Menu
FARMÁCIA_CENTROFARMA_FULL
sábado, 8 de maio de 2021
Busca
Brasil

Brasileiros descobrem que o ar pode gerar energia elétrica

28 Ago 2010 - 09h12Por Agência Fapesp

Um experimento realizado por cientistas brasileiros demonstrou que a água na atmosfera pode adquirir cargas elétricas e transferir energia para outros materiais. Com essa descoberta, os cientistas tentam agora desenvolver técnicas para coletar a eletricidade diretamente do ar, que seria utilizada para abastecer residências, fábricas e até veículos.

 

Durante muito tempo a ciência considerou que as gotículas de água na atmosfera eram eletricamente neutras. Para demonstrar o contrário, os pesquisadores do Instituto de Química da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) utilizaram partículas minúsculas de sílica e de fosfato de alumínio. A equipe descobriu que, na presença de alta umidade, a sílica se torna mais negativamente carregada, enquanto o fosfato de alumínio ganha carga positiva.

O nome que os cientistas deram para essa energia, segundo o coordenador do estudo, o professor Fernando Galembeck, foi “higroeletricidade”.

- Com um dispositivo simples, conseguimos verificar que é possível gerar voltagem a partir da umidade do ar. Essa prova conceitual poderá abrir caminho, no futuro, para que se possa usar a eletricidade da atmosfera como uma fonte de energia alternativa. Mas ainda não podemos prever quanto tempo levará para desenvolver uma tecnologia desse tipo.

O pesquisador, que coordena o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) em Materiais Complexos Funcionais, apresentou os resultados do estudo na quarta-feira (25), durante a reunião da American Chemical Society (ACS), em Boston (EUA).

Segundo Galembeck, relatos experimentais do século 19 já consideravam esse fenômeno. No entanto, a ciência ainda não tinha conseguido descrever os mecanismos do acúmulo e da dissipação das cargas elétricas.

- Mostramos que a adsorção (retenção) do vapor de água sobre superfícies de materiais isolantes ou de metais isolados – protegidos em um ambiente blindado e aterrado – leva à acumulação de cargas elétricas sobre o sólido, em uma intensidade que depende da umidade relativa do ar, da natureza da superfície usada e do tempo de exposição.

O grupo da Unicamp percebeu ainda que, além da sílica e do fosfato de alumínio, outros metais também podem adquirir carga.

Longo caminho para a tecnologia

Segundo Galembeck, há um longo caminho pela frente para que essa demonstração de conceito se transforme um dia em aplicações tecnológicas, como dispositivos que coletem a eletricidade do ar e a direcionem para equipamentos elétricos nas casas, de forma semelhante aos painéis que transformam a luz solar em energia.

- De um ponto de vista conservador, eu diria que estamos mais ou menos no ponto em que a energia fotovoltaica estava no começo do século 20. Sabemos que hoje a energia solar tem algumas aplicações, mas a maior parte delas ainda tem alto custo. De uma perspectiva mais otimista, eu diria que o uso da higroeletricidade dependerá essencialmente do desenvolvimento de novos materiais, que é cada vez mais acelerado com os recursos da nanotecnologia.

No momento, os cientistas têm duas tarefas principais para fazer com que um dia a nova tecnologia se torne realidade: a identificação dos melhores materiais e a obtenção de dados para aperfeiçoar a técnica de captura da energia elétrica

- Estamos agora trabalhando no levantamento de dados a partir dos materiais que sabemos que funcionam. Por enquanto, são materiais simples como alumínio, aço inox e latão cromado. Provavelmente, não serão esses os materiais usados nos dispositivos do futuro, mas o fundamental agora é fazer o levantamento de dados.

Deixe seu Comentário

Leia Também

ESCALADA DA VIOLÊNCIA
Operação mais letal da história deixa 25 mortos no Jacarezinho
VITIMA DO MASSACRE
'Fiquei vendo costurarem os ferimentos. Chorava, orava e agradecia por ele estar vivo, diz mãe
FRIO - FÁTIMA DO SUL NOVA ONDA DE FRIO
Frio de origem polar começa a ser sentido novamente e terá geada
TERROR NA CRECHE
Sob forte emoção moradores de Saudades realizam velório coletivo das vítimas do ataque à creche
CHEGANDO FORTE
Frio chega com força e provoca geada no Sul
TERROR EM CRECHE
Jovem invade escola e mata três crianças e duas funcionárias
PÉSSIMA PROJEÇÃO
Covid-19: Brasil deve alcançar 575 mil mortes em 1º de agosto, diz instituto
SONHO INTERROMPIDO
Jovem perde noivo para a Covid-19 no dia do casamento: 'Nossos sonhos ficaram para trás'
PANDEMIA CORONAVIRUS
Triste número: Brasil ultrapassa 400 mil mortes por Covid-19
REVOLTA
Pastor zomba da fé dos indígenas Trukás que revoltados quebram templo em construção; veja o vídeo