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Aumento dos remédios vai pesar no bolso do brasileiro

14 Mar 2011 - 13h15Por O Dia

Com a divulgação, ontem, do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o brasileiro já pode esperar um reajuste dos preços dos remédios de até 6,01%. O aumento autorizado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed) — do Ministério do Desenvolvimento — entra em vigor em abril, conforme publicado ontem no Diário Oficial. Mais de 18 mil produtos vão sofrer os aumentos.

O DIA fez uma lista com 20 dos remédios mais vendidos no Rio e simulou o quanto os preços deles devem subir, com base no IPCA, índice oficial da inflação. Confira na tabela ao lado. Os remédios mais populares, como de costume, devem ter os maiores reajustes.

A autônoma Ana Cristina Regolo Batista, 35 anos, ganha um salário mínimo, mora de aluguel com três filhos pequenos e reclama do aumento nos preços dos medicamentos. “Eu tenho que comprar sempre antitérmicos, anti-inflamatórios. Filho é uma caixinha de surpresas. E eu mesmo tenho que usar antialérgicos. Eu gasto muito dinheiro com remédios sempre. Aumentar mais é um absurdo. O salário já é pequeno e muitas coisas aumentam o tempo todo”, diz.

LISTA PARA ANVISA

A dica para quem quer fugir do aumento é procurar as farmácias populares. Postos de saúde fornecem medicamentos básicos gratuitamente. Todos os remédios que serão alvos da alta serão conhecidos no fim do mês, quando os laboratórios devem enviar listas à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Os fabricantes podem aplicar percentual menor que o autorizado ou até não aumentar.

Aposentado calcula perda de 0,06%

Aposentados e pensionistas que ganham mais que o salário mínimo amargarão mais uma perda sobre os benefícios. O reajuste que esse grupo recebeu este ano ficará abaixo da inflação. Em janeiro, o governo concedeu aumento de 6,41%, equivalente à estimativa do acumulado em 12 meses do INPC. Oficialmente, porém, a inflação no período foi de 6,47%, segundo o IBGE. Os aposentados deixaram de ter reposição de 0,06%.

A expectativa dos inativos era de que uma portaria fizesse o acerto com base nos 6,47% da inflação. A decisão do governo, no entanto, está em linha com o discurso de impedir novas pressões nas despesas, principalmente depois de anunciar corte de R$ 50 bilhões no orçamento de 2011. O acerto só acontecerá por determinação da presidenta Dilma Rousseff.

Insatisfeito com a decisão do governo, o presidente da Cobap, Warley Martins, ameaça entrar com ação na Justiça para assegurar que os benefícios sejam corrigidos pelos 6,47%. Ele reforçou que a legislação garante que os benefícios acima do mínimo devem ser reajustados de forma que mantenha o poder de compra.

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