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Alckmin defende o fim da reeleição no Brasil

4 Out 2006 - 08h55

Em busca do eleitores de Cristóvam Buarque (PDT) e Heloisa Helena (PSOL), o tucano Geraldo Alckmin disse ontem, em entrevista à Folha, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está à sua direita neste segundo turno. "Sou mais à esquerda [do que ele] no apreço à democracia e no sentido econômico."

Enquanto tenta convencer os eleitores dos dois ex-petistas, Alckmin costura apoios na cúpula dos principais partidos. Ontem, conquistou parte do PMDB e conversou com o PV.

Ele diz, porém, que vencerá a eleição graças à "militância cívica" dos eleitores. "O PT tinha uma militância histórica, mas ela praticamente desapareceu. Nós passamos a ter, não digo uma militância partidária, mas uma militância cívica", disse.

Sobre o apoio de Anthony Garotinho, disse que o PT não poderá criticá-lo porque o peemedebista apoiou Lula anteriormente e fez diferença no Rio de Janeiro em 2002. De olho no apoio dos tucanos José Serra e Aécio Neves, Alckmin afirmou que, se eleito, poderá fazer um governo melhor sem se preocupar com reeleição. "No que depender de mim, vou acabar com a reeleição."

Alckmin recebeu a Folha à noite, no condomínio onde mora na zona sul de São Paulo, logo após receber homenagem de vizinhos e comerciantes.

FOLHA - O sr. recebeu hoje apoio de parte do PMDB. Como estão as negociações com os outros partidos?
GERALDO ALCKMIN -
Parte expressiva no PMDB já nos apoiou no primeiro turno, em Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, Rondônia e Pernambuco. Além de deputados e prefeitos em todo o país. Agora, acho que temos a possibilidade de ter o PMDB no Rio Grande do Sul e recebemos o apoio da governadora do Rio. Tive uma conversa com o PV, com o PDT, o Cristovam me ligou. Estamos sempre procurando fazer conversas partidárias. Toda essa conversa se faz em três pilares: a questão da ética, a qualidade dos serviços públicos e o crescimento econômico.

FOLHA - Em que medida esses apoios revertem em votos?
ALCKMIN -
Apoios são importantes para costurar uma governabilidade. Mas é claro que o eleitor tem enorme liberdade, esse comando de voto é pequeno no segundo turno. O que mais me entusiasma agora é a rua. Havia um grande desencanto, uma campanha fria, uma desilusão com a política. Nosso desafio é transformar esse desencanto em entusiasmo. Eu comecei a sentir isso nas duas semanas antes do primeiro turno, gente pedindo material, pedindo voto. É outra campanha.

FOLHA - No início, o sr. dizia que quando foi candidato a vereador de Pindamonhangaba começou andando sozinho na rua e terminou a campanha cercado de muita gente. Está acontecendo isso agora?
ALCKMIN -
Aconteceu e continua acontecendo. Eleição é empatia. Estamos começando a ter uma coisa que o PT perdeu. O PT tinha uma militância histórica, mas ela praticamente desapareceu. Passamos a ter, não digo uma militância partidária, mas uma militância cívica, um grande voluntariado que entende que a política pode ser melhor, séria, honesta. Percebi isso no Brasil inteiro, ganhei, por exemplo, no Acre, onde o PSDB é muito pequeno. E aquela coisa de "Lula vai ganhar no primeiro turno" atrapalhou, deu uma desmotivada. Agora será muito diferente.

FOLHA - Qual será a pauta do sr. neste segundo turno, a economia ou o aspecto ético?
ALCKMIN -
Uma campanha nunca é monotemática. Ética é um tema central até pela gravidade do que ocorreu no Brasil, não só nas últimas semanas, mas nos últimos três anos. O novo nome da ética também é eficiência. Esse aparelhamento do Estado atrapalha a gestão e leva à corrupção, é uma ação entre amigos, a patota.

FOLHA - O sr. não teme que o PT o acuse de não poder falar em ética por ter recebido o apoio do ex-governador Anthony Garotinho?
ALCKMIN -
Isso é bobagem, meus compromissos não mudaram um milímetro. O Garotinho apoiou o Lula em 1989, 1994 e 2002, quando ele teve seis milhões de votos no Rio e o José Serra teve um milhão. Ele não me solicitou nada, eu quero voto, dele e de todos.

FOLHA - O sr. imagina que existirão muitos Ditões, aquele personagem de Pindamonhangaba que ficava em frente ao seus palanques gritando "bate, doutor", neste segundo turno?
ALCKMIN -
Você não faz um campanha contra algo, mas a favor do Brasil. Agora, eu ando na rua e ouço isso o tempo inteiro, "bate, doutor, bate doutor". Tem um fato positivo nisso, as pessoas não perderam a capacidade de se indignar frente ao que está errado. Eles [petistas] já emudeceram no episódio da apreensão do dinheiro com os petistas. Ninguém fala da origem do dinheiro, das contas. Ninguém dá satisfação.

FOLHA - O banqueiro Olavo Setúbal disse que o sr. e Lula são igualmente conservadores. Isso ficará explícito agora?
ALCKMIN -
O Lula está mais à minha direita porque não tem o apreço pela democracia. Essa é a primeira questão. Mario Covas dizia que, na vida pública, essa deve ser sempre a primeira qualidade, apreço à democracia. O governo Lula tem um perfil autoritário, que se manifesta no mensalão, na Ancinav, que é a tentativa de amordaçar a imprensa porque eles não gostam de críticas. Também está mais à direita na questão econômica. Política monetária, fiscal e cambial todo os governos precisam ter. Mas o que nos diferencia é a dosagem. Eles foram ultraconservadores, nesse sentido, mais à direita por causa do custo PT. A economia precisou ser mais ortodoxa porque o Lula falou 25 anos uma coisa e fez outra totalmente diferente. Sou mais à esquerda no apreço à democracia e no sentido econômico, minha agenda será a do crescimento.

FOLHA - José Serra e Aécio Neves sonham em disputar a Presidência. Agora com maiores chances de vencer, o que o sr. pensa da reeleição?
ALCKMIN -
No que depender de mim, eu vou parar com a reeleição. Eu tive de deixar o governo paulista meio ano antes, mas o presidente fica onde está. Não há uma regulamentação adequada. Sem essa preocupação de reeleição, acho que poderei fazer um governo melhor.

 

 

 

Folha Online

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