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Brasil trata 50% dos 500 mil novos casos anuais de catarata

9 Dez 2009 - 06h02Por G1

A catarata, uma doença tratável e reversível, é a principal causa de cegueira no mundo e em nosso país. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 48% das pessoas que deixam de enxergar são portadoras de catarata. O problema é que quase a metade dos cidadãos brasileiros que precisa de tratamento para esse problema não o encontra no Sistema Único de Saúde.

A catarata é a opacificação do cristalino, uma estrutura que fica dentro do olho humano e funciona como uma lente que ajuda a focalização das imagens. Essa lente natural contém uma mistura de líquidos e proteínas que permitem a passagem da luz, e o ajuste do foco é feito por meio de modificações na sua forma, comandadas por músculos de dentro do olho.

Com o envelhecimento, e pela ação de fatores externos, as proteínas dentro do cristalino começam a formar grumos (grãos minúsculos), o que impede a passagem da luz, comprometendo a capacidade visual dos indivíduos.

No setor da saúde suplementar, as cirurgias de catarata são realizadas em frequência muito maior do que no setor público

Além da passagem do tempo, a exposição aos raios ultra-violeta, doenças como diabetes e colesterol alto, tabagismo e uso excessivo de álcool contribuem para o surgimento da catarata.

O cristalino que vai ficando opaco causa uma diminuição progressiva da visão com um borramento inicial das imagens que vai progredindo. As cores vão ficando menos nítidas até que a pessoa não enxergue mais.

O tratamento, inicialmente, pode ser feito com lentes corretivas – que vão se tornando cada vez mais potentes –, porém a solução é cirúrgica. A retirada do cristalino que deixou de ser transparente e a colocação de uma lente dentro do olho consegue reparar a visão, muitas vezes de forma total.

O problema está na falta de disponibilidade desse tratamento na rede pública de saúde. O próprio Ministério da Saúde registra algo em torno de 500 mil novos casos de catarata por ano e realiza somente cerca de 250 mil cirurgias, deixando a cada ano metade dos pacientes para trás.

O índice brasileiro de tratamento de catarata é de 2 cirurgias para cada mil habitantes. A OMS estabeleceu como meta que fossem realizadas pelo menos 3 cirurgias para cada mil habitantes a cada ano. Por essa conta simples, podemos avaliar a demanda reprimida que vai se acumulando a cada ano que passa.

Pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) revelou que somente 60% dos tratamentos necessários são realizados. Se levarmos em conta que somente foram listados pacientes com catarata avançada, se todos os pacientes que deveriam ser tratados fossem avaliados, o déficit se mostraria ainda maior.

No setor da saúde suplementar, as cirurgias de catarata estão na lista de procedimentos cobertos e são realizadas habitualmente em uma frequência muito maior do que no setor público, gerando mais uma distorção do nosso sistema de saúde como um todo.

Diante do envelhecimento da população brasileira, comprovado por dados do IBGE, os números da catarata mostram claramente que os desafios que vêm junto com o aumento da expectativa de vida só tendem a crescer no país.

 

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