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Brasil

Após ameaças, líderes extrativistas são assassinados no Pará

24 Mai 2011 - 13h58Por Terra

Dois líderes do Projeto Agroextrativista (Paex) Praialta-Piranheira foram assassinados na manhã desta terça feira, na comunidade de Maçaranduba, a 50 km do município de Nova Ipixuna, sudeste do Pará. Maria do Espírito Santo da Silva e José Claudio Ribeiro da Silva vinham sendo ameaçados desde 2008. Segundo familiares, pessoas desconhecidas rondavam a residência do casal, geralmente à noite, disparando tiros para o alto. Algumas vezes, até alvejaram animais da propriedade.

As intimidações teriam começado com a denúncia dos líderes extrativistas contra madeireiros da região, que constantemente avançam na área do Paex para extrair espécies madeireiras nobres, como castanheira, angelim e jatobá. Para Atanagildo Matos, diretor da regional Belém do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), a morte de José Cláudio e Maria é uma perda irreparável. "Eles nos deixam uma lição, que é o ideal dos extrativistas da Amazônia: permitir que o 'povo da floresta' possa viver com qualidade, de forma sustentável com o meio ambiente", disse. Ele revelou que a entidade contatou o Ministério Público Federal, a Polícia Federal e outras instituições. "Apoiaremos fortemente as investigações, para que esse crime não fique impune."

Trabalho
O casal vivia há 24 anos em Nova Ipixuna e integravam do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), ONG fundada por Chico Mendes. Desde que começaram a viver juntos, tentavam mostrar que era possível viver em harmonia com a floresta, de forma sustentável. "O terreno deles tinha aproximadamente 20 hectares, mas 80% era área verde preservada", afirma Clara Santos, sobrinha de José Cláudio. "Eles extraíam principalmente óleos de andiroba e castanha, além de outros produtos da floresta para sua subsistência."

O Projeto de Assentamento Agroextrativista (PAEX) Praialta-Piranheira situa-se à margem do lago da hidrelétrica de Tucuruí. Foi criado em 1997 e possui atualmente uma área de 22 mil hectares, onde encontram-se aproximadamente 500 famílias. Além dos óleos vegetais, o açaí e o cupuaçu, frutas típicas da região, garantem a renda na comunidade.

Fórum da Amazônia Oriental
O Fórum da Amazônia Oriental (Faor) divulgou nota manifestando "sua indignação com o assassinato das lideranças do Conselho Nacional das Populações Extrativistas". Antidade apontou que "José Cláudio, a muito estava marcado para morrer, desde que começou a denunciar o desmatamento e a extração ilegal de madeira na região". "O Faor exige publicamente que as autoridades competentes, investiguem esse crime com seriedade e prendam os criminosos (mandantes e executores) para que esse não seja mais um crime a fazer parte da imensa lista de impunidade que assola o nosso Estado. O Faor aproveita para declarar a sua solidariedade aos familiares das vítimas, ao CNS e reafirmar aqui o nosso compromisso em defesa da vida, da justiça e das populações tradicionais da Amazônia", diz o texto.  

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