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Após tragédia, crianças voltam às aulas na cidade russa

15 Set 2004 - 09h21
Crianças de mãos dadas com suas mães, algumas com lágrimas nos olhos, voltaram para as escolas de Beslan em meio a um forte esquema de segurança nesta quarta-feira, duas semanas após um massacre em uma escola que chocou a pequena cidade de 30 mil habitantes e o mundo inteiro.

Cães farejadores e especialistas em bombas vasculharam as escolas antes que elas fossem reabertas, mas os esforços não chegaram a tranqüilizar os mais de três quartos de estudantes que decidiram faltar às aulas.

Os alunos mais velhos ganharam uma nova disciplina. Além da matemática, história e geografia, terão lições de segurança.

- Agora essa aula será uma das mais importantes no programa escolar, porque com as lições os alunos aprenderão a sobreviver em situações extremas - disse o professor Viktor Mikhailov, segundo a agência de notícias Itar-Tass.

Os alunos que apareceram disseram estar nervosos, mas determinados a seguir adiante depois da tomada da escola número 1 por seqüestradores que exigiam a independência da Chechênia, num trágico evento que terminou com a morte de mais de 320 reféns, metade deles crianças. Outras centenas de pessoas ficaram feridos.

- Eu não quero ceder ao meu ânimo - disse Svetlana Zukurova, uma das várias mães sentadas nas salas de aulas junto com seus filhos.

- Não quero que meu filho tenha medo das dificuldades da vida, medo do desastre terrível que nos uniu a todos. Deixe nossas crianças aprenderem e virarem pessoas boas, que possam perdoar e compadecer-se.

As seis escolas de Beslan estavam sob forte guarda, mas os temores de segurança e o choque mantiveram a maior parte dos estudantes longe das salas de aula. Na escola número 2, apenas 10% dos 900 alunos apareceram. Na escola número 6, cerca de 20% foram às aulas.

- Viemos à escola hoje para aprender, e vamos estudar direito - disse a aluna do primeiro ano Murat Pliyev. Um de seus colegas estava chorando.

O dia começou com um minuto de silêncio e lições lembrando os que morreram. Depois das aulas, as crianças mais velhas foram levadas ao que sobrou da escola número 1, onde depositaram flores e prestaram homenagens.

Os professores disseram que o processo de aprendizado continuaria o mesmo, mas que todos deveriam ficar atentos.

- Mesmo se nada acontecer, viveremos com medo, seremos vigilantes - disse a diretora Valentina Gokinayeva a seus alunos. - Saberemos que a qualquer momento teremos que estar preparados para nos defender e a nossos entes queridos.

Os que sobreviveram ao cerco vão receber aconselhamento antes de voltar para a escola. Algumas crianças foram enviadas a resorts no Mar Negro para se recuperarem do trauma.
 
Reuters

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