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Bolívia prepara golpe contra o Brasil no setor petroquímico

1 Nov 2006 - 08h24

O plano de industrialização do gás natural, próximo passo da política petrolífera do governo Evo Morales, é o novo golpe contra a Petrobrás. A iniciativa pode jogar por terra o plano da Petroquisa, subsidiária da Petrobrás no setor petroquímico, e da Braskem, do Grupo Odebrecht, de construir uma unidade de polietileno (matéria-prima para o plástico) na fronteira entre os dois países, em Corumbá (MS).

Fonte diplomática diz que esse assunto é, potencialmente, o maior conflito entre Brasil e Bolívia. A estratégia boliviana será possível apenas se o gás natural entregue à Petrobrás for empobrecido, com a retirada de frações nobres, como o propano, o butano e o etano. Para isso, a Bolívia precisa renegociar as especificações do produto com a companhia brasileira ou descumprir o contrato de fornecimento, que expira apenas em 2019.

A decisão compromete o projeto bilionário de construção de unidade petroquímica, além da perda de receitas anuais que seriam injetadas no Brasil, de aproximadamente US$ 1,5 bilhão, com a venda da produção de resina de polietileno. A Petrobrás, líder do projeto, não falou sobre o assunto. Recentemente, disse que não conhecia o projeto boliviano.

A petroleira venezuelana PDVSA e a YPFB (Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos) prometem iniciar em novembro a construção da unidade processadora de gás que retirará uma das principais matérias-primas da indústria petroquímica, o etano. O insumo representa 2% da composição do gás natural, mas, com o volume de 30 milhões de metros cúbicos importados diariamente pelo Brasil, há escala para uma unidade petroquímica.

O insumo abastece a indústria produtora de polietileno, a resina mais consumida na indústria de transformação de plásticos. O produto está presente numa infinidade de itens de consumo, desde o copo descartável até peças para automóveis ou aviões.

A Braskem é a líder latino-americana em polietileno, com produção superior a 800 mil toneladas por ano e conta com esta matéria-prima (o etano) para a produção anual de 1,2 milhão de toneladas da resina a partir de 2010. "Sem o etano que segue hoje para o Brasil misturado ao gás natural, esse plano da Braskem e da Petrobrás não se viabiliza. Não existe insumo suficiente para dois projetos petroquímicos; ou é um, ou é outro", explica Carlos Miranda Pacheco, um dos maiores especialistas no setor petrolífero e ex-ministro de Hidrocarbonetos da Bolívia.

 

 

Estadão

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