Internet se transformou numa poderosa arma eleitoral, barata e difícil de ser controlada. Os candidatos à presidência dos EUA lançaram na rede uma artilharia pesada para tentar a vitória nas eleições de novembro, com vídeos como "A coalizão dos temerosos", apresentado no site de Bush.

O vídeo, que não está mais disponível no site e foi enviado por e-mail pelo Partido Republicano a seis milhões de simpatizantes, ofende Kerry, outros democratas de destaque, como Al Gore e Howard Dean e, inclusive, o cineasta Michael Moore, diretor do polêmico filme Fahrenheit 9/11. A propaganda de 87 segundos, que começa com a mensagem "as faces do partido democrata de John Kerry", mostra duas vezes a imagem de Adolf Hitler discursando em alemão.

Bush começou a atacar seu adversário em fevereiro, com um vídeo intitulado "Sem princípios", no qual criticava os favores com os quais Kerry supostamente agradeceria as contribuições para sua campanha. No site do Comitê Republicano Nacional, o internauta pode jogar o "Kerryopoly", uma versão peculiar do clássico Monopoly, na qual o jogador passa saltando pelas várias propriedades do democrata (a maioria pertencente a sua mulher, herdeira do império do molho Ketchup graças ao seu primeiro casamento).

O "Kerryopoly" também ironiza algumas despesas do senador do Massachusetts, como um corte de cabelo por mil dólares, uma bicicleta de 8 mil e o dinheiro gasto nos passeios em seu imponente iate. Os republicanos também o ridicularizam com histórias em quadrinhos com um magérrimo Kerry, com aspecto de lagartixa vestida de fraque.

Os democratas também não ficaram para trás. O site da campanha de Kerry inclui, por exemplo, o vídeo "O tempo acabou", no qual um contador eletrônico enumera as promessas que Bush não cumpriu conforme os dias passam. Outro "webmercial" de um minuto chamado "O primeiro orçamento de Bush" utiliza animação de computador para zombar dos planos orçamentários de Bush, que aparece como um colegial em apuros para resolver simples contas de adição e subtração.

Estes vídeos confirmam que a Internet não só serve para mobilizar os constituintes ou arrecadar fundos, mas também para mudar o cenário eleitoral. O ciberespaço é muito mais barato que a televisão, os anúncios podem ter qualquer tempo e não estão submetidos à avaliação dos canais de TV nem, aparentemente, às leis de campanha.

"Você faz um anúncio, coloca numa página da web e não tem se pagar por um espaço na televisão", disse ao Los Angeles Times Carol Darr, diretora do Instituto para Política e Internet da Universidade George Washington. "Se for suficientemente escandaloso, será exibido também pelos meios tradicionais", acrescenta Darr.

Ainda há a vantagem de os anúncios na Internet não exigirem que os candidatos dêem explicitamente sua aprovação, diferentemente do que ocorre nos meios tradicionais, onde, em virtude de uma lei promulgada no ano passado, devem aprovar a publicidade de suas campanhas.

No entanto, isso poderia mudar em breve, já que dois senadores, um republicano e outro democrata, propuseram no mês passado uma medida para que estes regulamentos também sejam aplicados na Internet.

 

EFE

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