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Brasil

Argentino cria "Facebook rural" com R$ 60 e já lucra R$ 100 mil por mês

11 Set 2013 - 14h43Por Uol

Mariano Torrubiano, de 34 anos, teve a ideia de criar uma rede social para agricultores ao visitar uma feira agrícola em seu país, a Argentina, no começo do ano passado. Ele viu um agricultor dirigindo um caminhão e, ao mesmo tempo, mexendo no que Torrubiano pensou ser um sistema de GPS. "Na verdade, ele estava subindo fotos no Facebook pelo computador", afirma.

Produtor de soja e usuário de redes sociais, o argentino percebeu que, apesar de conectado, o meio rural ainda não tinha uma comunidade on-line própria. Daí nasceu o projeto do SojaBook, lançado em fevereiro de 2012 e que hoje tem 20 mil usuários, 6.000 deles brasileiros.

"A soja é o produto agrícola mais importante na América do Sul, então funciona como uma ligação entre toda a agricultura", diz Torrubiano.

SojaBook tem faturamento mensal de R$ 100 mil, diz fundador

Segundo o criador do SojaBook, o investimento inicial foi de US$ 25 (o equivalente a cerca de R$ 60) . Hoje a rede, que conta com quatro funcionários entre designers e programadores, tem faturamento mensal de R$ 100 mil com a venda de anúncios de equipamentos e produtos, de acordo com Torrubiano.

Argentinos e brasileiros somam 90% dos usuários da rede. Os outros 10% vêm principalmente da América Latina.

Para divulgar o SojaBook no Brasil, seu criador já participou de feiras como a Demo Brasil, que aconteceu em São Paulo, focada em start-ups, e a Agrishow, de Ribeirão Preto (SP), voltada para tecnologia agrícola.


Aplicativos para smartphones e tablets, softwares e bancos de dados acessíveis por computador facilitam a vida dos agricultores, permitindo acompanhar a produtividade das lavouras e controlar a operações de máquinas agrícolas, entre outras tarefas. Conheça, a seguir, dez programas voltados para o campo e veja o que eles podem fazer pelo produtor rural. Arte/UOL

Membros trocam informações e oferecem serviços na rede social

Os usuários aproveitam o Sojabook para solucionar problemas ou colocar seus serviços à disposição. Divididos em assuntos como "açúcar na Argentina", "saúde da safra de soja" e "pós-colheita", 83 grupos funcionam como fóruns.

Numa seção do site, chamada "Consultas para Especialistas", produtores encontram membros com formação em áreas como zootecnia, agronomia e gestão do agronegócio.

Outros usuários usam a rede para fazer propagandas de venda de equipamentos e terras, como o internauta Jorge Medizza, que anunciou num chat aberto: "amigos, vendo 1700 hectares em La Paz e Rios [Bolívia] a um preço incrível".

Éder Silveira, gerente comercial da Weisul Agrícola Ltda, empresa com sede em Itajaí (SC) e que planta 30 mil hectares de soja, milho, algodão e feijão no Maranhão, aproveitou um anúncio como o de Medizza para encontrar terras próximas às da empresa.

"Ainda não compramos nada, mas solicitamos informações que estão sendo respondidas", afirma Silveira, que entrou no SojaBook há dois meses.

Usuários querem melhorias e mais negócios no site

Silveira avalia que, embora seja "bastante útil", o site precisa melhorar. "O software ainda tem muitas inconsistências, como links quebrados; toda hora é preciso mudar o idioma, que insiste em voltar ao espanhol, e às vezes dá algum tipo de erro quando você vai aceitar um convite. A impressão que se tem é que a rede está meio vazia ainda", diz.

A negociadora Stéphanie Gomes, que trabalha para a corretora agrícola Malouine de Courtage, na França, fez um perfil no SojaBook no final de agosto para entrar em contato com exportadores de soja e carne.

"A ideia é boa, mas ainda não é bem organizada para profissionais. Tem conversas demais com pessoas querendo vender propriedades", afirma Stéphanie Gomes. "Para ser mais útil, a rede deveria dar mais informações sobre o mercado e criar grupos com interesses comerciais de verdade".

Dono do SojaBook quer lançar uma espécie de "Groupon agro", o Gauchón

Para fazer o negócio crescer, Torrubiano procura parceiros para lançar, até o final do ano, o primeiro serviço de compras coletivas  –  no estilo do Groupon –  voltado apenas para o agronegócio. Batizado de Gauchón, ele venderia produtos como fertilizantes e até máquinas agrícolas, explica Torrubiano.

Hoje, além dos anúncios pagos há também uma seção específica para classificados. No último acesso que a reportagem fez à rede, apenas dois itens eram comercializados nesse espaço. Outros anúncios aparecem dispersos pelas comunidades.

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