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Brasil

Bolívia pode estender negociações com Petrobras

25 Out 2006 - 07h12
O ministro boliviano de Hidrocarbonetos, Carlos Villegas, disse que é "prematuro" descartar a possibilidade de abrir exceção e ampliar o prazo, que vence neste sábado, para a assinatura dos contratos de nacionalização das petroleiras instaladas na Bolívia, entre elas a Petrobras.

"Apesar de tantas discussões sobre o dia 28, é prematuro dizer o que vai acontecer", afirmou. "Estamos negociando como diz o decreto de nacionalização. E estamos negociando com todas as empresas."

As declarações de Villegas foram feitas durante entrevista ao Canal 7, a televisão estatal, na noite de terça-feira. Quando a jornalista insistiu sobre a possibilidade de ampliação do prazo ou de exceção (para empresas) desta data, ele reiterou: "é prematuro dizer".

As palavras de Villegas devolveram certo otimismo aos negociadores brasileiros.

"Com isso ele parece estar abrindo a porta para adiar esse prazo. Se não, ele teria dito não e pronto", afirmou um diplomata brasileiro que acompanha as negociações de perto.

Petrobras
Após um dia inteiro de negociações, não houve entendimento entre o presidente da Petrobras Bolívia, o brasileiro José Freitas, e representantes da estatal YPFB. As discussões continuarão em La Paz nesta quarta-feira.

Foi um dia tenso para os envolvidos nas negociações, surpreendidos com a publicação no jornal La Prensa, de La Paz, do modelo do contrato de nacionalização que as petroleiras deveriam assinar no sábado.

Entre as novidades, surgiu a informação de que as transnacionais de petróleo terão de passar seus bens à YPFB. E que, em caso de arbitragem internacional, ela se dará na Bolívia, e não mais na França ou na Holanda, como determina a legislação em vigor desde o governo de Gonzalo Sánchez de Lozada.

Um assessor da Petrobras Bolívia, falando de Santa Cruz de la Sierra, disse que é "matematicamente impossível" chegar a um entendimento antes do sábado. "Se a Petrobras aceitar as imposições do governo boliviano, ainda assim terá que sentar para conversar com outras empresas (Repsol e Total) com as quais tem investimentos nos dois maiores campos do país", disse o assessor.

"Sem suas próprias instalações e com apenas 18% da sua receita, por que a Petrobras permaneceria na Bolívia?", completou, referindo-se ao decreto - que determina que a Petrobras deve entregar 82% da sua receita ao Estado boliviano.

Nos bastidores das empresas e entre os negociadores brasileiros, ouvem-se queixas sobre o constante "ziguezague" do governo do presidente Evo Morales. "Cada dia temos uma informação diferente. Já não sabemos mais o que dizer. Se as negociações continuam ou se eles já tomaram uma decisão e pronto", disse um diplomata brasileiro.

Mais cedo, o ministro Villegas havia divulgado uma nota oficial destacando que a data do dia 28 estava mantida.

À imprensa boliviana, o ministro disse que domingo será o dia de informar à população do país o que realmente foi decidido no dia anterior.

Diálogo
Nesta terça-feira, o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que o tom do Brasil em relação às negociações com a Bolívia "é de diálogo, com defesa firme de seus interesses".

"A defesa de seus interesses tem que ser entendida num contexto que seja benéfico para os dois países."

Na segunda-feira, o ministro havia dito que o Brasil não iria "admitir decisões unilaterais por parte da Bolívia".

Em relação a esse comentário, Amorim afirmou nesta terça-feira que "o Brasil tomará as medidas legais", mas isso não significa que o país vá "fazer retaliações ou ameaçar".

"O Brasil é contra isso, não quer radicalizar. O que queremos é negociar, conversar e encontrar uma solução."

 

BBC Brasil

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